ABRÃO, OS HEBREUS E A IGREJA GENTÍLICA
Professor Gerson Melo da Silva
GÊNESE CAP.17. Vs.4-9
Para tratarmos deste assunto, se faz necessário revermos primeiro, alguns pontos que são super importantes para os nossos fundamentos doutrinários. Para as igrejas cristãs do nosso tempo,e uma cultura como a nossa, fica quase impossível entender determinados pontos das escrituras, no que diz respeito à desenvoltura de Israel e seus contemporâneos. no versículo 08,o Criador diz a Abraão, que daria a ele e a todos os seus descendentes, toda a terra de Canaã. E não todo O globo terrestre.Pois, se fosse assim, ele não teria dito as palavras que estão escritas em Lv. Cap.20 v.26. onde ele (Deus) diz: sejam santos porque Eu sou santo e separei vocês dos povos para serdes meu. Ora, neste texto das sagradas escrituras,nós vemos claramente a relação que o criador dispõe com este povo. Portanto, há toda uma estrutura psicológica e social de compreensão particular, principalmente entre as famílias ocidentais na compreensão desta reserva. Isso não significa que o criador apenas conversa com Israel, absolutamente; o que acontece aqui, é que, se as escrituras afirmam que houve esta reserva peculiar, quem somo nós para impedir? o profeta Isaias afirmara certa vez que quando o criador opera ou quer fazer alguma coisa com alguém, quem pode impedir seus desígnios? Lemos as seguintes expressões: AINDA ANTES QUE HOUVESSE DIA,EU SOU;E NINGUÉM HÁ QUE POSSA FAZER ESCAPAR DAS MINHAS MÃOS;OPERANDO EU,QUEM IMPEDIRÁ? Livro do profeta Isaias, cap.43.13.
Existem forças na natureza que contra as quais não podemos lutar. Se ele disse que separou este povo para sua conversa particular, o que eu devo fazer é tentar fazer o que é de fato bom, honesto, sincero e desenvolver uma cidadania justa e sincera para com os meus semelhantes. Muitos líderes, têm questionado a autenticidade desta reserva de Deus para com Israel. Há uma outra expressão bíblica que ao meu ver, é bem convincente. No segundo livro da bíblia,temos esta expressão: DISSE O ETERNO A MOISÉS: TENHO VISTO ATENTAMENTE A AFRIÇÃO DO MEU POVO,QUE ESTÁ NO EGITO E TENHO OUVIDO O SEU CLAMOR POR CAUSA DOS SEUS EXATORES,PORQUE CONHECI SUAS DORES.PORTANTO DESCI PARA LIVRÁ-LO DAS MÃOS DOS EGIPCIOS,E PARA FAZÊ-LO SUBIR DAQUELA TERRA,PARA UMA TERRA BOA E LARGA,A UMA TERRA QUE MANA LEITE E MEL;AO LUGAR DO CANANEU,E DO ETEU,E DO HEVEU,E DO JEBUSEU. Ex.cap.3.7,8.
As frases citadas mostram claramente que Israel era escravo no Egito.E está mais do que lógico, que qualquer povo que é escravo não queiram se livrar do seu jugo.Observamos ao longo de toda história que era uma prática comum entre os nômades da época invadir as terras dos vizinhos. Aliás,não só os nômades da época, as nossas sociedades chamadas de civilizadas,até hoje, continuam invadindo o espaço das outras.No caso de Israel,é sabido que algumas nações fizeram pactos e viveram juntos sem nenhum problema.O que a maioria dos lideres não percebem é que Israel até agora apenas se defende para sobreviver.
Como já citamos em linhas anteriores,Israel apenas procurava um lugar para morar e produzir.Ao contrário de super potências que invadem países e matam, apenas para obter lucros excessivos.Cada destas potências justificam suas invasões,dizendo que é para se defender e preservar a soberania nacional.Será que isso é verdade? Israel tentava se estabelecer na terra da palestina,e não possuir o globo terrestre como muitos líderes pensam.
No caso acima,O Eterno disse para os filhos de Israel que dariam a eles toda terra. Isto é, toda terra de suas peregrinação;e não todo globo terrestre;o que é impensável ao raciocínio humano,pensar que Israel iria governar todo globo terrestre. Está mais do que claro que se refere diretamente à terra de Canaã. Já que a terra foi dada a Abraão; os seus filhos e descendentes.Eles deveriam simplesmente herdá-la, MT.5.5 Com o passar dos tempos, os filhos e descendentes de Abraão, foram escravizados em terras estranhas. ( na antiguidade,Egito e posterior,várias nações,inclusive o Brasil).
Até que apareceu Moisés para leva-los de volta para terra onde viviam antes. A terra prometida ao seu pai. Até então , eles ainda não possuíam a terra Que lhes foi prometida pelo seu PATRIARCA, que era um costume dos povos da época e de vários povos dar plena veracidade às palavras dos seus PATRIARCAS. Este povo , era chamado de “O primeiro filho de “ IAHAVEH” Ex : 04 ;22 .isto é, os primeiro que aprenderam que só existia apenas um Deus Eterno, pois em muitos casos nas escrituras, a palavra FILHO, indica alguém que aprende com outro. por isso se diz que Israel é o PRIMOGÊNITO do CRIADOR. Pois, foi o primeiro povo no mundo que percebeu que o mundo foi criado por uma só divindade. Porque as outras nações acreditavam em vários deuses.
Por isso, Moisés precisava de uma Lei e Deus concedeu o seu desejo, e isto aconteceu comoveremos nas página abaixo
Moisés subiu na montanha e lá ficou durante 40 dias. As leis que Moisés recebeu de Deus eram a aliança entre Deus e o Seu povo. O registro destas leis é transmitido em mais de três capítulos da Bíblia (Ex 20:22-24:4). Eles trazem leis referentes ao altar, escravos, assassinatos, ofensas civis, direito de propriedade, deveres sociais, éticos, e muitos outros.
Quando Moisés voltou à congregação, ele relatou a eles todas as palavras do Senhor, e as várias ordenanças, e eles assim responderam a tudo:
Êxodo 24:3.... " Todas as palavras que o SENHOR disse nós faremos ".
O próximo dia foi um dos mais importante na sua história, porque eles iriam estabelecer uma aliança com Deus. Isto foi contado como o dia no qual "estes escravos hebreus se tornaram uma nação". Eles tinham recebido uma revelação divina, e eles responderam a isto entrando na aliança que Deus lhes ofereceu.
A definição Bíblica para Aliança (Testamento) é "um pacto que une duas partes". A palavra hebraica para aliança é b'rit que quer dizer "estabelecer a aliança". E a aliança foi estabelecida pelo derramamento de sangue, e por andar entre as duas partes de carne (Gênesis 15). Uma b'rit não pode ser quebrada. Quando se entra em uma aliança, se faz uma solene promessa de amor e de proteção de um para o outro.
Uma Aliança é um acordo que une duas ou mais pessoas, e a Escritura menciona que algumas foram feitas entre homens, como Jacó e Labão, e Davi e Jônatas. Mas a principal aliança foi feita entre Deus e o homem. Este tipo de aliança era distinta de um acordo humano, no qual as duas partes se aproximavam uma da outra em nível igual. Na aliança divina, Deus é o único que pode cumprir a Aliança verdadeiramente, e alcança o homem, como um ato de graça, e faz a Aliança que une, porque a Sua Palavra é um juramento de honra.
O fato de Deus estabelecer uma aliança com o povo de Israel imediatamente após a sua saída do Egito era de grande significado. Eles eram um povo fraco e desmoralizado que anteriormente haviam sido escravos, mas Deus ofereceu a eles uma teocracia poderosa (uma nação com Deus como o Rei invisível). No dia que a aliança foi legalizada, Moisés construiu um altar de pedra ao pé da montanha e ergueu doze pilares, um para cada uma das tribos de Israel. Foram feitos sacrifícios e enter eles foi aplicado o sangue dos animais no altar do SENHOR. Este é o primeiro registro de uma nação fazendo sacrifício de animais.
Depois que o foi realizado publicamente, Moisés leu todo o livro da aliança, aos ouvidos do povo. Esta leitura da Lei foi ordenada que se repetisse a cada sete anos publicamente, na Festa dos Tabernáculos. Uma vez mais eles responderam alegremente:
Êxodo 24:7 E eles disseram, " tudo o que o SENHOR falou faremos, e obedeceremos".
Deus fez a Aliança com eles que eles quebrariam a sua promessa. Mas novamente a Aliança não dependia do seu desempenho, mas da integridade de Deus. Moisés então aspergiu o povo:
Ex 24:8 " Então tomou Moisés aquele sangue, e espargiu-o sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o SENHOR tem feito convosco sobre todas estas palavras.".
Depois de subir o monte, Moisés permaneceu na presença divina durante quarenta dias, enquanto lhe eram dadas novas revelações. O registro destes quarenta dias na presença de Deus cobre sete capítulos do Livro de Êxodo (25-31). Ao longo deste período Deus deu instruções a Moisés sobre como os homens deveriam se aproximar d'Ele. E é durante esta revelação que nós nos encontramos pela primeira vez a palavra 'tabernáculo' - uma palavra que aparece mais de quatrocentas vezes na Bíblia.
Vash'kanti - mikdash - li - v'assoo - b'tocham
" E me farão um santuário, e habitarei no meio deles. " (possa estar neles).
Logo , Deus não iria dar uma terra qualquer ao seu povo ,ou melhor , ao seu primogênito, Israel seu filho. Ele (Deus) já tinha escolhido uma terra da melhor qualidade,(apesar de pequena) Ex:03 ;05-08. Desta forma , o povo era sabedor da terra para a qual iria. Pois, jamais o nosso Criador daria algo imprestável a um filho seu. O que Israel deveria apenas, fazer era obedecer ao Criador e guardar os seus mandamentos; Dt : 28; 01-14. Como já vimos , o povo de Israel era detentor desta maravilhosa promessa. Este Foi o motivo pelo qual Moisés agia tão confiantemente e podia dizer ao povo as Palavras expostas no livro de Dt: 11;11-13. MAS A TERRA QUE PASSAIS A POSSUIR É TERRA DE MONTES E DE VALES;DA CHUVA DOS CÉUS BEBERÁS AS ÁGUAS; TERRA QUE O TEU CRIADOR TEM CUIDADO; OS OLHOS DO SENHOR O TEU CRIADOR ESTÃO SOBRE ELA CONTINUAMENTE, DESDE O PRINCÍPIO ATÉ O FINAL DO ANO.. Esta tese foi comprovada quando os espias de Israel voltaram de sua jornada de espionagem.
Dizendo que a terra que haviam espionado manava leite e mel. Como prova, trouxeram um imenso cacho de uva que oferecia bastante incômodo para ser conduzido por apenas um homem; isso levou a Josué e Calebe a se levantarem no meio do povo e exaltar o ânimo do povo Para que lutassem e possuíssem aquela maravilhosa terra de apenas 21.946 KM quadrados. Todavia , era uma terra de incomensurável valor. Pois Ele mesmo(Deus) disse que era uma terra santa Ex:03; 05. pensando nisso , Israel teve Que lutar e destruir 31 reinos para tomar posse de sua herança (a terra) Js:12;07-24.Em seguida, quando lemos no capitulo 13 de Josué, já observamos ele repartindo a terra e distribuindo-a de conformidade com o tamanho de cada tribo. Infelizmente, Israel não teve o cuidado de obedecer aos estatutos d seu Deus, conforme Ele tinham advertido. Em Dt :28;01-14. Então caiu sobre eles a maldição contida (recompensa dos maus atos praticados) Em Dt:28;15ss,e a terra foi tomada.
De conformidade com o 2º livro das Crônicas 36.6-10, onde vemos um Rei pagão (totalmente alheio ao Deus único) Tomando posse de uma terra que o próprio Deus havia dito que era uma terra santa e que o seu NOME estaria ali. Por causa da desobediência de Israel, aconteceu a coisa mais grave da sua história. Devemos estar lembrados de que Deus pediu a Abraão que ele saísse da sua terra e do meio dos seus familiares; (Caldéia,Babilônia) parece pura ironia; mas, imaginem quem tomou a herança de Israel mais tarde? foram exatamente os babilônicos; de onde Deus pediu a Abraão que saísse do meio deles passado. Gn:12;01, 2 Crônica 05-10, Por conta disso, a expressão do Salmo cap. 10.16-18, 25:09-10, reforça esse raciocínio. Parece incrível, mas Israel é considerada a nação mais mansa do globo terrestre, pois o que tem feito até agora é apenas se defender dos seus opressores.
Constatamos isso, em seus dois homens de peso na história universal. O legislador Moisés e Jesus da cidade de Nazaré. Moisés, no livro de número cap. 12.3, e Jesus de Nazaré livro de Mt. cap. 11.28-29. chamamos de Jesus de Nazaré porque existem várias pessoas com o nome de Jesus nas escrituras: Paulo fala de um Jesus chamado “justo” quando escreveu uma carta para os seus irmãos na fé, que estavam na cidade de colosso. Col. Cap.4.11 temos em outra parte, nos atos dos apóstolos, um certo homem chamado de “BARJESUS”, em aramaico o prefixo BAR significa FILHO, portanto, Barjesus significa filho de Jesus. At.13.6,como também no Evangelho de Lucas em sua genealogia, aparece um Jesus filho de um homem chamado Er. Simplificando, o nome Jesus, era tão popular em Israel como é José aqui no Brasil. (E isto sem falar que o judeu não tem sobre nome, sua identificação era sempre citando o nome do seu pai o do seu lugar de origem. O exemplo disto nós vemos no nome de: Maria de Magdala, ou seja Maria “Magdalena” Jesus de “Nazaré” Simão “Cirineu” Etc.)O que acontece é que nós, que acreditamos na mensagem de Jesus de Nazaré, confundimos mansidão com covardia. pois todos nós temos o direito de ser respeitado.
Temos lido sobre a história de Jesus que ele sempre fugia para não ser pego pelos inimigos. Na história de Jesus nunca vimos ele criando problema com ninguém, porém toda sua vida de pregador, que durou apenas três anos, foi fugindo para não morrer. O mesmo podemos dizer sobre o profeta Moisés. Que nunca alguém ouviu falar ele ser um assassino, exceto no fato já conhecido de todo mundo, quando ele viu um Egito tentando matar um de seus irmãos, onde ele lançou-se sobre o Egípcio que já os escravizava e o matou; fugindo depois para o deserto onde, em vez de viver como um PRÍNCIPE, foi sofrer lá no deserto pagando suas pena.
Portanto, vemos esses homens fugindo incessantemente para escapar dos conflitos. No entanto, lemos em vários lugares que muitos os procuravam para mata-los. Isto significa que, ser manso nas melhores traduções não significa dar o rosto para ser batido por alguém; pois quando bateram em Jesus e em Paulo eles prontamente revidaram com palavras de reprovação. JO:18;23,Atos:23;02-03. As expressões das escrituras, de dar a outra FACE, nada têm haver com se inclinar para ser tapete de alguém, e sim, dissimular alguém nas melhores das hipóteses. Nos prova que o termo manso, não se encaixa no nosso vocabulário com o significado de calma ou paciência simplesmente, e sim, nos dá a conotação de humildade. Foi por esta causa, que nos disse o Jesus: não tema ó pequeno rebanho porque ao vosso pai agradou dar-vos o reino Lc:12;3. Pois, foi a este pequeno grupo que ele disse: quem não tem espada compre-a ; ora não se tratava de um termo simbólico , ele alertava-os para uma possível guerra. Os Judeus apenas se defendem dos ataques investidos por várias nações Contra eles, a história revela isto.
O que não caracteriza como um povo violento, e sim , como um povo que apenas se defende. Sl:22;26,69;32-33,;74;03,14;76;09,Ez : ,37;11,nos versos citados, de quem estava falando O Eterno ? dos povos do globo terrestre? E de qual terra? Vejamos isto em Ex:04;22, Lev:20;26 .Quando encontramos o judeu Jesus de Nazaré falando em Mateus 5.5 dizendo que os mansos herdariam a terra, esquecemos de interpretar verbo principal (Herdar). Ora, um herdeiro apenas pode herdar algo que pertenceu ao seu pai ou um parente próximo . Estas pessoas irão herdar um pedacinho de terra de aproximadamente 21.946 KM. Quadrado (Não estou sendo tendencioso, e sim, interpretando ao pé da letra o que está escrito) Terra esta, que foi dada ao seu pai Abraão :E DAREI A TI E A TUA SEMENTE DEPOIS DE TI A TERRA DE TUAS PEREGRINAÇÕES (ISRAEL ou CANAÃ) EM PERPÉTUA POSSESSÃO E SER-LHE-EI O SEU DEUS. Gn :17;08,Almeida revista e corrigida.
Para concluirmos , quando Jesus disse que os mansos herdariam a terra , ele estava diretamente falando para os Judeus, e a terra era a de Israel , evidentemente. Confundir que a terra em questão é o globo terrestre, e que o povo são todos os moradores da terra (planeta) é puro equívoco, cometido pelas testemunhas de Jeová que ao editarem a bíblia da tradução do novo mundo das sagradas escrituras as editaram visando confirmar sua doutrina com relação à terra e aos mansos. Pois, nos originais hebraicos e gregos ,constam os mesmos versículos citados na versão do novo mundo. Porem , todo texto trata exatamente do povo e da terra já citada. Isto, é uma coisa muito importante que eles precisam entender. É que, as escrituras que temos nas mãos hoje trata-se da carta magna do estado de Israel. Isto é, a constituição daquele PAÍS. Isto significa que, os escritos nela contidos dizem respeito ao seu povo e sua cultura .
Quando o Sinédrio (a suprema corte de Israel) se reunia para julgar um assassino ,era levado em consideração se o assassinato foi de um judeu ou de um gentio, quando era de um judeu ele (o assino),poderia até sofrer pena de morte como está escrito:Dt.19;21 pois , trata-se de um presídio ou cidade refúgio onde apenas quem ficava Lá, era israelita. Todavia, quando o assassinato era de um gentio, em muitos casos o povo na rua dava glória à deus e diziam: Saul matou milhares ,porem Davi , centenas de milhares . Ora , onde fica o mandamento não matarás? Evidentemente que as escrituras proibia um judeu matar outro judeu mas não um inimigo ou um gentio Ex:20;13, 1Sam 15.32,33.
O POVO DE ISRAEL
Costumes e estatutos
Não é fácil falar do modo de pensar judaico sem ter pelo menos uma idéia firma do assunto. Pois, esta cultura reserva para toda humanidade uma forma de viver muito importante. Esta cultura é baseada no que temos de mais precioso: ”o livro”. O povo judaico é considerado por todos, como o povo que gosta de ler e pesquisar. É chamado as vezes como o povo dos livros. Isto é, o povo que, vive lendo e estudando os livros. Com esta cultura, eles se desenvolvem a cada momento; pois, o futuro de uma nação está dentro dos livros. E por assim dizer, a vida de um povo, Jesus disse: Examinais as Escrituras. Jo. 5.39, e acrescenta que o homem erra não conhecendo as Escrituras e nem o poder de Deus, Mt. 22.29.
Este povo é chamado de: O POVO DE ISRAEL. Isto é, na linguagem hebraica, pode ser traduzida assim: ICH= HOMEM + RA= DIREITO + EL = DEUS. Traduzindo, temos: o homem que anda direito com deus. Isto é. Um homem de moral, ético, racional sincero e verdadeiro, ou seja, “UM PRíNCIPE DE DEUS”. Quando falamos de um homem sincero, estamos falando de Jacó; que para a nossa cultura cristã é considerado como se fosse um homem totalmente carnal, perverso, mentirosos e sem amor, pois como poderia um homem ser desta forma, se ele buscava a Deus? Este homem é na verdade a segunda coluna na escala do conhecimento judaico. Quando falamos de Deus, geralmente falamos de: Abraão1º, Isaque 2º e Jacó 3º. Ora, ele está na galeria dos homens que em todas suas vidas sofreram algumas mudanças importantes. Estas mudanças levas um bom entendedor a pensar: seria Jacó um desobediente ou um servo que luta para ser fiel e obediente a Deus? Esta é uma questão que vem sendo discutida e debatida por muitos E muitos anos, pelos teólogos do mundo inteiro. Cada um que se depara com certos textos da bíblia e deseja analisar este assunto mais a fundo, começa apensar seriamente na questão.
Quando as escritura diz que Deus é o Deus de: Abraão, Isaque e Jacó, são porque na verdade, estes homens são merecedores de tal honra. Toda cultura de Israel, na verdade, deve muito ao comportamento deste herói; do nome que ele ao lutar com Deus no vale de Jaboque conseguiu; ficou como marco para todo sempre; por isso, hoje dizemos os filhos de Israel, ou seja a TERRA de ISRAEL. Ora, só isso já é o bastante para nos convencermos de que não se trata de um mero nome. Ainda se quiséssemos relutar pelo fato de que ele foi enganador, usurpador e outros, nada disto adiantaria; pois, na escala espiritual a vida se destina exatamente desta forma. O homem sempre começa por baixo para depois se erguer e tomar o rumo certo.
Isto acontece da mesma maneira como observamos nossa energia elétrica. Ao vermos uma lâmpada acesa, achamos muito importante e gostamos do clarão que ela faz, e nunca nos damos conta de que esta luz que nos ilumina, é o resultado do entrosamento de dois fios que trabalhando paralelamente e, por incrível que pareça, não pode tocar um no outro, pois se isto acontecer pode trazer grandes problemas e grandes prejuízos. Vemos que esta luz é o resultado do positivo e o negativo. Se satanás não existisse, quem saberia o que era Deus? Parece difícil de entender, mas, é exatamente assim que tudo se desenvolve neste mundo, a grande luta do negativo com o positivo. Se não tivesse um Jacó desobediente, não haveria um Jacó procurando ser certo. Muitas pessoas por não entender estas verdades, às vezes se prejudicam ao interpretar toda a escritura sagrada. O que queremos deixar bem claro nestas linhas, é que o homem procure não errar, mas, se errar, procure um melhor meio de se concertar, pois aprendemos muito com os nossos erros, daí, vêm as nossas condições de humanos.
Nós erramos bastante, e muitas vezes agimos como se fôssemos Deus, imaginemos se nós não errássemos! Sem dúvida nenhuma, pisaríamos tudo o que viesse pela frente. Estas condições de estarmos sempre errando, é que nos leva a refletir na situação dos outros, e em contrapartida, nos avaliarmos melhor. Não significa com isso, concordar com o pecado, absolutamente, trata-se sim, de agir como ser humano, capaz de cometer erros e acertar em todo o desenvolver da nossa vida. Voltando a considerar a situação de Jacó e a cultura judaica, foi exatamente pelo fato de ele está vivendo em um momento de desespero e calamidade espiritual foi que ele procurou sustentar o anjo e não permitir que se fosse sem antes deixa-lo totalmente abençoado. Daquela luta espiritual, saiu um ISRAEL. Isto é, houve uma mudança de nome.
Mas, isto não significa apenas que o nome dele foi trocado, temos aqui um exemplo claro e objetivo de uma mudança radical em uma vida. Vamos analisar um pouco esta situação; um homem entra em um vale tem uma batalha espiritual por um tempo que nós não temos certeza apenas sabemos que era de madruga, e ao sair daquela situação, ele sai dizendo que agora o seu nome é ISRAEL, e daí, muda-se o nome, mas o homem é o mesmo. Será que foi apenas o nome que foi mudado em Jacó? será que toda a vizinhança o considerou um homem justo simplesmente pelo fato de ele ter seu nome mudado? Claro que não. Já explicamos o que significa o nome ISRAEL; o que aconteceu naquele episódio foi que não apenas o nome dele foi mudado, mas também toda uma filosofia de vida. Esta história tem trazido muitas dores de cabeça para muitos teólogos, pois, pensam apenas na mudança de nome e esquece do que isso significa para a cultura judaica. Temos que observar o seguinte: o texto está escrito na terceira pessoa do singular, isto é, alguém está citando o fato.
Não vemos nesta passagem o próprio Jacó dizendo que “meu nome foi mudado de “ Jacó” para “Israel” e sim, um relato de outra pessoa. Todo bom entendedor sabe que quando relatamos um fato ou fazemos uma narrativa, não nos preocupamos com os detalhes daquela situação. O que estamos enfocando é que, o VALE, o NOME, o ANJO, a NOITE e outros pormenores nessa passagem, têm que ser levados em consideração. Temos que procurar os seus significados nos melhores livros de hermenêutica para decifrar o que significa cada uma destas palavras dentro do contexto. Não no contexto histórico, mas no contexto filosófico judaico. Caso contrário, ficaremos o tempo todo só dizendo que o nome de Jacó foi mudado. E não aceitamos quando um membro de nossa igreja deseja fazer o mesmo.
Todos sabem que o nome de Jacó foi mudado, sim, e daí? de fato o que interessa para nós? Temos que ter em mente que nós somos intérpretes da BÍBLIA e vivemos baseados em suas palavras tão profundas. Não podemos pois, deixar de lado um fato tão importante como este. Para A maioria dos pregadores, estas passagens são simbólicas. Eles na verdade, estão totalmente certos; pois, são termos que, na maioria das vezes são simbólicos mesmo. O ponto principal que queremos deixar bem claro aqui, é que não se trata de uma escrita feita no momento, e sim uma análise posterior. Isto é, de fato o nome de Jacó foi mudado, todavia, esse nome só foi concretizado posteriormente com a mudança visível de sua vida. Todos observavam a vida dele e diziam, que de fato Jacó (o usurpador),(enganador etc.) mudou mesmo! Ele agora é um homem direito (ISRAEL) de fato. vejamos o significado deste nome mais uma vez: IS=HOMEM RA=DIREITO EL=DEUS. Isto é, um homem direito com Deus.
É de suma importância observarmos que alguém só diz estas palavras a respeito de uma outra pessoa, quando tem observado aquela pessoa por muito tempo! Então, o nome de Jacó não foi mudado de um dia para outro como alguém pensa. Isto exigiu dele renúncias várias, mudança total de comportamento, até porque ele estava indo se encontrar com uma pessoa que ele tinha enganado. O termo mais apropriado para esta passagem é “RESIGNAÇÃO” este foi o fruto que Jacó colheu posteriormente com sua conduta mudada. Desta forma, Hoje o nome do seu país tem o seu nome, será que foi apenas a mudança de nomes ou houve algo mais do que isto? Não precisamos dizer mais nada a este respeito. O anjo disse a Jacó que queria ir embora, ora, que tipo de anjo é este que não pode se livrar de um homem? Vamos pensar nestas passagens da santa bíblia, onde lemos que o nosso corpo é a casa de Deus 1ª aos Coríntios cap.6.v.19.onde diz que nosso corpo é o templo do espírito santo, em atos dos apostolo no cap. 17.v.24 onde lemos que Deus não mora em casa feita pela mão humana, isto é, ele mora na casa que ele mesmo fez com suas mãos, e em particular em seu escritório central que é a mente de cada pessoa que dá lugar a Deus. Pois a bíblia diz que nós temos a mente de Cristo 1ª aos Coríntios 2. 16, se Cristo está sentado à destra de Deus, imagine o que pode sair de uma mente desta?
Ele trabalha no corpo humano, é por isso que a bíblia diz que nós temos a mente de cristo.1ª Co, cap. 2. v. 16.Quando lemos estas passagens, temos uma idéia básica do que aconteceu com Jacó. Será que o anjo que lutou com Jacó estava pelo lado de fora ou ao contrário? É só pensarmos no fato de ninguém vê Deus batendo em alguém com vara ou outro objeto por aí a fora. Jacó lutou contra quem mesmo? é lógico que ele lutou contra a própria natureza humana que quer nos levar para a degradação humana de várias maneiras
Vejamos o que um FARISEU, CONHECIDO TAMBÉM, COMO DOUTOR DA LEI DISSE: “porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço , mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mais o pecado que habita em mim Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne; não habita bem algum: e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero este faço. Ora se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho esta lei em mim; que, quando quero fazer o bem , o mal está comigo. Porque segundo o homem interior, sinto prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte? carta do apostolo são Paulo aos Romanos cap. 7.João”. Ferreira de Almeida Revista e Corrigida.
Ao lermos esta passagem do Novo Testamento, ficamos imaginando sobre a situação de Jacó. Não passou Jacó pela mesma situação que Paulo se refere aqui? a bíblia é muito clara quando se refere à vida espiritual, ela nos diz que não temos que lutar contra carne e o sangue e sim, contra as potestades da maldade nos lugares celestial, que podem ser chamados ( espaço Sideral ou Mente Espiritual)
Mas onde fica este lugar celestial? Será apenas lá encima nas nuvens? No espaço sideral? Claro que não! Quando alguém quer atacar um rei vai direto no seu reinado! Esse reinado é a casa onde o rei mora. E onde é que Deus mora? Fora ou dentro do corpo humano? Já citamos várias vezes, passagens da bíblia sagrada que endossa este assunto; Deus disse que não mora em templo feito por mãos humanas, e sim, na casa que ele próprio fez com suas próprias mãos; isto é, irrefutável e indiscutível
Se quisermos acreditar, a santa palavra de Deus nos diz que temos que nos submeter à esta realidade e prestar bem a tenção sobre algumas passagens que muitas vezes cobram de nós um esforço maior para entendermos. Não devemos esquecer que estamos estudando um livro que é de origem oriental, e por sua vez temos que entender que esta cultura é totalmente diferente da nossa; e, em sendo assim, para entendermos muitas de suas passagens temos que ter uma mente oriental, caso contrário, jamais conseguiremos entender as passagens escritas na bíblia sagrada. Só se pode entender a bíblia se nos esforçarmos para entender como pensa um judeu em relação à vida espiritual. Aí está uma questão em que devemos aplicar o maior esforço para compreender passagens como a de Jacó.
Resumindo, foi uma batalha espiritual, totalmente interna na mente do homem errado querendo se acertar com o seu irmão e os eu criador. Em uma batalha espiritual, leva-se em conta, todos os pormenores da vida, pois não se pode perder nenhum detalhe; quando isto acontece, podemos até perder a batalha. È por isso que no relato de Jacó, vemos em jogo: o CORPO HUMANO, ANJO e LUTA. Isto quer dizer que estas três coisas fazem parte da vida humana no sentido de ele (o homem) querer fazer a coisa certa. Voltamos a citar o termo “RENÚNCIA” para esta passagem. Lembremo-nos de que Jesus disse que: se tua mão te escandalizar, corta-a e lança para longe de ti, e se o teu olho te escandalizar, tira-o para longe de ti. Ora, estaria Jesus pedindo que alguém cortasse suas mãos o os seus olhos? Claro que não! Pois, se fosse assim, quase todo mundo seria cotó e cego. Isso significa que quando Jesus estava falando de cortar a mão ou arrancar o olho, ele estava falando no sentido espiritual, e não no sentido de alguém se mutilar. VEJAMOS QUE ELE DISSE: TEU OLHO, E NÃO, TEUS OLHOS (OLHO ESPIRITUAL).Voltamos agora para o caso de Jacó e seus símbolos; Jacó saiu mesmo mancando com por causa de uma pancada proferida pelo anjo? Para pensarmos sobre isto, é só pensarmos que anjo não tem corpo como o nosso; e, assim sendo, como poderia pegar algo como se fosse um ser humano? O maior problema é que, quando queremos entender alguns trechos da bíblia espiritualizamos tudo ao nosso entendimento, e nunca o compreendemos com eles realmente são. É por isso que existem fatos que estão escritos na bíblia, e só aquela vez ou naquele momento, como se ninguém mais no mundo pudesse fazer aquilo ou aquele milagre, temos fatos registrado na bíblia que nunca mais aconteceu, visto pelos nossos pontos de vista. Mas será que não estão acontecendo isto todos os dias em nossas volta? É claro que sim, o que acontece é que nós torcemos tudo para ficar mais fácil ao nosso entendimento. Esta maneira nossa de torcer as passagens bíblicas, torna-se cada vez mais difícil de entendê-la. Lembremo-nos pela passagem bíblica que todo mal está dentro do corpo humano,(mente) Jesus disse que não é o que entra no corpo humano, que prejudica as pessoas, e sim, o que sai, ( as más palavras).
Ora, se é o que sai que prejudica o ser humano, o que tem lá dentro da cabeça do mesmo? Isto é claro e patente aos nossos olhos, só não vê quem não quer. De onde saem as guerras? Os projetos destruidores? As orgias? E outras tantas coisas que destroem o homem? Por acaso não são do arsenal mental humano? A mente humana é uma máquina que pode beneficiar muita gente, quando é utilizada de um modo coerente e adequada. Mas ao contrário ,ela é uma bomba atômica que o homem carrega a cada minuto em sua cabeça. Os planos que destruíram milhões de vidas, saíram de uma mente infernal; o que saiu da cabeça de Herodes, Ritler, Mussolini e outros? Só em pensar nestas coisas já dá para termos uma idéia do que é máquina que transportamos todos os dias de nossa vida, oremos a Deus para que a nossa seja usada para fazer a mais pura es anta vontade de Deus!
Os judeus e seus costumes
ATENÇÃO! Os costumes e tradições antigas e modernas que serão encontradas nas páginas seguintes, foram extraídas estão no livro do Renomado escritor "Kolatchi” no livro: "o judaísmo e seus porquês" um best Seller .
Os Porquês do Judaísmo - Judeus e Não-Judeus
- Como a comunidade judaica e os rabinos encaram o judeu convertido?
- Como os judeus imaginam a era messiânica?
- Como se explica o fato de muitos judeus terem em sua casa uma árvore de Natal?
- De onde vem o conceito do Messias?
- É verdade que os judeus ainda esperam a chegada do Messias?
- Existem indivíduos que se dizem, ao mesmo tempo, judeus e espiritas. É possível isto?
- Jesus era judeu?
- Na língua portuguesa, há um termo que muitos consideram pejorativo: "judiar" de alguém. O que se pode fazer para eliminar o seu uso?
- Por que as judias ortodoxas banham-se mensalmente na mikvá?
- Por que há judeus que insistem em participar no Movimento Ecumênico, se existem tantas diferenças insuperáveis entre o Judaísmo e as outras religiões?
- Por que os judeus não aceitam Jesus como Filho de Deus?
- Por que os judeus não aceitam os ensinamentos de Jesus?
- Qual a perspectiva judaica sobre a reencarnação?
- Qual a perspectiva judaica sobre o messianismo?
- Qual o significado da mikvá, o banho ritual, para uma moça ou um rapaz que estão se convertendo ao Judaísmo? O que há de especial na água?
- Qual o significado do termo "ger"?
- Qual o status dos cristãos-novos perante a lei judaica?
- Um judeu pode assistir ao casamento de um amigo numa igreja católica?
como a comunidade judaica e os rabinos encaram o judeu convertido?
Quando a conversão é motivada pela livre e espontânea vontade do indivíduo, quando ela é conseqüência de uma preparação consciente, acompanhada de um compromisso sincero e da firme resolução de observar as Mitzvot - os preceitos, as práticas, as tradições - então o convertido é considerado "autêntico" e é plenamente aceito como membro da comunidade judaica.Quando, entretanto, não existe tal compromisso, tal seriedade de intenções, então a conversão se torna uma farsa, um ato sem sentido. Neste caso, os rabinos não sò desaconselham, como se recusam a consumar a conversão.
Como os judeus imaginam a era messiânica?
A pergunta tem que ser respondida sob duas perspectivas: a ortodoxa e a liberal.
Os ortodoxos continuam aguardando a vinda de um Messias, sob forma de pessoa, que ao chegar na terra operará muitos milagres: os cegos enxergarão, os surdos ouvirão, os paralíticos andarão, os mortos ressuscitarão. Neste dia não haverá mais sofrimento, nem doença, nem pobreza, nem morte. Dentro da mesma linha de pensamento, os ortodoxos mantêm inalterada a doutrina do Messias como um descendente do Rei David que reinará em Jerusalém e reconstruirá o Templo Sagrado. Para os liberais, por outro lado, a redenção futura não será obra de um único homem, mas sim resultado de um árduo esforço par parte de todos os homens. Somente quando aprendermos a respeitar nossas diferenças e eliminar nossas divisões, somente quando os seres humanos se derem as mãos em busca de algo maior, poderá chegar uma era messiânica na qual reinarão o amor, a fraternidade, a justiça e a paz.
Os ortodoxos continuam aguardando a vinda de um Messias, sob forma de pessoa, que ao chegar na terra operará muitos milagres: os cegos enxergarão, os surdos ouvirão, os paralíticos andarão, os mortos ressuscitarão. Neste dia não haverá mais sofrimento, nem doença, nem pobreza, nem morte. Dentro da mesma linha de pensamento, os ortodoxos mantêm inalterada a doutrina do Messias como um descendente do Rei David que reinará em Jerusalém e reconstruirá o Templo Sagrado. Para os liberais, por outro lado, a redenção futura não será obra de um único homem, mas sim resultado de um árduo esforço par parte de todos os homens. Somente quando aprendermos a respeitar nossas diferenças e eliminar nossas divisões, somente quando os seres humanos se derem as mãos em busca de algo maior, poderá chegar uma era messiânica na qual reinarão o amor, a fraternidade, a justiça e a paz.
Como se explica o fato de muitos judeus terem em sua casa uma árvore de Natal?
O Natal tomou-se um feriado tão comercializado que é difícil não sentir sua presença. Além do mais, a alegria dessa festa é sem dúvida atraente e contagiante. Entretanto, é preciso ter em mente que o Natal é muito mais do que uma época de enfeitar árvores e dar presentes: é a celebração do nascimento de Jesus, e portanto uma data da mais alta importância religiosa para a cristandade. O judeu que tenta imitar os costumes e as tradições do Natal está não apenas apagando sua identidade judaica, como também está desrespeitando algo de muito sagrado para seus irmãos cristãos.
de onde vem o conceito do Messias?
A palavra "Messias" vem do hebraico Mashiach, que significa "ungido". Nos tempos bíblicos, a unção com óleo santo era um ato de consagração. No sentido original do termo, os "messias" eram pessoas supostamente encarregadas par Deus para cumprir uma missão especial, e sua unção expressava o caráter sagrado do seu cargo. Aliás, o costume da unção com óleo santo persiste até hoje, na coroação de reis e rainhas contemporâneos. Com o passar do tempo, firmou-se entre os judeus a idéia Profética de que Deus faria uma intervenção dramática na história em prol dos seus eleitos, por intermédio de um descendente do Rei David, que libertaria o povo judeu do cativeiro e o restabeleceria na Terra de Israel. A palavra Mashiach passou então a significar "o ungido de Deus", o mensageiro do Todo-Poderoso que traria a redenção, não só para os israelitas, mas sim para toda a raça humana. Com a vinda do Messias, todos os homens enxergariam uma nova luz e passariam a viver de acordo com os Ensinamentos Divinos. Cessariam então a discórdia e a guerra, e a humanidade entraria numa nova era de paz universal.
É verdade que os judeus ainda esperam a chegada do Messias?
De fato, os judeus não reconhecem que o Messias já tenha vindo. E por que? Simplesmente porque as profecias messiânicas nas quais depositamos nossas esperanças não foram cumpridas! A opressão não terminou, a guerra não acabou, o ódio não cessou, a miséria não findou. E, acima de tudo, a tão esperada regeneração espiritual da humanidade certamente não ocorreu.
Existem indivíduos que se dizem, ao mesmo tempo, judeus e espiritas. É possível isto?
Na medida em que o espiritismo é uma religião, ele traz consigo inúmeros preceitos que divergem do Judaísmo. Existe uma injunção bíblica contra qualquer tentativa de entrar em contato com os mortos, com qualquer espirito morto ou. Pouco se sabe vivo sobre os caminhos profundos e misteriosos do espiritismo. Mas uma coisa é certa: métodos duvidosos podem facilmente levar a práticas proibidas. Quem quer obedecer ao mandamento da nossa Torá, "Amarás ao Eterno teu Deus, de todo o coração", não pode ao mesmo tempo buscar a fé nas sessões espiritas, por meio de fenômenos inexplicáveis da psique. O judeu que acredita em Deus, o Deus da Vida, não deve procurar enxergar o Além. Embora ele postule que existe um Olam Habá, um mundo vindouro, ele se preocupa em cumprir suas obrigações para com Deus e para com o homem, aqui e agora. Do lado de cá, e não do lado de láDo túmulo. Religiosamente, teologicamente, filosoficamente – Judaísmo e espiritismo são incompatíveis.
Jesus era judeu?
Certamente! Jesus nasceu de mãe judia, foi circuncidado no oitavo dia, e celebrou sua Bar-Mítzvá de acordo com a tradição judaica. Ele era chamado de "Rabino" e freqüentava o Templo de Jerusalém, junto com seus discípulos. Mais ainda, ele se considerava um judeu fiel às suas origens. A maior parte dos seus ensinamentos derivam das leis e das tradições judaicas com as quais ele se criou. Vários trechos da Torá podem ser apontados como a fonte dos preceitos que Jesus pregou. "Amarás o próximo como a ti mesmo", por exemplo, provém do Livro de Levítico (capitulo 19, versículo l8).
alguém. O que sepode fazer Na língua portuguesa, há um termo que muitos consideram pejorativo: "judiar" de para eliminar o seu uso?
Existe uma dúvida quanto à origem da palavra "judiar". O Novo Dicionário da Língua Portuguesa, da autoria de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, define: "JUDIAR: tratar como antigamente se tratavam os judeus; fazer sofrer, maltratar, atormentar" 1a. edição, página805).O significado está claro: não há nada de pejorativo. Não fomos nós que maltratamos. Nós, os judeus, fomos maltratados. E cada vez que usamos a palavra "judiar", estamos conscientizando os outros. O termo não deve ser eliminado. Pelo contrário, é bom que o mundo se lembre do preconceito do passado, para que não o permita no presente e no futuro.
Por que as judias ortodoxas banham-se mensalmente na mikvá?
Durante a menstruação, a mulher perde um óvulo não fecundado, uma fonte potencial de vida que não germinou. Portanto, ela traz consigo um vestígio de morte.A água é o símbolo da vida, a própria origem do Universo. Ao mergulhar nas águas da mikvá, a mulher se "purifica" daqueles traços de morte e reafirma a vida.
Por que há judeus que insistem em participar no Movimento Ecumênico, se existem tantas diferenças insuperáveis entre o Judaísmo e as outras religiões?
Participamos no Movimento Ecumênico porque acreditamos que todos os homens são iguais em valor, e todas as religiões visam, em última análise, os mesmos fins: paz, amor, harmonia, compreensão, liberdade, justiça social. Se somos diferentes, somos diferentes apenas no que tange aos meios. Aquilo que nos une supera de longe aquilo que nos divide. Desde que haja respeito mútuo, a fraternidade e o diálogo inter-religioso são possíveis e são frutíferos.Podemos estar longe de atingir nossos objetivos comuns. Mas não importa. A marca do verdadeiro homem não é apenas o que ele realiza, mas sim o que ele aspira realizar. Moisés jamais viu seu sonho realizado, jamais pisou na Terra Prometida. E mesmo assim o chamamos de Moshé Rabeinu, "Moisés nosso Mestre". E por que? Porque ele nos ensinou que apesar dos obstáculos, apesar das frustrações, apesar da incerteza de chegarmos a ver o final feliz - é preciso continuar a sonhar e confiar e lutar.
Por que os judeus não aceitam Jesus como Filho de Deus?
O Judaísmo não reconhece um "Filho de Deus" que se destaca e se eleva acima dos outros seres humanos. A convicção judaica é de que todos os homens são iguais perante Deus, e nenhum mortal pode pretender a divindade. Mesmo Moisés, com quem Deus falou "cara a cara" (como diz metaforicamente a Bíblia), era "o homem Moisés".Os rabinos explicam que toda a raça humana veio de um só homem, Adão, para que ninguém possa dizer que seu pai é superior a qualquer outro. Uma Paternidade Divina, e uma fraternidade humana. Somos todos nós filhos de Deus.
Por que os judeus não aceitam os ensinamentos de Jesus?
Acreditamos que Jesus foi um grande homem, um grande mestre que pregou os ideais universais da fé judaica, um ser humano dotado de grande sensibilidade e percepção. Não aceitamos alguns dos seus ensinamentos, aqueles que são incompatíveis com os preceitos do Judaísmo.
Apenas alguns exemplos: Jesus acreditava ter o poder de perdoar os pecados, enquanto que o perdão, sob a perspectiva judaica, pertence somente a Deus. Jesus alegava ter o poder de ressuscitar os mortos, ao passo que os profetas hebreus, quando operavam um milagre, frisavam que o faziam como meros instrumentos de Deus. Jesus louvava a oração solitária, dizendo que só os hipócritas oravam em conjunto. O Judaísmo, por outro lado, ressalta a importância da oração comunal e acentua a condição do indivíduo como um elo na cadeia do seu povo e da humanidade.
Apenas alguns exemplos: Jesus acreditava ter o poder de perdoar os pecados, enquanto que o perdão, sob a perspectiva judaica, pertence somente a Deus. Jesus alegava ter o poder de ressuscitar os mortos, ao passo que os profetas hebreus, quando operavam um milagre, frisavam que o faziam como meros instrumentos de Deus. Jesus louvava a oração solitária, dizendo que só os hipócritas oravam em conjunto. O Judaísmo, por outro lado, ressalta a importância da oração comunal e acentua a condição do indivíduo como um elo na cadeia do seu povo e da humanidade.
Qual a perspectiva judaica sobre a reencarnação?
Reencarnação, por definição, é o processo pelo qual o espirito reassume uma forma material, ou seja, a alma de uma pessoa que faleceu passa para o corpo de outra que está por nascer. A doutrina da reencarnação não é mencionada na Bíblia, nem na literatura rabínica. Apesar disto, os cabalistas - os místicos judeus - acreditavam na transmigração de almas. E seus seguidores, os judeus chassídicos, herdaram até certo ponto essa crença na reencarnação. existem algumas orações chassídicas que pedem o perdão divino pelos pecados cometidos não só durante a atual existência, mas também nas anteriores.
Entretanto, de um modo geral, a reencarnação não é um elemento essencial da fé judaica.
Entretanto, de um modo geral, a reencarnação não é um elemento essencial da fé judaica.
Qual a perspectiva judaica sobre o messianismo?
A crença na vinda do Messias e a fervorosa expectativa de sua chegada estão firmemente incorporadas no pensamento judaico. O judeu carrega dentro de si uma intensa e profunda convicção de que existirá de fato uma era messiânica. Esta crença tem nos dado força e coragem para enfrentar as adversidades sofridas pelo nosso povo através dos tempos. O Judaísmo seguramente deve sua sobrevivência, em grande parte, a essa esperança infinita num futuro messiânico.O messianismo judaico, apesar de suas conotações espirituais e místicas, é essencialmente pragmático e voltado para a ação - aqui e agora. Nossas aspirações messiânicas não são meros sonhos; são objetivos concretos que nos incentivam a trabalhar ativamente por um mundo melhor, um mundo no qual reinarão os valores morais e éticos da nossa tradição. Nós judeus achamos que sejam quais forem os aspectos espirituais e cósmicos da salvação, ela tem que estar inserida no contexto histórico, político e social da realidade em que vivemos.E importante ressaltar que embora acreditamos fielmente na vinda do Messias, essa crença não é um elemento intrínseco, uma condição sine qua non da fé judaica. Ao contrário da doutrina cristã, que é inconcebível sem o Messias, no Judaísmo o Messias é uma idéia acrescentada posteriormente, e não um principio fundamental em si. As antologias rabínicas e a liturgia judaica frisam que o autor da redenção não é o Messias, mas sim Deus. O Messias é apenas um instrumento através do qual se manifestará a soberania de Deus e se estabelecerá o Reino Divino na terra.
Qual o significado da mikvá, o banho ritual, para uma moça ou um rapaz que estão se convertendo ao Judaísmo? O que há de especial na água?
A palavra "mikvá" significa uma acumulação de água natural, tal como um rio ou um lago. Atualmente, a mikvá é construída como uma piscina interna, e suas águas não têm nada de mágico ou misterioso. Simplesmente água natural, limpa, aquecida a uma temperatura agradável.Nos tempos bíblicos, a mikvá era usada por homens e mulheres para eliminar "impurezas". No entanto, é importante frisar que a imersão na mikvá não é para os fins de higiene física. É um ato de significado puramente espiritual.Quando um indivíduo se converte ao Judaísmo, ele participa desse ritual. A água é um símbolo de vida. Assim como o nascimento físico provém do liquido amniótico no ventre materno, assim também o nascimento espiritual, isto é, a conversão, associa-se às águas purificadoras que marcam um nova começo.
Qual o significado do termo "ger"?
"Ger" significa literalmente "forasteiro", e se refere a uma pessoa que nasce de mãe não judia e posteriormente se converte ao Judaísmo.Neste contexto, "ger" não implica na verdade "estrangeiro", mas sim um "recém-chegado", alguém que se associa aos judeus por livre e espontânea vontade, e é acolhido de braços abertos entre eles. Importante: uma vez que ele se torna um ger, ele deixa de ser um estrangeiro e passa a ser um pleno participante da Comunidade Judaica, compartilhando com todos os judeus um mesmo legado e um mesmo destino.
Qual o status dos cristãos-novos perante a lei judaica?
Cristãos-novos são aqueles judeus, especialmente da Espanha e Portugal (também chamados "Marranos"), que foram obrigados a se converter ao catolicismo durante a Inquisição e outras perseguições, embora freqüentemente continuassem a praticar o Judaísmo em segredo. Muitos deles se asilaram no Brasil, principalmente no norte do pais.uanto ao seu status perante a comunidade judaica: a lei afirma que quem nasce de mãe judia é judeu. Portanto, enquanto a ascendência materna for judaica, os descendentes permanecem judeus através das gerações. Assim sendo, quando um cristão-novo deseja voltar formalmente ao Judaísmo, seria ilegal exigir que ele se convertesse, pois isto implicaria que sem tal conversão ele não é judeu.Entretanto, embora não seja exigida uma conversão formal, é costume submeter os cristãos-novos a alguma espécie de ritual para assinalar seu "regresso" à comunidade judaica. Isto é feito simbolicamente através de uma promessa de chaverut, lealdade ao Judaísmo. Uma vez que eles foram criados dentro do Cristianismo, é necessário que se comprometam a estudar as doutrinas e as práticas judaicas, e afirmem sua disposição de cumprir os mandamentos do Judaísmo.
Um judeu pode assistir ao casamento de um amigo numa igreja católica?
De acordo com os rabinos ortodoxos, não. De acordo com os liberais, sim, sob a condição de que o judeu seja apenas um espectador e não um participante na cerimônia.
Os Porquês do Judaísmo - As Grandes Festas
- Como são feitas as comemorações de Yom Kipur?
- Nas orações de Yom Kipur encontra-se inúmeras vezes a palavra "pecado". É judaico este termo?
- O que acontece durante o mês de Elul?
- O que é Rosh Hashaná?
- O que são os "Dez Dias de Penitência"?
- O que são Selichot?
- Por que algumas pessoas costumam bater com a mão no peito durante o serviço religioso de Yom Kipur?
- Por que as chalot (pães) em Rosh Hashaná são redondos, em vez da forma alongada que comemos o ano inteiro?
- Por que as Grandes Festas são chamadas "Dias de Temor"?
- Por que é costume comer em Rosh Hashaná um pedaço de pão ou maçã embebido em mel?
- Por que muitas pessoas se vestem de branco no dia de Yom Kipur?
- Por que não se pode usar sapatos de couro em Yom Kipur?
- Por que não se toca o shofar no Shabat?
- Por que o judeu se ajoelha durante os serviços religiosos de Rosh Hashaná e Yom Kipur, se não o faz o ano inteiro?
- Por que os judeus jejuam em Yom Kipur?
- Por que os judeus recitam preces à beira de um rio em Rosh Hashaná?
- Por que Rosh Hashaná é comemorado por dois dias, se a Torá especifica um único dia?
- Por que se comemora o Ano Novo no mês de Tishrei, quando a Bíblia afirma que o primeiro mês é Nissan?
- Por que se costuma servir uma cabeça de peixe no jantar de Rosh Hashaná?
- Por que se recita o Yizkor, a oração comemorativa dos finados, em Yom Kipur?
- Qual é o tema predominante nas orações das Grandes Festas?
- Qual o significado do Kol Nidrei?
- Qual o significado do shofar que é soprado nas Grandes Festas?
- O como são feitas as comemorações de Yom Kipur?
Yom Kipur, o Dia do Perdão, marca o final das festividades de Ano Novo, e é a DATA mais sagrada do calendário judaico. Neste dia, segundo a tradição, é confirmada e selada a sentença de cada ser humano, decretada por Deus dez dias antes, em Rosh Hashaná.
Yom Kipur é um dia de introspeção e exame de consciência, em que os judeus se reúnem nas sinagogas para fazer uma confissão coletiva dos pecados e rezar pelo perdão divino, não só para o nosso povo, mas para toda a humanidade. O tema central do serviço religioso é a teshuvá, o arrependimento, o retorno a Deus. A liturgia inclui a leitura do Livro de Jonas, o qual ensina que todos os homens, independente de raça ou religião, têm uma participação igual no amor e na misericórdia do Todo-Poderoso. No fim do serviço religioso toca-se o shofar, um instrumento feito de chifre de carneiro, cujo formato curvo representa a submissão do homem a Deus. O toque do shofar desperta os indivíduos para os valores morais e espirituais.Em Yom Kipur, buscamos não só o perdão divino, mas também o perdão humano. Nesse dia, expulsam-se da alma os rancores e ressentimentos, e procura-se uma reconciliação com o próximo.
Yom Kipur é um dia de introspeção e exame de consciência, em que os judeus se reúnem nas sinagogas para fazer uma confissão coletiva dos pecados e rezar pelo perdão divino, não só para o nosso povo, mas para toda a humanidade. O tema central do serviço religioso é a teshuvá, o arrependimento, o retorno a Deus. A liturgia inclui a leitura do Livro de Jonas, o qual ensina que todos os homens, independente de raça ou religião, têm uma participação igual no amor e na misericórdia do Todo-Poderoso. No fim do serviço religioso toca-se o shofar, um instrumento feito de chifre de carneiro, cujo formato curvo representa a submissão do homem a Deus. O toque do shofar desperta os indivíduos para os valores morais e espirituais.Em Yom Kipur, buscamos não só o perdão divino, mas também o perdão humano. Nesse dia, expulsam-se da alma os rancores e ressentimentos, e procura-se uma reconciliação com o próximo.
Nas orações de Yom Kipur encontra-se inúmeras vezes a palavra "pecado". É judaico este termo?
Sim, o termo "pecado" é de origem judaica. Porém, da perspectiva do Judaísmo, pecar não é apenas infringir uma lei contra Deus; é, acima de tudo, cometer uma injustiça contra o homem.A palavra hebraica "chet", pecado, significa literalmente "não atingir o alvo", deixar de realizar plenamente nosso potencial humano. Sim, indica uma ruptura no relacionamento entre o homem e Deus. Porém, mais ainda, revela um distanciamento entre homem e homem, e um desencontro do homem consigo mesmo.Dai nasce o conceito judaico de arrependimento: teshuvá - um retorno. Longe de induzir culpa ou medo, a consciência dos seus pecados deve inspirar o indivíduo a voltar: a Deus, ao próximo e a si.
O que acontece durante o mês de Elul?
De acordo com a teologia judaica, no primeiro dia do mês de Tishrei (Rosh Hashaná), cada ser humano deve prestar contas de seus atos durante o ano que passou. Nesse dia ele comparece perante o Tribunal Celestial que dará o veredicto se ele merece ou não mais um ano de vida. Um confronto espiritual desta magnitude requer uma preparação prévia adequada, um balanço dos créditos e débitos, uma avaliação das boas ações e transgressões,um a primoramento interior.Este é o significado do mês de Elul que antecede as Grandes Festas: um período no qual o homem tenta se aproximar do seu Criador. Neste contexto, soa-se o shofar diariamente nos serviços matutinos (exceto no Shabat), como um chamado ao arrependimento, e recitam-se as Selichot, orações penitenciais.
O que é Rosh Hashaná?
Rosh Hashaná (literalmente, "cabeça do ano") é o Ano Novo judaico, quando se comemora o aniversário da criação do mundo. Seu significado transcende, porém, o simples inicio de um novo ciclo, pois neste dia o Senhor do Universo julga cada ser humano e decreta o seu destino. Par esta razão, Rosh Hashaná é também chamado Yom HaDin, o Dia do Julgamento.Outro nome dado a Rosh Hashaná é Yom HaZíkaron, Dia da Recordação. Ao iniciar-se um novo ano, lembramo-nos de todos nossos atos no ano que passou, e pedimos ao Todo-Poderoso que se recorde de Suas criaturas e nos inscreva no Livro da Vida. Apesar do seu caráter solene, Rosh Hashaná é um feriado marcado por otimismo, fé e esperança. Em um mundo conturbado pela guerra, rezamos pela paz, Em um mundo cheio de ódio, rezamos pelo amor. Em um mundo onde reina a morte, rezamos pela vida.
O que são os "Dez Dias de Penitência"?
De acordo com a tradição, embora a sentença divina seja decretada em Rosh Hashaná, os portões do arrependimento continuam abertos até os últimos instantes de Yom Kipur, quando a sentença é selada. Os dias intermediários entre os dois feriados são, portanto, "dias de penitência", nos quais praticamos atos de caridade, perdoamos as ofensas alheias, tentamos reparar as faltas que cometemos e tomamos a firme resolução de melhorar nosso comportamento, na esperança de que o julgamento de Deus ainda se possa modificar favoravelmente. Normalmente, usa-se o termo "Dez Dias de Penitência" (em hebraico Asseret Yemei Teshuvá), indicando assim que os dois feriados em si também estão incluídos neste período.
O que são Selichot?
Selichot são orações penitenciais através das quais o indivíduo confessa seus pecados, pede o perdão divino, e tenta se purificar de quaisquer faltas que impeçam sua comunhão espiritual com Deus.De acordo com os sefardim, as Selichot devem ser recitadas durante 40 dias (desde 1.° de Elul até o dia de Yom Kipur, 10 de Tishrei), em lembrança dos 40 dias que Moisés passou no Monte Sinai antes de receber as novas Tábuas da Lei, cuja entrega implicava que Deus havia perdoado os israelitas pelo pecado de render culto ao Bezerro de Ouro.Nas comunidades ashkenazim, as Selichot têm início à meia-noite do sábado anterior a Rosh Hashaná (ou no penúltimo sábado, quando Rosh Hashaná cai numa segunda ou terça-feira).Por que iniciar as Selichot sempre num sábado? Uma das interpretações é que no último Shabat antes de Rosh Hashaná, a leitura da Torá, Parashat Nitzavim, inclui a frase: "Atem nìtzavim haYom kulchem lìfnei Adonai Eloheichem", "Estais hoje todos vós diante do Eterno vosso Deus." O valor numérico das três primeiras palavras é igual ao valor numérico da frase "laamod líselíchot", "levantar-se para as orações penitenciais". A implicação, segundo os ashkenazim, é que naquele sábado devemos levantar-nos diante de Deus e recitar as Selichot.
Por que algumas pessoas costumam bater com a mão no peito durante o serviço religioso de Yom Kipur?
Fazendo este gesto durante a confissão dos pecados, estamos acusando o coração como culpado por todas as transgressões que cometemos.
Por que as chalot (pães) em Rosh Hashaná são redondos, em vez da forma alongada que comemos o ano inteiro?
A forma redonda é um símbolo de continuidade e eternidade, pois o circulo não tem início nem fim. A implicação, então, é o nosso desejo de continuarmos em vida no decorrer do ano seguinte, e por muitos anos mais.Além do mais, a forma redonda - sem ângulos, sem arestas - é a nossa prece pela paz e harmonia, por um ano sem atritos e sem conflitos, individual e coletivamente.Alguns costumam assar as chalot de Rosh Hashaná em forma de espiral, simbolizando o desejo de que nossas preces ascendam aos céus e que possamos crescer, ética e moralmente, ao longo do ano.
Por que as Grandes Festas são chamadas "Dias de Temor"?
Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, e Yom Kipur, Dia do Perdão, não comemoram nenhum acontecimento histórico e nenhum evento agrícola. São festas essencialmente religiosas, destinadas a por o indivíduo frente a um duplo tribunal: Deus e sua própria consciência. Como tais, são marcadas por um caráter solene e austero. Dai o nome Yamim Noraim, "Dias de Temor", ou melhor, "Dias de Reverência", que na verdade têm inicio bem antes de Rosh Hashaná, quando começa o mês de Elul.
Por que é costume comer em Rosh Hashaná um pedaço de pão ou maçã embebido em mel?
O mel é tradicionalmente usado em Rosh Hashaná como prenúncio simbólico de um Ano Novo repleto de doçura. Ele nos ensina a enfrentar o futuro com serenidade, otimismo e coragem, sem jamais nos entregarmos à amargura ou ao desespero.Interessante: o valor numérico da palavra hebraica "dvash", que significa "mel", equivale ao valor das palavras "Av HaRachamim", "Pai Misericordioso". Assim, o mel que comemos no Dia do Julgamento representa nossa esperança de que a sentença decretada pelo Supremo Juiz seja amenizada pela sua compaixão.Quanto à maçã, ela é considerada na Bíblia como algo de muito precioso. O "Cântico dos Cânticos" compara o ser amado à macieira. O Zohar se refere à maçã como "a nobre obra de Deus". Portanto, é uma fruta muito apropriada para ser servida no dia em que comemoramos o aniversário da Criação.
Por que muitas pessoas se vestem de branco no dia de Yom Kipur?
Na época do Templo, quando o Sumo Sacerdote entrava em Yom Kipur no "Santo dos Santos", o recinto mais sagrado do Santuário, ele usava uma vestimenta simples de linho branco. O branco é a cor da pureza e da inocência. Os anjos se vestem de branco. No dia de Yom Kipur, quando expiamo-nos dos nosso pecados e nos elevamos espiritualmente, somos "quase como anjos".Nas palavras do Profeta Isaias que são lidas em Rosh Hashaná:"Embora vossos pecados sejam escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve" (isto é, depois do arrependimento) (Isaías 1:18). Usando roupas brancas, demonstramos nossa esperança e nossa confiança no perdão divino. Os rabinos e cantores litúrgicos sempre se vestem de branco nas Grandes Festas. Mais ainda, nestes dias todos os ornamentos da sinagoga - a cortina da Arca, a toalha da mesa onde se lê a Torá, as capas que revestem os rolos da Torá são brancos.
Por que não se pode usar sapatos de couro em Yom Kipur?
A proibição tem origem num versículo da Torá: "No Dia da Expiação (...) afligirás tua alma" (Levítico 23:27). Neste contexto, os rabinos recomendam o desconforto físico como um meio simbólico para a penitência espiritual. Outra interpretação é que o dia mais sagrado do ano, dedicado à Vida, não tolera a destruição de um ser vivo, nem mesmo de um animal.
E finalmente, existe uma explicação social: antigamente apenas os ricos podiam se dar ao luxo de comprar artigos de couro. Em Yom Kipur, há uma perfeita nivelação de todos os homens. Diante de Deus, não há ricos nem pobres - somos todos iguais. Dai a proibição de usar sapatos de couro.
E finalmente, existe uma explicação social: antigamente apenas os ricos podiam se dar ao luxo de comprar artigos de couro. Em Yom Kipur, há uma perfeita nivelação de todos os homens. Diante de Deus, não há ricos nem pobres - somos todos iguais. Dai a proibição de usar sapatos de couro.
Por que não se toca o shofar no Shabat?
Os rabinos dizem que tocar o shofar é uma arte, e não uma forma de trabalho: "Tekiyat shofar chochmá hì, veeiná melachá," Portanto, soprar o shofar não é em si um ato proibido. A razão pela qual não se toca o shofar no Shabat é que pode acontecer de alguém inadvertidamente carregar o shofar de um recinto particular para uma via pública... e isto sim é uma violação das leis do Shabat. É interessante observar que no antigo Templo, o shofar era soado mesmo aos sábados. O ambiente era tão. solene e sagrado que ninguém ousaria violar qualquer lei do Shabat. Após a destruição do Templo, os rabinos decretaram que seria permitido tocar o shofar no Shabat somente naquelas cidades onde existisse um Beit Din, uma corte rabínica devidamente autorizada que pudesse impedir qualquer violação do Shabat. Quando estas cortes deixaram de existir, e ocorreu um relaxamento na observância religiosa das massas, foi abolido o toque do shofar aos sábados em todas as partes do mundo, inclusive na Terra Santa.
Por que o judeu se ajoelha durante os serviços religiosos de Rosh Hashaná e Yom Kipur, se não o faz o ano inteiro?
Em toda a liturgia judaica, Deus é descrito como Rei e Sua soberania é constantemente ressaltada. Teoricamente, portanto, deveríamos nos ajoelhar diariamente, três vezes por dia, quando recitamos a prece "Aleinu": "Inclinamo-nos humildemente diante do Senhor nosso Rei." Se durante o ano todo, talvez por hesitação, apenas nos curvamos - em Rosh Hashaná e Yom Kipur, quando Deus é explicitamente proclamado Rei, não podemos mais protelar. Literalmente "caímos de joelhos"em submissão e entrega total. Normalmente rezamos em pé, no intuito de servirmos eretos a Deus.
Por que os judeus jejuam em Yom Kipur?
Durante as 25 horas do Yom Kipur, os judeus observam o jejum absoluto, que tem um sentido muito profundo. Jejuamos para demonstrar concretamente nosso remorso pelas faltas que cometemos, e para podermos concentrar-nos no espiritual, afastando-nos simbolicamente do excesso material que nos cerca nos outrosdias.Mais ainda, o jejum nos torna conscientes do sofrimento de tantos desprivilegiados em todo o mundo, que passam fome o ano inteiro. Transformar essa conscientização em ação é a essência da fé judaica, que nos foi legada pelos nossos profetas.
Por que os judeus recitam preces à beira de um rio em Rosh Hashaná?
Este ritual, chamado Tashlich (que significa "jogar fora"), representa uma autopurificação. Na tarde do primeiro dia de Rosh Hashaná (ou no segundo dia, quando o primeiro cai no Shabat), os judeus se reúnem junto a um rio e esvaziam os bolsos, jogando migalhas de pão na água corrente, enquanto recitam orações penitenciais tradição baseia-se num versículo bíblico: "Ele esquecerá nossas faltas e jogará nossos pecados nas profundezas do mar" (Miquéías 7:19). É uma forma simbólica de expressar nosso arrependimento e pedir perdão a Deus pelos erros que cometemos durante o ano que passou.
Por que Rosh Hashaná é comemorado por dois dias, se a Torá especifica um único dia?
Todos os feriados principais (exceto Yom Kipur) duram um dia a mais na Diáspora do que em Israel (veja página 109). Rosh Hashaná, entretanto, é celebrado por dois dias, tanto em Israel como na Diáspora, embora a Torá especifique: "No primeiro dia do sétimo mês..." (Levítico 23:24). A explicação histórica é a seguinte: antigamente, o dia de Lua Nova era anunciado pelo Beit Din, a corte rabínica em Jerusalém, depois de receber o depoimento de duas testemunhas oculares. Embora em Israel não houvesse a possibilidade de um erro na determinação do novo mês, as testemunhas ás vezes só chegavam à noite (naqueles dias em que o céu estava encoberto, por exemplo). Neste caso, não dava mais tempo de divulgar o inicio de Rosh Hashaná naquela mesma noite. Portanto, os rabinos decidiram estender o feriado por dois dias. Desta forma, seria obedecida a norma de divulgar a noticia somente depois de ouvir as testemunhas, e ao mesmo tempo seria preservada a santidade do primeiro dia, no qual o feriado realmente caía. Obviamente, este problema só surgiu em relação a Rosh Hashaná, por cair no primeiro dia do mês.O Talmud de Jerusalém oferece uma outra interpretação para esta tradição. Na jurisprudência judaica, quando um criminoso sujeito à pena capital está sendo julgado, a corte não pode pronunciar seu veredicto no primeiro dia, mas deve adiá-lo para o dia seguinte, a fim de ter mais tempo para refletir. Em Rosh Hashaná, quando o destino do homem está sendo julgado, quando sua própria vida está em jogo, o Tribunal Celestial certamente deve ter um dia a mais para decidir a sentença.
Por que se comemora o Ano Novo no mês de Tishrei, quando a Bíblia afirma que o primeiro mês é Nissan?
Nissan, o mês do Êxodo, marca o inicio da história judaica como um povo livre, e por esta razão é considerado "o primeiro mês". Por outro lado, de acordo com algumas fontes, o nasci mento de Adão ocorreu no mês de Tishrei. Rosh Hashaná, portanto, é o aniversário de toda a raça humana.Outra explicação, baseada em astrologia, é que Rosh Hashaná foi intencionalmente inserido em Tishrei por causa do signo desse mês: a balança, um símbolo muito apropriado para o Dia do Julgamento, quando são pesadas nossas boas ações e nossos pecados.Uma terceira interpretação: começar o Ano Novo em Nissan - quando é primavera em Israel, quando a natureza desperta, as árvores vicejam e as flores desabrocham - implicaria que o homem é escravo das leis do universo. Ao determinar que Rosh Hashaná seja celebrado no outono - quando em Israel o mundo da natureza começa a definhar e esmorecer - a Torá nos ensina uma profunda lição. O homem pode, se quiser, transcender as leis da natureza. E por quê? Porque ele é obra de um Criador que está acima do próprio Cosmos.
Por que se costuma servir uma cabeça de peixe no jantar de Rosh Hashaná?
O peixe, devido à sua multiplicação rápida, é um símbolo tradicional de fertilidade. A cabeça é servida em recordação da promessa bíblica: "O Eterno fará com que sejas cabeça, e não cauda (...), contanto que obedeças aos mandamentos do Eterno teu Deus" (Deuteronômio 28:13). A cabeça de peixe servida em Rosh Hashaná simboliza portanto nosso desejo de podermos liderar, naquele ano e sempre, a busca de um mundo melhor.
Por que se recita o Yizkor, a oração comemorativa dos finados, em Yom Kipur?
Primeiro, porque durante as orações de Yizkor, prometemos praticar o bem em memória daqueles que partiram. E de acordo com as doutrinas místicas da Cabalá, cada boa ação que realizamos eleva a alma dos nossos entes queridos a um nível espiritual mais alto em seu repouso eterno.Segundo, porque lembrando-nos dos finados neste dia tão sagrado, acreditamos que eles também se lembrarão de nós. E, observando-nos de onde estiverem, vendo que estamos rezando e jejuando, ficarão tranqüilos na certeza de que seu legado está sendo perpetuado e que sua vida não foi em vão.Terceiro, o Dia do Perdão é chamado na linguagem rabínica Yom HaKipurim, literalmente "Dia dos Perdões". Infere-se daí que devemos pedir perdão a Deus não só pelas nossas próprias transgressões, mas também pelas faltas daqueles que jà não se encontram mais entre nós.Dentro deste mesmo espírito, acendemos velas em memória dos finados na véspera de Yom Kipur.
Qual é o tema predominante nas orações das grandes festas
Um tema muito simples, porém muito profundo: Vida. O apego à vida é visto pelo Judaísmo como um direito e um dever. O ser humano tem liberdade de escolha: entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, entre o sucesso e o fracasso. O Judaísmo ensina que nada é preestabelecido. Cada um de nós tem a responsabilidade moral de moldar o seu próprio destino.E mesmo assim, nas Grandes Festas tornamo-nos conscientes das nossas limitações humanas. Reconhecemos a Fonte Suprema: Deus. A Ele rezamos que nos conceda a vida, e que nos inspire com força, determinação e sabedoria - para que possamos não só "escolher a vida", mas também engrandecê-la e enriquecê-la.
Qual o significado do Kol Nidrei?
Kol Nidrei, o serviço religioso que dá início às comemorações de Yom Kipur, é uma declaração de anulação de votos. É um pedido de perdão pelas promessas pessoais que o indivíduo faz impulsivamente, sem premeditação, e que consequentemente não podem ser cumpridas. É importante observar que tal "anulação" se refere somente às promessas feitas pelo indivíduo a Deus, e não ao seu semelhante Kol Nidrei DATA provavelmente do século VII, quando os judeus espanhóis eram obrigados a se converterem ao catolicismo, porém continuavam no íntimo leais à sua fé. Na noite de Yom Kipur, eles se reuniam secretamente para pedirem perdão a Deus pelos votos que tinham feito sob coação dos perseguidores canto solene da Kol Nidrei tem um forte impacto emocional sobre todo judeu. Ele nos conscientiza de que, sob as pressões da vida, nossos atos nem sempre são condizentes com nossos princípios. Ao mesmo tempo, ele nos estimula a tentar agir com mais dignidade e integridade.
Qual o significado do shofar que é soprado nas Grandes Festas?
O shofar (literalmente "chifre") é um dos mais antigos instrumentos de sopro. Mencionado inúmeras vezes na Bíblia, o toque do shofar assinalou vários momentos solenes na vida do povo judeu, desde a entrega dos Dez Mandamentos no Monte Sinai. Ele era soado para convocar reuniões, mobilizar exércitos, para anunciar o Ano do Jubileu, a chegada da Lua Nova e o inicio dos feriados. De acordo com a tradição, o Profeta Elias, arauto da Redenção, soará o shofar para anunciar a chegada do Messias.Em 1967, quando Israel reconquistou o Muro Ocidental em Jerusalém, o capitão-mor soou o shofar, e a noticia jubilosa ecoou nas comunidades judaicas do mundo interino. Livro dos Números, capitulo 29, versículo 1, o shofar é citado como parte do ritual de Rosh Hashaná: "No primeiro dia do sétimo mês (...) será tocado o shofar." Utiliza-se especificamente um chifre de carneiro, em lembrança do episódio da Akedá, quando Deus determinou que um carneiro fosse sacrificado no lugar de Isaac. O shofar representa portanto a misericórdia da Criador para com os homens. Neste contexto, o toque do shofar nas Grandes Festas é um apelo ao perdão divino.Embora o shofar seja um símbolo tipicamente judaico, sua mensagem tem um caráter universal. Como explicava o grande filósofo Maimônides, o toque do shofar é um "despertador espiritual", um chamado à introspecção e à ação: "Acordem do seu sono, vocês que estão dormindo. Reexaminem seus atos.Lembrem-se de Deus e retornem a Ele." O shofar nos desperta da nossa letargia e nos incita a incorporarmos em nosso cotidiano os verdadeiros e eternos valores morais que são a herança de todos os homens.
Os Porquês do Judaísmo - As Grandes Festas
- Como são feitas as comemorações de Yom Kipur?
- Nas orações de Yom Kipur encontra-se inúmeras vezes a palavra "pecado". É judaico este termo?
- O que acontece durante o mês de Elul?
- O que é Rosh Hashaná?
- O que são os "Dez Dias de Penitência"?
- O que são Selichot?
- Por que algumas pessoas costumam bater com a mão no peito durante o serviço religioso de Yom Kipur?
- Por que as chalot (pães) em Rosh Hashaná são redondos, em vez da forma alongada que comemos o ano inteiro?
- Por que as Grandes Festas são chamadas "Dias de Temor"?
- Por que é costume comer em Rosh Hashaná um pedaço de pão ou maçã embebido em mel?
- Por que muitas pessoas se vestem de branco no dia de Yom Kipur?
- Por que não se pode usar sapatos de couro em Yom Kipur?
- Por que não se toca o shofar no Shabat?
- Por que o judeu se ajoelha durante os serviços religiosos de Rosh Hashaná e Yom Kipur, se não o faz o ano inteiro?
- Por que os judeus jejuam em Yom Kipur?
- Por que os judeus recitam preces à beira de um rio em Rosh Hashaná?
- Por que Rosh Hashaná é comemorado por dois dias, se a Torá especifica um único dia?
- Por que se comemora o Ano Novo no mês de Tishrei, quando a Bíblia afirma que o primeiro mês é Nissan?
- Por que se costuma servir uma cabeça de peixe no jantar de Rosh Hashaná?
- Por que se recita o Yizkor, a oração comemorativa dos finados, em Yom Kipur?
- Qual é o tema predominante nas orações das Grandes Festas?
- Qual o significado do Kol Nidrei?
- Qual o significado do shofar que é soprado nas Grandes Festas?
Como são feitas as comemorações de Yom Kipur?
Yom Kipur, o Dia do Perdão, marca o final das festividades de Ano Novo, e é a DATA mais sagrada do calendário judaico. Neste dia, segundo a tradição, é confirmada e selada a sentença de cada ser humano, decretada por Deus dez dias antes, em Rosh Hashaná.
Yom Kipur é um dia de introspecção e exame de consciência, em que os judeus se reúnem nas sinagogas para fazer uma confissão coletiva dos pecados e rezar pelo perdão divino, não só para o nosso povo, mas para toda a humanidade. O tema central do serviço religioso é a teshuvá, o arrependimento, o retorno a Deus. A liturgia inclui a leitura do Livro de Jonas, o qual ensina que todos os homens, independente de raça ou religião, têm uma participação igual no amor e na misericórdia do Todo-Poderoso. No fim do serviço religioso toca-se o shofar, um instrumento feito de chifre de carneiro, cujo formato curvo representa a submissão do homem a Deus. O toque do shofar desperta os indivíduos para os valores morais e espirituais.Em Yom Kipur, buscamos não só o perdão divino, mas também o perdão humano. Nesse dia, expulsam-se da alma os rancores e ressentimentos, e procura-se uma reconciliação com o próximo.
Yom Kipur é um dia de introspecção e exame de consciência, em que os judeus se reúnem nas sinagogas para fazer uma confissão coletiva dos pecados e rezar pelo perdão divino, não só para o nosso povo, mas para toda a humanidade. O tema central do serviço religioso é a teshuvá, o arrependimento, o retorno a Deus. A liturgia inclui a leitura do Livro de Jonas, o qual ensina que todos os homens, independente de raça ou religião, têm uma participação igual no amor e na misericórdia do Todo-Poderoso. No fim do serviço religioso toca-se o shofar, um instrumento feito de chifre de carneiro, cujo formato curvo representa a submissão do homem a Deus. O toque do shofar desperta os indivíduos para os valores morais e espirituais.Em Yom Kipur, buscamos não só o perdão divino, mas também o perdão humano. Nesse dia, expulsam-se da alma os rancores e ressentimentos, e procura-se uma reconciliação com o próximo.
Nas orações de Yom Kipur encontra-se inúmeras vezes a palavra "pecado". É judaico este termo?
Sim, o termo "pecado" é de origem judaica. Porém, da perspectiva do Judaísmo, pecar não é apenas infringir uma lei contra Deus; é, acima de tudo, cometer uma injustiça contra o homem.A palavra hebraica "chet", pecado, significa literalmente "não atingir o alvo", deixar de realizar plenamente nosso potencial humano. Sim, indica uma ruptura no relacionamento entre o homem e Deus. Porém, mais ainda, revela um distanciamento entre homem e homem, e um desencontro do homem consigo mesmo.Dai nasce o conceito judaico de arrependimento: teshuvá - um retorno. Longe de induzir culpa ou medo, a consciência dos seus pecados deve inspirar o indivíduo a voltar: a Deus, ao próximo e a si.
O que acontece durante o mês de Elul?
De acordo com a teologia judaica, no primeiro dia do mês de Tishrei (Rosh Hashaná), cada ser humano deve prestar contas de seus atos durante o ano que passou. Nesse dia ele comparece perante o Tribunal Celestial que dará o veredicto se ele merece ou não mais um ano de vida. Um confronto espiritual desta magnitude requer uma preparação prévia adequada, um balanço dos créditos e débitos, uma avaliação das boas ações e transgressões, um aprimoramento interior.Este é o significado do mês de Elul que antecede as Grandes Festas: um período no qual o homem tenta se aproximar do seu Criador. Neste contexto, soa-se o shofar diariamente nos serviços matutinos (exceto no Shabat), como um chamado ao arrependimento, e recitam-se as Selichot, orações penitenciais.
O que é Rosh Hashaná?
Rosh Hashaná (literalmente, "cabeça do ano") é o Ano Novo judaico, quando se comemora o aniversário da criação do mundo. Seu significado transcende, porém, o simples inicio de um novo ciclo, pois neste dia o Senhor do Universo julga cada ser humano e decreta o seu destino. Par esta razão, Rosh Hashaná é também chamado Yom HaDin, o Dia do Julgamento.Outro nome dado a Rosh Hashaná é Yom HaZíkaron, Dia da Recordação. Ao iniciar-se um novo ano, lembramo-nos de todos nossos atos no ano que passou, e pedimos ao Todo-Poderoso que se recorde de Suas criaturas e nos inscreva no Livro da Vida.Apesar do seu caráter solene, Rosh Hashaná é um feriado marcado por otimismo, fé e esperança. Em um mundo conturbado pela guerra, rezamos pela paz, Em um mundo cheio de ódio, rezamos pelo amor. Em um mundo onde reina a morte, rezamos pela vida.
O que são os "Dez Dias de Penitência"?
De acordo com a tradição, embora a sentença divina seja decretada em Rosh Hashaná, os portões do arrependimento continuam abertos até os últimos instantes de Yom Kipur, quando a sentença é selada. Os dias intermediários entre os dois feriados são, portanto, "dias de penitência", nos quais praticamos atos de caridade, perdoamos as ofensas alheias, tentamos reparar as faltas que cometemos e tomamos a firme resolução de melhorar nosso comportamento, na esperança de que o julgamento de Deus ainda se possa modificar favoravelmente. Normalmente, usa-se o termo "Dez Dias de Penitência" (em hebraico Asseret Yemei Teshuvá), indicando assim que os dois feriados em si também estão incluídos neste período.
O que são Selichot?
Selichot são orações penitenciais através das quais o indivíduo confessa seus pecados, pede o perdão divino, e tenta se purificar de quaisquer faltas que impeçam sua comunhão espiritual com Deus.De acordo com os sefardim, as Selichot devem ser recitadas durante 40 dias (desde 1.° de Elul até o dia de Yom Kipur, 10 de Tishrei), em lembrança dos 40 dias que Moisés passou no Monte Sinai antes de receber as novas Tábuas da Lei, cuja entrega implicava que Deus havia perdoado os israelitas pelo pecado de render culto ao Bezerro de Ouro.Nas comunidades ashkenazim, as Selichot têm início à meia-noite do sábado anterior a Rosh Hashaná (ou no penúltimo sábado, quando Rosh Hashaná cai numa segunda ou terça-feira).Por que iniciar as Selichot sempre num sábado? Uma das interpretações é que no último Shabat antes de Rosh Hashaná, a leitura da Torá, Parashat Nitzavim, inclui a frase: "Atem nìtzavim haYom kulchem lìfnei Adonai Eloheichem", "Estais hoje todos vós diante do Eterno vosso Deus." O valor numérico das três primeiras palavras é igual ao valor numérico da frase "laamod líselíchot", "levantar-se para as orações penitenciais". A implicação, segundo os ashkenazim, é que naquele sábado devemos levantar-nos diante de Deus e recitar as Selichot.
Por que algumas pessoas costumam bater com a mão no peito durante o serviço religioso de Yom Kipur?
Fazendo este gesto durante a confissão dos pecados, estamos acusando o coração como culpado por todas as transgressões que cometemos.
Por que as chalot (pães) em Rosh Hashaná são redondos, em vez da forma alongada que comemos o ano inteiro?
A forma redonda é um símbolo de continuidade e eternidade, pois o circulo não tem início nem fim. A implicação, então, é o nosso desejo de continuarmos em vida no decorrer do ano seguinte, e por muitos anos mais.Além do mais, a forma redonda - sem ângulos, sem arestas - é a nossa prece pela paz e harmonia, por um ano sem atritos e sem conflitos, individual e coletivamente.Alguns costumam assar as chalot de Rosh Hashaná em forma de espiral, simbolizando o desejo de que nossas preces ascendam aos céus e que possamos crescer, ética e moralmente, ao longo do ano.
Por que as Grandes Festas são chamadas "Dias de Temor"?
Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, e Yom Kipur, Dia do Perdão, não comemoram nenhum acontecimento histórico e nenhum evento agrícola. São festas essencialmente religiosas, destinadas a por o indivíduo frente a um duplo tribunal: Deus e sua própria consciência. Como tais, são marcadas por um caráter solene e austero. Dai o nome Yamim Noraim, "Dias de Temor", ou melhor, "Dias de Reverência", que na verdade têm inicio bem antes de Rosh Hashaná, quando começa o mês de Elul.
Por que é costume comer em Rosh Hashaná um pedaço de pão ou maçã embebido em mel?
O mel é tradicionalmente usado em Rosh Hashaná como prenúncio simbólico de um Ano Novo repleto de doçura. Ele nos ensina a enfrentar o futuro com serenidade, otimismo e coragem, sem jamais nos entregarmos à amargura ou ao desespero.Interessante: o valor numérico da palavra hebraica "dvash", que significa "mel", equivale ao valor das palavras "Av HaRachamim", "Pai Misericordioso". Assim, o mel que comemos no Dia do Julgamento representa nossa esperança de que a sentença decretada pelo Supremo Juiz seja amenizada pela Sua compaixão.Quanto à maçã, ela é considerada na Bíblia como algo de muito precioso. O "Cântico dos Cânticos" compara o ser amado à macieira. O Zohar se refere à maçã como "a nobre obra de Deus". Portanto, é uma fruta muito apropriada para ser servida no dia em que comemoramos o aniversário da Criação.
Por que muitas pessoas se vestem de branco no dia de Yom Kipur?
Na época do Templo, quando o Sumo Sacerdote entrava em Yom Kipur no "Santo dos Santos", o recinto mais sagrado do Santuário, ele usava uma vestimenta simples de linho branco. O branco é a cor da pureza e da inocência. Os anjos se vestem de branco. No dia de Yom Kipur, quando expiamo-nos dos nosso pecados e nos elevamos espiritualmente, somos "quase como anjos".Nas palavras do Profeta Isaias que são lidas em Rosh Hashaná:"Embora vossos pecados sejam escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve" (isto é, depois do arrependimento) (Isaías 1:18). Usando roupas brancas, demonstramos nossa esperança e nossa confiança no perdão divino.Os rabinos e cantores litúrgicos sempre se vestem de branco nas Grandes Festas. Mais ainda, nestes dias todos os ornamentos da sinagoga - a cortina da Arca, a toalha da mesa onde se lê a Torá, as capas que revestem os rolos da Torá são brancos.
Por que não se pode usar sapatos de couro em Yom Kipur?
A proibição tem origem num versículo da Torá: "No Dia da Expiação (...) afligirás tua alma" (Levítico 23:27). Neste contexto, os rabinos recomendam o desconforto físico como um meio simbólico para a penitência espiritual.Outra interpretação é que o dia mais sagrado do ano, dedicado à Vida, não tolera a destruição de um ser vivo, nem mesmo de um animal.E finalmente, existe uma explicação social: antigamente apenas os ricos podiam se dar ao luxo de comprar artigos de couro. Em Yom Kipur, há uma perfeita nivelação de todos os homens. Diante de Deus, não há ricos nem pobres - somos todos iguais. Dai a proibição de usar sapatos de couro.
Por que não se toca o shofar no Shabat?
Os rabinos dizem que tocar o shofar é uma arte, e não uma forma de trabalho: "Tekiyat shofar chochmá hì, veeiná melachá," Portanto, soprar o shofar não é em si um ato proibido. A razão pela qual não se toca o shofar no Shabat é que pode acontecer de alguém inadvertidamente carregar o shofar de um recinto particular para uma via pública... e isto sim é uma violação das leis do Shabat.É interessante observar que no antigo Templo, o shofar era soado mesmo aos sábados. O ambiente era tão. solene e sagrado que ninguém ousaria violar qualquer lei do Shabat. Após a destruição do Templo, os rabinos decretaram que seria permitido tocar o shofar no Shabat somente naquelas cidades onde existisse um Beit Din, uma corte rabínica devidamente autorizada que pudesse impedir qualquer violação do Shabat. Quando estas cortes deixaram de existir, e ocorreu um relaxamento na observância religiosa das massas, foi abolido o toque do shofar aos sábados em todas as partes do mundo, inclusive na Terra Santa.
Por que o judeu se ajoelha durante os serviços religiosos de Rosh Hashaná e Yom Kipur, se não o faz o ano inteiro?
Em toda a liturgia judaica, Deus é descrito como Rei e Sua soberania é constantemente ressaltada. Teoricamente, portanto, deveríamos nos ajoelhar diariamente, três vezes por dia, quando recitamos a prece "Aleinu": "Inclinamo-nos humildemente diante do Senhor nosso Rei." Se durante o ano todo, talvez por hesitação, apenas nos curvamos - em Rosh Hashaná e Yom Kipur, quando Deus é explicitamente proclamado Rei, não podemos mais protelar. Literalmente "caímos de joelhos" em submissão e entrega total.Normalmente rezamos em pé, no intuito de servirmos eretos a Deus.
Por que os judeus jejuam em Yom Kipur?
Durante as 25 horas do Yom Kipur, os judeus observam o jejum absoluto, que tem um sentido muito profundo. Jejuamos para demonstrar concretamente nosso remorso pelas faltas que cometemos, e para podermos concentrar-nos no espiritual, afastando-nos simbolicamente do excesso material que nos cerca nos outros dias.Mais ainda, o jejum nos torna conscientes do sofrimento de tantos desprivilegiados em todo o mundo, que passam fome o ano inteiro. Transformar essa conscientização em ação é a essência da fé judaica, que nos foi legada pelos nossos profetas.
Por que os judeus recitam preces à beira de um rio em Rosh Hashaná?
Este ritual, chamado Tashlich (que significa "jogar fora"), representa uma autopurificação. Na tarde do primeiro dia de Rosh Hashaná (ou no segundo dia, quando o primeiro cai no Shabat), os judeus se reúnem junto a um rio e esvaziam os bolsos, jogando migalhas de pão na água corrente, enquanto recitam orações penitenciais.A tradição baseia-se num versículo bíblico: "Ele esquecerá nossas faltas e jogará nossos pecados nas profundezas do mar" (Miquéías 7:19). É uma forma simbólica de expressar nosso arrependimento e pedir perdão a Deus pelos erros que cometemos durante o ano que passou.
Por que Rosh Hashaná é comemorado por dois dias, se a Torá especifica um único dia?
Todos os feriados principais (exceto Yom Kipur) duram um dia a mais na Diáspora do que em Israel (veja página 109). Rosh Hashaná, entretanto, é celebrado por dois dias, tanto em Israel como na Diáspora, embora a Torá especifique: "No primeiro dia do sétimo mês..." Levítico 23:24). A explicação histórica é a seguinte: antigamente, o dia de Lua Nova era anunciado pelo Beit Din, a corte rabínica em Jerusalém, depois de receber o depoimento de duas testemunhas oculares. Embora em Israel não houvesse a possibilidade de um erro na determinação do novo mês, as testemunhas ás vezes só chegavam à noite (naqueles dias em que o céu estava encoberto, por exemplo). Neste caso, não dava mais tempo de divulgar o inicio de Rosh Hashaná naquela mesma noite. Portanto, os rabinos decidiram estender o feriado por dois dias. Desta forma, seria obedecida a norma de divulgar a noticia somente depois de ouvir as testemunhas, e ao mesmo tempo seria preservada a santidade do primeiro dia, no qual o feriado realmente caía. Obviamente, este problema só surgiu em relação a Rosh Hashaná, por cair no primeiro dia do mês.O Talmud de Jerusalém oferece uma outra interpretação para esta tradição. Na jurisprudência judaica, quando um criminoso sujeito à pena capital está sendo julgado, a corte não pode pronunciar seu veredicto no primeiro dia, mas deve adiá-lo para o dia seguinte, a fim de ter mais tempo para refletir. Em Rosh Hashaná, quando o destino do homem está sendo julgado, quando sua própria vida está em jogo, o Tribunal Celestial certamente deve ter um dia a mais para decidir a sentença.
Por que se comemora o Ano Novo no mês de Tishrei, quando a Bíblia afirma que o primeiro mês é Nissan?
Nissan, o mês do Êxodo, marca o inicio da história judaica como um povo livre, e por esta razão é considerado "o primeiro mês". Por outro lado, de acordo com algumas fontes, o nasci mento de Adão ocorreu no mês de Tishrei. Rosh Hashaná, portanto, é o aniversário de toda a raça humana.Outra explicação, baseada em astrologia, é que Rosh Hashaná foi intencionalmente inserido em Tishrei por causa do signo desse mês: a balança, um símbolo muito apropriado para o Dia do Julgamento, quando são pesadas nossas boas ações e nossos pecados.Uma terceira interpretação: começar o Ano Novo em Nissan - quando é primavera em Israel, quando a natureza desperta, as árvores vicejam e as flores desabrocham - implicaria que o homem é escravo das leis do universo. Ao determinar que Rosh Hashaná seja celebrado no outono - quando em Israel o mundo da natureza começa a definhar e esmorecer - a Torá nos ensina uma profunda lição. O homem pode, se quiser, transcender as leis da natureza. E por quê? Porque ele é obra de um Criador que está acima do próprio Cosmos.
Por que se costuma servir uma cabeça de peixe no jantar de Rosh Hashaná?
O peixe, devido à sua multiplicação rápida, é um símbolo tradicional de fertilidade. A cabeça é servida em recordação da promessa bíblica: "O Eterno fará com que sejas cabeça, e não cauda (...), contanto que obedeças aos mandamentos do Eterno teu Deus" (Deuteronômio 28:13). A cabeça de peixe servida em Rosh Hashaná simboliza portanto nosso desejo de podermos liderar, naquele ano e sempre, a busca de um mundo melhor.
Por que se recita o Yizkor, a oração comemorativa dos finados, em Yom Kipur?
Primeiro, porque durante as orações de Yizkor, prometemos praticar o bem em memória daqueles que partiram. E de acordo com as doutrinas místicas da Cabalá, cada boa ação que realizamos eleva a alma dos nossos entes queridos a um nível espiritual mais alto em seu repouso eterno.Segundo, porque lembrando-nos dos finados neste dia tão sagrado, acreditamos que eles também se lembrarão de nós. E, observando-nos de onde estiverem, vendo que estamos rezando e jejuando, ficarão tranqüilos na certeza de que seu legado está sendo perpetuado e que sua vida não foi em vão.Terceiro, o Dia do Perdão é chamado na linguagem rabínica Yom HaKipurim, literalmente "Dia dos Perdões". Infere-se daí que devemos pedir perdão a Deus não só pelas nossas próprias transgressões, mas também pelas faltas daqueles que jà não se encontram mais entre nós.Dentro deste mesmo espírito, acendemos velas em memória dos finados na véspera de Yom Kipur.
Qual é o tema predominante nas orações das Grandes Festas?
Um tema muito simples, porém muito profundo: Vida. O apego à vida é visto pelo Judaísmo como um direito e um dever. O ser humano tem liberdade de escolha: entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, entre o sucesso e o fracasso. O Judaísmo ensina que nada é preestabelecido. Cada um de nós tem a responsabilidade moral de moldar o seu próprio destino.E mesmo assim, nas Grandes Festas tornamo-nos conscientes das nossas limitações humanas. Reconhecemos a Fonte Suprema: Deus. A Ele rezamos que nos conceda a vida, e que nos inspire com força, determinação e sabedoria - para que possamos não só "escolher a vida", mas também engrandecê-la e enriquecê-la.
Qual o significado do Kol Nidrei?
Kol Nidrei, o serviço religioso que dá início às comemorações de Yom Kipur, é uma declaração de anulação de votos. É um pedido de perdão pelas promessas pessoais que o indivíduo faz impulsivamente, sem premeditação, e que consequentemente não podem ser cumpridas. É importante observar que tal "anulação" se refere somente às promessas feitas pelo indivíduo a Deus, e não ao seu semelhante.O Kol Nidrei DATA provavelmente do século VII, quando os judeus espanhóis eram obrigados a se converterem ao catolicismo, porém continuavam no íntimo leais à sua fé. Na noite de Yom Kipur, eles se reuniam secretamente para pedirem perdão a Deus pelos votos que tinham feito sob coação dos perseguidores.O canto solene da Kol Nidrei tem um forte impacto emocional sobre todo judeu. Ele nos conscientiza de que, sob as pressões da vida, nossos atos nem sempre são condizentes com nossos princípios. Ao mesmo tempo, ele nos estimula a tentar agir com mais dignidade e integridade.
Qual o significado do shofar que é soprado nas Grandes Festas?
O shofar (literalmente "chifre") é um dos mais antigos instrumentos de sopro. Mencionado inúmeras vezes na Bíblia, o toque do shofar assinalou vários momentos solenes na vida do povo judeu, desde a entrega dos Dez Mandamentos no Monte Sinai. Ele era soado para convocar reuniões, mobilizar exércitos, para anunciar o Ano do Jubileu, a chegada da Lua Nova e o inicio dos feriados. De acordo com a tradição, o Profeta Elias, arauto da Redenção, soará o shofar para anunciar a chegada do Messias.Em 1967, quando Israel reconquistou o Muro Ocidental em Jerusalém, o capelão-mor soou o shofar, e a noticia jubilosa ecoou nas comunidades judaicas do mundo inteiro.No Livro dos Números, capitulo 29, versículo 1, o shofar é citado como parte do ritual de Rosh Hashaná: "No primeiro dia do sétimo mês (...) será tocado o shofar." Utiliza-se especificamente um chifre de carneiro, em lembrança do episódio da Akedá, quando Deus determinou que um carneiro fosse sacrificado no lugar de Isaac. O shofar representa portanto a misericórdia da Criador para com os homens. Neste contexto, o toque do shofar nas Grandes Festas é um apelo ao perdão divino.Embora o shofar seja um símbolo tipicamente judaico, sua mensagem tem um caráter universal. Como explicava o grande filósofo Maimônides, o toque do shofar é um "despertador espiritual", um chamado à introspecção e à ação: "Acordem do seu sono, vocês que estão dormindo. Reexaminem seus atos.Lembrem-se de Deus e retornem a Ele." O shofar nos desperta da nossa letargia e nos incita a incorporarmos em nosso cotidiano os verdadeiros e eternos valores morais que são a herança de todos os homens.
Os Porquês do Judaísmo - Judaísmo e Medicina
- A lei judaica permite a inseminação artificial, quando o doador é o próprio marido?
- A lei judaica permite que se retire um órgão de uma pessoa morta para transplantá-lo em outro indivíduo?
- Com tantos menores abandonados, a lei judaica não considera mais justo adotar uma criança, quando a concepção pelos meios normais é impossível, em vez de recorrer à fecundação in vitro ou à inseminação artificial?
- Como a religião judaica encara o aborto?
- Como o Judaísmo se coloca diante da inseminação artificial, quando o doador não é o marido?
- É permitido a um judeu doar seus olhos para um transplante de córnea?
- No caso de um judeu ser acometido de um mal irremediável, será permitida a prática da eutanásia?
- Por que a lei judaica não permite o transplante de coração?
- Qual a perspectiva judaica sobre o "bebê de proveta"?
- Qual a perspectiva judaica sobre os transplantes, quando o órgão a ser transplantado é doado por uma pessoa viva?
A questão da inseminação artificial é bastante complexa do ponto de vista da lei judaica. Uma vez que tal forma de concepção, da maneira como é praticada atualmente, não é mencionada nos textos bíblicos, as opiniões rabínicas são as mais variadas, desde algumas bastante conservadoras e rígidas, até as mais liberais e permissivas.A dúvida teológica fundamental é se nós, seres humanos, temos o direito de interferir na natureza. E a resposta da grande maioria dos rabinos é um categórico "sim". O Judaísmo afirma que Deus e o homem são parceiros na criação do mundo. É portanto a obrigação de cada indivíduo usar sua inteligência, sua imaginação, sua criatividade, para melhorar a vida na Terra. A natureza, com seus acertos e seus erros, não é intocável. Nós podemos e devemos fazer tudo ao nosso alcance para remover os obstáculos que a natureza coloca em nosso caminho. Negar isto é resignar-se à doença, às deformidades, à dor. Negar isto é renegar toda a Medicina.Do ponto de vista da lei judaica, uma das objeções levantadas contra a inseminação artificial é que a emissão de esperma fora da vagina é uma forma de onanismo, e portanto constitui "um ato proibido". A palavra "onanismo" vem do personagem bíblico Onan, que foi punido com a morte por ter praticado o coito interrompido com a finalidade de evitar a fecundação (Gênesis 38:8-10). A maior parte das autoridades rabínicas não considera válida esta objeção no caso da inseminação artificial com o sêmen do marido, pois este sêmen não é desperdiçado. Pelo contrário, ele é usado para engravidar a mulher, para cumprir o mandamento da procriação matrimonial.Em suma, quase a totalidade dos rabinos permite a inseminação artificial com o sêmen do marido, desde que tenha decorrido um certo prazo a partir do casamento, e o casal não tenha conseguido conceber um filho petos métodos normais.
A lei judaica permite que se retire um órgão de uma pessoa morta para transplantá-lo em outro indivíduo?
O Judaísmo considera fundamental o respeito pelos mortos. Neste contexto, a lei judaica proíbe a mutilação do cadáver e exige que o corpo seja sepultado intacto e o mais breve possível.Estas exigências, entretanto, como todas as leis da Torá, podem ser postas de lado diante do mandamento supremo do Judaísmo: o dever de salvar uma vida, "Pikuach Nefesh". Não pode haver maior tributo aos mortos do que utilizar seus restos mortais para prolongar outra vida humana.Existem, neste caso, dois requisitos básicos: primeiro, que o órgão retirado do morto seja transplantado imediatamente para um receptor necessitado (justificando assim o conceito de salvar uma vida); segundo, que tenha sido dada permissão pelo doador antes de sua morte ou, pelo menos, por sua família após o falecimento.
Com tantos menores abandonados, a lei judaica não considera mais justo adotar uma criança, quando a concepção pelos meios normais é impossível, em vez de recorrer à fecundação in vitro ou à inseminação artificial?
O Judaísmo não é, de modo algum, insensível ao drama social das milhares, talvez milhões, de crianças abandonadas no mundo inteiro. Muito pelo contrário, a Bíblia menciona diversas vezes que o órfão deve ser amparado. Os rabinos apoiam a adoção, e incentivam as famílias judaicas neste sentido.Entretanto, o primeiro mandamento da nossa Torá, cronologicamente falando, é "Pru urvu", "Crescei e multiplicai-vos", literalmente "Sede férteis e multiplicai-vos" (Gênesis 1:28). E isto significa que cada indivíduo tem o dever de criar outro, e assim perpetuar a raça humana.E não apenas por motivos religiosos, como também do ponto de vista psicológico, é perfeitamente compreensível que uma mulher prefira gerar seu próprio filho a adotar uma criança alheia. A gestação é uma necessidade emocional instintiva, inerente à natureza feminina. Carregando em seu ventre uma nova vida, ela se sente mais mulher, ela se realiza.Além do mais, o filho adotivo só passa a fazer parte da família semanas ou meses após o nascimento, enquanto que no caso da fecundação in vitro ou por inseminação artificial, a mulher e o marido participam juntos da concepção, dos cuidados pré natais, de toda a gravidez e do parto - e esta é uma vivência das mais gratificantes para o casal, que ninguém, em sã consciência, tem o direito de impedir.
Como a religião judaica encara o aborto?
Segundo a lei judaica, o feto não é um ser viável e independente enquanto se encontra no ventre materno, já que ele não pode ser mantido vivo fora do seu abrigo natural. Portanto, o Judaísmo não equipara o aborto a um assassinato. Com base nesta premissa, algumas autoridades rabínicas consideram o aborto justificável quando se trata de evitar o sofrimento físico ou mesmo psicológico da mãe.Entretanto, o fato do aborto ser legalmente permitido em alguns casos, não significa que seja eticamente correto, e certamente não justifica sua prática indiscriminada. Em nosso mundo contemporâneo repleto de violência, no qual o respeito pela vida já está tão tragicamente depreciado, é fundamental que a sociedade seja conscientizada quanto aos sérios problemas éticos envolvidos no aborto.Mesmo que o embrião não seja realmente um ser vivo, ele é uma vida em potencial, e como tal não pode ser levianamente eliminado.Em suma, embora a lei judaica não proíba o aborto, o espirito do Judaísmo - que sustenta o respeito pela vida e o horror à violência - não pode aprovar uma prática que ameaça o valor mais sagrado da nossa tradição: o sentido de santidade da vida. Consequentemente, mesmo sendo legalmente viável, o aborto deve ser moralmente restrito. Acima de tudo, é essencial termos sempre em mente que nenhum de nós é dono absoluto da sua própria pessoa ou da vida que desponta dentro de si.
Como o Judaísmo se coloca diante da inseminação artificial, quando o doador não é o marido?
A maioria dos rabinos é contra a inseminação artificial quando o esperma é de outro doador, e não do marido, pois existem neste caso inúmeras complicações religiosas, genéticas, legais, psicológicas e morais.A primeira objeção religiosa provém das palavras de Deus a Abraão (Gênesis 17:7): "Eu serei o teu Deus, e o Deus da tua posteridade depois de ti." A interpretação é que a proteção divina se estende somente àqueles cuja genealogia é conhecida e definida. Mais ainda, existe a preocupação de que, se essa prática se difundir, ela pode acabar conduzindo ao incesto (uma vez que o filho e a filha do mesmo pai, sem saberem do seu parentesco, podem vir a se casar), o que não só contraria as leis do Judaísmo, como também acarreta sérios problemas genéticos. Há também a dúvida se a criança resultante da inseminação é legalmente herdeira do "pai biológico" ou do "pai social", o que daria origem a desavenças familiares e complicações judiciais.Psicologicamente, a inseminação artificial, envolvendo um doador estranho, traz muitos problemas ao casal. A mãe, por mais que ela queira ter seu próprio filho, acaba ficando com um sentimento de culpa, achando que, ao receber o sêmen de um estranho, ela traiu o marido. O marido, por sua vez, sente-se diminuído em sua masculinidade, por não ter desempenhado adequadamente suas funções de homem.Moralmente, o Judaísmo condena este tipo de inseminação artificiai por ser uma prática que leva facilmente a abusos, tais como a utilização do sêmen de doadores física e intelectualmente superdotados, para o "aprimoramento da raça", como já previu Aldous Huxley há 50 anos, em seu livro Admirável Mundo Novo.Visando criar "super-homens", tal reprodução seletiva expõe a sociedade a sérios riscos de promiscuidade e corrupção; e, em última análise, promove a desumanização do homem.
É permitido a um judeu doar seus olhos para um transplante de córnea?
Embora não se trate propriamente de "salvar uma vida", a lei judaica reconhece que a cegueira total constitui indiretamente uma ameaça à vida, pois a falta de visão pode ocasionar um acidente fatal. "O cego é igual ao morto", diz o Talmud Nedarim 64b. Dentro deste contexto, muitos rabinos aprovam o transplante de córnea somente quando o paciente é cego de ambos os olhos.Continuam sendo imprescindíveis neste caso as duas condições mencionadas na resposta anterior: que o doador tenha dado autorização para a remoção da córnea antes de falecer, e que a córnea seja transplantada imediatamente para o receptor cego. Doar os olhos para um "banco de olhos" é considerado válido pela maioria dos rabinos, uma vez que o número de receptores necessitados é suficientemente grande para garantir que a córnea do falecido será usada imediatamente após sua morte.
No caso de um judeu ser acometido de um mal irremediável, será permitida a prática da eutanásia?
Em primeiro lugar, o conceito de "irremediável" é muito relativo. Aquilo que é hoje irremediável, pode amanhã ser curável.Quanto à eutanásia: é importante fazermos uma distinção entre eutanásia ativa e passiva. A eutanásia ativa consiste em administrar uma droga para antecipar a morte. Na eutanásia passiva, a morte é apressada por interrupção do tratamento.O Judaísmo proíbe categoricamente a eutanásia ativa, pois ela é vista como um verdadeiro homicídio. No caso da eutanásia passiva, embora ela não seja livremente permitida, também não é de todo condenada. O Judaísmo afirma incondicionalmente a santidade da vida. Entretanto, quando a vida se torna vegetativa, a "santidade" da mesma pode ser questionada. Em casos extremos, quando o sofrimento inútil está sendo prolongado por meios artificiais... quando a vida nem é mais vida... a eutanásia passiva pode eventualmente ser válida.Na tradição judaica, Deus é considerado o "Supremo Poder de Cura", enquanto que o médico é visto como um agente de Deus a serviço da humanidade. A lei judaica endossa portanto a decisão do médico, que naturalmente depende das circunstâncias específicas de cada caso. Confiando na sua competência profissional e nos ditames da sua consciência, o Judaísmo dá a palavra final ao médico... de preferência, em acordo com o rabino.
Por que a lei judaica não permite o transplante de coração?
A questão do transplante de coração apresenta sérios problemas do ponto de vista judaico. Em primeiro lugar, o coração tem que ser retirado do doador imediatamente após a morte, e nem sempre é fácil determinar o momento preciso da morte. Daí, corre-se o risco de tirar o coração de uma pessoa que talvez ainda teria uma chance de vida. Embora este problema exista em relação a qualquer órgão, no caso do coração ele se torna mais crítico, pois as chances de realizar com êxito um transplante de coração diminuem acentuadamente quando decorre um certo tempo entre a morte do doador e a implantação no receptor.Mais ainda, apesar dos notáveis avanços da Medicina moderna, os transplantes de coração ainda estão num estágio experimental, e os índices de mortalidade do receptor são altos demais para justificar, sob a perspectiva do Judaísmo, o conceito de "salvar uma vida".
Qual a perspectiva judaica sobre o "bebê de proveta"?
A fertilização in vitro levanta as mesmas questões que a inseminação artificial. Ela é autorizada pela maioria dos rabinos, desde que o esperma seja do marido, e que tenha sido comprovado pelos médicos que a mulher apresenta uma deficiência anatômica ou fisiológica que impede a fecundação normal.
Qual a perspectiva judaica sobre os transplantes, quando o órgão a ser transplantado é doado por uma pessoa viva?
A Torá proíbe a auto-mutilação do indivíduo. Ninguém tem, em principio, o direito de arriscar sua própria vida para salvar outra. No entanto, se for comprovado por uma equipe médica que não existe risco de vida para o doador, e se o doador oferecer o órgão de livre e espontânea vontade, sem nenhuma espécie de coação, o transplante é permitido.Obviamente, qualquer cirurgia envolve algum risco. Porém o ponto fundamental é que tal risco seja, na opinião dos médicos, substancialmente menor do que a probabilidade de salvar a vida do receptor. Somente em tais circunstâncias o Judaísmo justifica o transplante.
Os Porquês do Judaísmo - Judeus e Não-Judeus
- Como a comunidade judaica e os rabinos encaram o judeu convertido?
- Como os judeus imaginam a era messiânica?
- Como se explica o fato de muitos judeus terem em sua casa uma árvore de Natal?
- De onde vem o conceito do Messias?
- É verdade que os judeus ainda esperam a chegada do Messias?
- Existem indivíduos que se dizem, ao mesmo tempo, judeus e espiritas. É possível isto?
- Jesus era judeu?
- Na língua portuguesa, há um termo que muitos consideram pejorativo: "judiar" de alguém. O que se pode fazer para eliminar o seu uso?
- Por que as judias ortodoxas banham-se mensalmente na mikvá?
- Por que há judeus que insistem em participar no Movimento Ecumênico, se existem tantas diferenças insuperáveis entre o Judaísmo e as outras religiões?
- Por que os judeus não aceitam Jesus como Filho de Deus?
- Por que os judeus não aceitam os ensinamentos de Jesus?
- Qual a perspectiva judaica sobre a reencarnação?
- Qual a perspectiva judaica sobre o messianismo?
- Qual o significado da mikvá, o banho ritual, para uma moça ou um rapaz que estão se convertendo ao Judaísmo? O que há de especial na água?
- Qual o significado do termo "ger"?
- Qual o status dos cristãos-novos perante a lei judaica?
- Um judeu pode assistir ao casamento de um amigo numa igreja católica?
Como a comunidade judaica e os rabinos encaram o judeu convertido?
Quando a conversão é motivada pela livre e espontânea vontade do indivíduo, quando ela é conseqüência de uma preparação consciente, acompanhada de um compromisso sincero e da firme resolução de observar as Mitzvot - os preceitos, as práticas, as tradições - então o convertido é considerado "autêntico" e é plenamente aceito como membro da comunidade judaica.Quando, entretanto, não existe tal compromisso, tal seriedade de intenções, então a conversão se torna uma farsa, um ato sem sentido. Neste caso, os rabinos não sò desaconselham, como se recusam a consumar a conversão.
Como os judeus imaginam a era messiânica?
A pergunta tem que ser respondida sob duas perspectivas: a ortodoxa e a liberal.os ortodoxos continuam aguardando a vinda de um Messias, sob forma de pessoa, que ao chegar na terra operará muitos milagres: os cegos enxergarão, os surdos ouvirão, os paralíticos andarão, os mortos ressuscitarão. Neste dia não haverá mais sofrimento, nem doença, nem pobreza, nem morte. Dentro da mesma linha de pensamento, os ortodoxos mantêm inalterada a doutrina do Messias como um descendente do Rei David que reinará em Jerusalém e reconstruirá o Templo Sagrado.Para os liberais, por outro lado, a redenção futura não será obra de um único homem, mas sim resultado de um árduo esforço par parte de todos os homens. Somente quando aprendermos a respeitar nossas diferenças e eliminar nossas divisões, somente quando os seres humanos se derem as mãos em busca de algo maior, poderá chegar uma era messiânica na qual reinarão o amor, a fraternidade, a justiça e a paz.
Como se explica o fato de muitos judeus terem em sua casa uma árvore de Natal?
O Natal tomou-se um feriado tão comercializado que é difícil não sentir sua presença. Além do mais, a alegria dessa festa é sem dúvida atraente e contagiante. Entretanto, é preciso ter em mente que o Natal é muito mais do que uma época de enfeitar árvores e dar presentes: é a celebração do nascimento de Jesus, e portanto uma data da mais alta importância religiosa para a cristandade. O judeu que tenta imitar os costumes e as tradições do Natal está não apenas apagando sua identidade judaica, como também está desrespeitando algo de muito sagrado para seus irmãos cristãos.
De onde vem o conceito do Messias?
A palavra "Messias" vem do hebraico Mashiach, que significa "ungido". Nos tempos bíblicos, a unção com óleo santo era um ato de consagração. No sentido original do termo, os "messias" eram pessoas supostamente encarregadas par Deus para cumprir uma missão especial, e sua unção expressava o caráter sagrado do seu cargo. Aliás, o costume da unção com óleo santo persiste até hoje, na coroação de reis e rainhas contemporâneos.Com o passar do tempo, firmou-se entre os judeus a idéia Profética de que Deus faria uma intervenção dramática na história em prol dos seus eleitos, por intermédio de um descendente do Rei David, que libertaria o povo judeu do cativeiro e o restabeleceria na Terra de Israel. A palavra Mashiach passou então a significar "o ungido de Deus", o mensageiro do Todo-Poderoso que traria a redenção, não só para os israelitas, mas sim para toda a raça humana. Com a vinda do Messias, todos os homens enxergariam uma nova luz e passariam a viver de acordo com os Ensinamentos Divinos. Cessariam então a discórdia e a guerra, e a humanidade entraria numa nova era de paz universal.
É verdade que os judeus ainda esperam a chegada do Messias?
De fato, os judeus não reconhecem que o Messias já tenha vindo. E por que? Simplesmente porque as profecias messiânicas nas quais depositamos nossas esperanças não foram cumpridas! A opressão não terminou, a guerra não acabou, o ódio não cessou, a miséria não findou. E, acima de tudo, a tão esperada regeneração espiritual da humanidade certamente não ocorreu.
Existem indivíduos que se dizem, ao mesmo tempo, judeus e espiritas. É possível isto?
Na medida em que o espiritismo é uma religião, ele traz consigo inúmeros preceitos que divergem do Judaísmo. Existe uma injunção bíblica contra qualquer tentativa de entrar em contato com os mortos, com qualquer espirito morto ou vivo. Pouco se sabe sobre os caminhos profundos e misteriosos do espiritismo. Mas uma coisa é certa: métodos duvidosos podem facilmente levar a práticas proibidas. Quem quer obedecer ao mandamento da nossa Torá, "Amarás ao Eterno teu Deus, de todo o coração", não pode ao mesmo tempo buscar a fé nas sessões espiritas, por meio de fenômenos inexplicáveis da psique. O judeu que acredita em Deus, o Deus da Vida, não deve procurar enxergar o Além. Embora ele postule que existe um Olam Habá, um mundo vindouro, ele se preocupa em cumprir suas obrigações para com Deus e para com o homem, aqui e agora. Do lado de cá, e não do lado de lá do túmulo.Religiosamente, teologicamente, filosoficamente – Judaísmo e espiritismo são incompatíveis.
Jesus era judeu?
Certamente! Jesus nasceu de mãe judia, foi circuncidado no oitavo dia, e celebrou sua Bar-Mítzvá de acordo com a tradição judaica. Ele era chamado de "Rabino" e freqüentava o Templo de Jerusalém, junto com seus discípulos. Mais ainda, ele se considerava um judeu fiel às suas origens. A maior parte dos seus ensinamentos derivam das leis e das tradições judaicas com as quais ele se criou. Vários trechos da Torá podem ser apontados como a fonte dos preceitos que Jesus pregou. "Amarás o próximo como a ti mesmo", por exemplo, provém do Livro de Levítico (capitulo 19, versículo l8).
Na língua portuguesa, há um termo que muitos consideram pejorativo: "judiar" de alguém. O que sepode fazer para eliminar o seu uso?
Existe uma dúvida quanto à origem da palavra "judiar". O Novo Dicionário da Língua Portuguesa, da autoria de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, define: "JUDIAR: tratar como antigamente se tratavam os judeus; fazer sofrer, maltratar, atormentar" 1a. edição, página 805).
O significado está claro: não há nada de pejorativo. Não fomos nós que maltratamos. Nós, os judeus, fomos maltratados. E cada vez que usamos a palavra "judiar", estamos conscientizando os outros. O termo não deve ser eliminado. Pelo contrário, é bom que o mundo se lembre do preconceito do passado, para que não o permita no presente e no futuro.
O significado está claro: não há nada de pejorativo. Não fomos nós que maltratamos. Nós, os judeus, fomos maltratados. E cada vez que usamos a palavra "judiar", estamos conscientizando os outros. O termo não deve ser eliminado. Pelo contrário, é bom que o mundo se lembre do preconceito do passado, para que não o permita no presente e no futuro.
Por que as judias ortodoxas banham-se mensalmente na mikvá?
Durante a menstruação, a mulher perde um óvulo não fecundado, uma fonte potencial de vida que não germinou. Portanto, ela traz consigo um vestígio de morte.A água é o símbolo da vida, a própria origem do Universo. Ao mergulhar nas águas da mikvá, a mulher se "purifica" daqueles traços de morte e reafirma a vida.
Por que há judeus que insistem em participar no Movimento Ecumênico, se existem tantas diferenças insuperáveis entre o Judaísmo e as outras religiões?
Participamos no Movimento Ecumênico porque acreditamos que todos os homens são iguais em valor, e todas as religiões visam, em última análise, os mesmos fins: paz, amor, harmonia, compreensão, liberdade, justiça social. Se somos diferentes, somos diferentes apenas no que tange aos meios. Aquilo que nos une supera de longe aquilo que nos divide. Desde que haja respeito mútuo, a fraternidade e o diálogo inter-religioso são possíveis e são frutíferos.Podemos estar longe de atingir nossos objetivos comuns. Mas não importa. A marca do verdadeiro homem não é apenas o que ele realiza, mas sim o que ele aspira realizar. Moisés jamais viu seu sonho realizado, jamais pisou na Terra Prometida. E mesmo assim o chamamos de Moshé Rabeinu, "Moisés nosso Mestre". E por que? Porque ele nos ensinou que apesar dos obstáculos, apesar das frustrações, apesar da incerteza de chegarmos a ver o final feliz - é preciso continuar a sonhar e confiar e lutar.
Por que os judeus não aceitam Jesus como Filho de Deus?
O Judaísmo não reconhece um "Filho de Deus" que se destaca e se eleva acima dos outros seres humanos. A convicção judaica é de que todos os homens são iguais perante Deus, e nenhum mortal pode pretender a divindade. Mesmo Moisés, com quem Deus falou "cara a cara" (como diz metaforicamente a Bíblia), era "o homem Moisés".Os rabinos explicam que toda a raça humana veio de um só homem, Adão, para que ninguém possa dizer que seu pai é superior a qualquer outro. Uma Paternidade Divina, e uma fraternidade humana. Somos todos nós filhos de Deus.
Por que os judeus não aceitam os ensinamentos de Jesus?
Acreditamos que Jesus foi um grande homem, um grande mestre que pregou os ideais universais da fé judaica, um ser humano dotado de grande sensibilidade e percepção. Não aceitamos alguns dos seus ensinamentos, aqueles que são incompatíveis com os preceitos do Judaísmo. Apenas alguns exemplos: Jesus acreditava ter o poder de perdoar os pecados, enquanto que o perdão, sob a perspectiva judaica, pertence somente a Deus. Jesus alegava ter o poder de ressuscitar os mortos, ao passo que os profetas hebreus, quando operavam um milagre, frisavam que o faziam como meros instrumentos de Deus. Jesus louvava a oração solitária, dizendo que só os hipócritas oravam em conjunto. O Judaísmo, por outro lado, ressalta a importância da oração comunal e acentua a condição do indivíduo como um elo na cadeia do seu povo e da humanidade.
Qual a perspectiva judaica sobre a reencarnação?
Reencarnação, por definição, é o processo pelo qual o espirito reassume uma forma material, ou seja, a alma de uma pessoa que faleceu passa para o corpo de outra que está por nascer.A doutrina da reencarnação não é mencionada na Bíblia, nem na literatura rabínica. Apesar disto, os cabalistas - os místicos judeus - acreditavam na transmigração de almas. E seus seguidores, os judeus chassídicos, herdaram até certo ponto essa crença na reencarnação. Existem algumas orações chassídicas que pedem o perdão divino pelos pecados cometidos não só durante a atual existência, mas também nas anteriores.
Entretanto, de um modo geral, a reencarnação não é um elemento essencial da fé judaica.
Entretanto, de um modo geral, a reencarnação não é um elemento essencial da fé judaica.
Qual a perspectiva judaica sobre o messianismo?
A crença na vinda do Messias e a fervorosa expectativa de sua chegada estão firmemente incorporadas no pensamento judaico. O judeu carrega dentro de si uma intensa e profunda convicção de que existirá de fato uma era messiânica. Esta crença tem nos dado força e coragem para enfrentar as adversidades sofridas pelo nosso povo através dos tempos.O Judaísmo seguramente deve sua sobrevivência, em grande parte, a essa esperança infinita num futuro messiânico.O messianismo judaico, apesar de suas conotações espirituais e místicas, é essencialmente pragmático e voltado para a ação - aqui e agora. Nossas aspirações messiânicas não são meros sonhos; são objetivos concretos que nos incentivam a trabalhar ativamente por um mundo melhor, um mundo no qual reinarão os valores morais e éticos da nossa tradição. Nós judeus achamos que sejam quais forem os aspectos espirituais e cósmicos da salvação, ela tem que estar inserida no contexto histórico, político e social da realidade em que vivemos.E importante ressaltar que embora acreditamos fielmente na vinda do Messias, essa crença não é um elemento intrínseco, uma condição sine qua non da fé judaica. Ao contrário da doutrina cristã, que é inconcebível sem o Messias, no Judaísmo o Messias é uma idéia acrescentada posteriormente, e não um principio fundamental em si. As antologias rabínicas e a liturgia judaica frisam que o autor da redenção não é o Messias, mas sim Deus. O Messias é apenas um instrumento através do qual se manifestará a soberania de Deus e se estabelecerá o Reino Divino na terra.
Qual o significado da mikvá, o banho ritual, para uma moça ou um rapaz que estão se convertendo ao Judaísmo? O que há de especial na água?
A palavra "mikvá" significa uma acumulação de água natural, tal como um rio ou um lago. Atualmente, a mikvá é construída como uma piscina interna, e suas águas não têm nada de mágico ou misterioso. Simplesmente água natural, limpa, aquecida a uma temperatura agradável.Nos tempos bíblicos, a mikvá era usada por homens e mulheres para eliminar "impurezas". No entanto, é importante frisar que a imersão na mikvá não é para os fins de higiene física. É um ato de significado puramente espiritual.Quando um indivíduo se converte ao Judaísmo, ele participa desse ritual. A água é um símbolo de vida. Assim como o nascimento físico provém do liquido amniótico no ventre materno, assim também o nascimento espiritual, isto é, a conversão, associa-se às águas purificadoras que marcam um nova começo.
Qual o significado do termo "ger"?
"Ger" significa literalmente "forasteiro", e se refere a uma pessoa que nasce de mãe não judia e posteriormente se converte ao Judaísmo.Neste contexto, "ger" não implica na verdade "estrangeiro", mas sim um "recém-chegado", alguém que se associa aos judeus por livre e espontânea vontade, e é acolhido de braços abertos entre eles. Importante: uma vez que ele se torna um ger, ele deixa de ser um estrangeiro e passa a ser um pleno participante da Comunidade Judaica, compartilhando com todos os judeus um mesmo legado e um mesmo destino.
Qual o status dos cristãos-novos perante a lei judaica?
Cristãos-novos são aqueles judeus, especialmente da Espanha e Portugal (também chamados "Marranos"), que foram obrigados a se converter ao catolicismo durante a Inquisição e outras perseguições, embora freqüentemente continuassem a praticar o Judaísmo em segredo. Muitos deles se asilaram no Brasil, principalmente no norte do pais.Quanto ao seu status perante a comunidade judaica: a lei afirma que quem nasce de mãe judia é judeu. Portanto, enquanto a ascendência materna for judaica, os descendentes permanecem judeus através das gerações. Assim sendo, quando um cristão-novo deseja voltar formalmente ao Judaísmo, seria ilegal exigir que ele se convertesse, pois isto implicaria que sem tal conversão ele não é judeu.Entretanto, embora não seja exigida uma conversão formal, é costume submeter os cristãos-novos a alguma espécie de ritual para assinalar seu "regresso" à comunidade judaica. Isto é feito simbolicamente através de uma promessa de chaverut, lealdade ao Judaísmo. Uma vez que eles foram criados dentro do Cristianismo, é necessário que se comprometam a estudar as doutrinas e as práticas judaicas, e afirmem sua disposição de cumprir os mandamentos do Judaísmo.
Um judeu pode assistir ao casamento de um amigo numa igreja católica?
De acordo com os rabinos ortodoxos, não. De acordo com os liberais, sim, sob a condição de que o judeu seja apenas um espectador e não um participante na cerimônia.
Os Porquês do Judaísmo - Leis Alimentares
- O que é comida kasher?
- O que qualifica um vinho como kasher?
- O que são alimentos parve?
- Por que os judeus compram carne em açougues especiais?
- Por que os judeus não comem camarões?
- Por que os judeus não comem carne de porco?
- Por que se recita uma bênção após as refeições?
- Qual a razão fundamental das leis de kashrut?
- que é comida kasher?
O termo "kasher" significa genericamente "apropriado para o uso ou consumo". Mais especificamente, denota um alimento permitido pela lei judaica.Em contraste, designam-se por treifá os alimentos proibidos.Todas as leis alimentares judaicas (leis de kashrut) derivam de preceitos bíblicos, a maior parte dos quais são enumerados no capítulo 11 do Livro de Levítico.
O que qualifica um vinho como kasher?
Em primeiro lugar, todos os indivíduos que trabalham na produção do vinho, desde a extração do suco das uvas até o engarrafamento, devem ser judeus observantes. As uvas só podem ser colhidas da videira no quarto ano de vida da planta, assegurando assim a produtividade futura da mesma. No final da colheita, um por cento da safra de uvas tem que ser jogado fora, como uma recordação simbólica da dízima na época do Templo.
Todo o processo de fabricação é supervisionado por um mashgiach, um inspetor religioso.
Todo o processo de fabricação é supervisionado por um mashgiach, um inspetor religioso.
O que são alimentos parve?
São alimentos "neutros", tais como frutas, verduras, peixes e ovos, os quais podem ser servidos tanto com carne quanto com laticínios.
Por que os judeus compram carne em açougues especiais?
A Torá reconhece implicitamente que o ideal seria o vegetarianismo. No Jardim do Éden, que é a representação bíblica da Utopia, o homem devia alimentar-se exclusivamente de frutos e vegetais. Mais tarde, numa espécie de compromisso realista com o ideal vegetariano, a Torá permitiu o consumo de carne, limitando porém o número de animais que poderiam ser consumidos. Ao mesmo tempo, o Judaísmo estabeleceu leis específicas para o abate do animal, visando evitar-lhe qualquer sofrimento desnecessário.O abate é feito por um profissional especializado, o shochet, segundo um ritual prescrito, a fim de que a morte do animal seja a mais rápida e mais indolor possível.Mais ainda, a Torá proíbe o consumo do sangue dos animais e aves, "porque a alma de todo ser vivo está no sangue" (Levítico 17:11). Portanto, todo o sangue tem que ser extraído da carne antes do cozimento. Isto pode ser feito em casa, porém envolve um processo bastante trabalhoso e rigoroso: a carne tem que ser lavada, posta de molho por certo tempo, depois esfregada com sal grosso e finalmente enxaguada. Os açougues especializados já vendem a carne pronta para o cozimento.
Por que os judeus não comem camarões?
"Entre os animais que vivem na água, eis os que podereis comer: todos aqueles que têm barbatanas e escamas" (Levítico 11:9). Excluem-se portanto todos os crustáceos e moluscos.
Por que os judeus não comem carne de porco?
A proibição está claramente expressa no capítulo 11 do Levítico: "Entre todos os animais da terra, eis os que podereis comer: aqueles que têm os cascos fendidos e que ruminam (...) O porco, que tem os cascos fendidos, mas não rumina, é impuro."
Por que se recita uma bênção após as refeições?
A lei tem origem no Livro de Deuteronômio "Quando comeres e estiveres saciado, louvarás ao Senhor teu Deus." Expressamos nossa gratidão a Deus por tudo que Ele nos deu.Na verdade, a bênção após as refeições (Birkat HaMazon) é composta de quatro partes. Primeiro, agradecemos a Deus por nos dar os meios básicos de subsistência física, mesmo nas circunstâncias mais adversas. Segundo, agradecemos a terra que Ele deu ao Povo de Israel para que possamos extrair do nosso próprio solo os alimentos que necessitamos - ressaltando assim o elemento de segurança e dignidade. Terceiro, agradecemos a Deus por nos alimentar não só fisicamente, mas também espiritualmente, e pedimo-Lhe que reconstrua a Cidade Santa. E, finalmente, expressamos nossa gratidão pela Sua bondade que nos permite superar quaisquer calamidades.
Qual a razão fundamental das leis de kashrut?
Uma das interpretações mais deturpadas sobre as leis de kashrut é que elas foram instituídas como medida sanitária. Assim, por exemplo, a carne de porco teria sido proibida porque ela pode transmitir a triquinose. Isto não é verdade.A própria Torá explica, em linguagem simples e direta, a razão das leis alimentares: "Pois Eu sou o Senhor, vosso Deus. Vós vos santificareis (...) e não vos contaminareis (...) Sereis santos porque Eu sou santo" (Levítico 11:44-45).Os rabinos da era talmúdica frisavam que não hà nada de errado, do ponto de vista biológico e sanitário, com os alimentos não-kasher. O judeu tem que se abster de comê-los, não porque façam mal à saúde, mas sim porque a lei divina é suprema, mesmo que esteja além dos limites da compreensão humana.A única razão para as leis de kashrut é o conceito ético de santidade, E a santidade pode e deve ser ressaltada mesmo nos aspectos mais mundanos do dia-a-dia. Nenhum ato é insignificante. Cada vez que preparamos ou comemos um alimento kasher, estamos aprendendo algo sobre a reverência pela vida. Quando ingerimos um pedaço de carne kasher, conscientizamo-nos que o animal é uma criatura de Deus e que a morte dessa criatura não pode ser tomada com leviandade, pois todo ser vivo traz dentro de si uma centelha divina.Isto é Kedushá, santidade: "Farás da tua mesa um altar ao Senhor" (Talmud Brachot 55a).
Os Porquês do Judaísmo - Leis Alimentares
- O que é comida kasher?
- O que qualifica um vinho como kasher?
- O que são alimentos parve?
- Por que os judeus compram carne em açougues especiais?
- Por que os judeus não comem camarões?
- Por que os judeus não comem carne de porco?
- Por que se recita uma bênção após as refeições?
- Qual a razão fundamental das leis de kashrut?
O que é comida kasher?
O termo "kasher" significa genericamente "apropriado para o uso ou consumo". Mais especificamente, denota um alimento permitido pela lei judaica.Em contraste, designam-se por treifá os alimentos proibidos.Todas as leis alimentares judaicas (leis de kashrut) derivam de preceitos bíblicos, a maior parte dos quais são enumerados no capítulo 11 do Livro de Levítico.
O que qualifica um vinho como kasher?
Em primeiro lugar, todos os indivíduos que trabalham na produção do vinho, desde a extração do suco das uvas até o engarrafamento, devem ser judeus observantes. As uvas só podem ser colhidas da videira no quarto ano de vida da planta, assegurando assim a produtividade futura da mesma. No final da colheita, um por cento da safra de uvas tem que ser jogado fora, como uma recordação simbólica da dízima na época do Templo.
Todo o processo de fabricação é supervisionado por um mashgiach, um inspetor religioso.
Todo o processo de fabricação é supervisionado por um mashgiach, um inspetor religioso.
O que são alimentos parve?
São alimentos "neutros", tais como frutas, verduras, peixes e ovos, os quais podem ser servidos tanto com carne quanto com laticínios.
Por que os judeus compram carne em açougues especiais?
A Torá reconhece implicitamente que o ideal seria o vegetarianismo. No Jardim do Éden, que é a representação bíblica da Utopia, o homem devia alimentar-se exclusivamente de frutos e vegetais. Mais tarde, numa espécie de compromisso realista com o ideal vegetariano, a Torá permitiu o consumo de carne, limitando porém o número de animais que poderiam ser consumidos. Ao mesmo tempo, o Judaísmo estabeleceu leis específicas para o abate do animal, visando evitar-lhe qualquer sofrimento desnecessário.O abate é feito por um profissional especializado, o shochet, segundo um ritual prescrito, a fim de que a morte do animal seja a mais rápida e mais indolor possível.Mais ainda, a Torá proíbe o consumo do sangue dos animais e aves, "porque a alma de todo ser vivo está no sangue" (Levítico 17:11). Portanto, todo o sangue tem que ser extraído da carne antes do cozimento. Isto pode ser feito em casa, porém envolve um processo bastante trabalhoso e rigoroso: a carne tem que ser lavada, posta de molho por certo tempo, depois esfregada com sal grosso e finalmente enxaguada. Os açougues especializados já vendem a carne pronta para o cozimento.
Por que os judeus não comem camarões?
"Entre os animais que vivem na água, eis os que podereis comer: todos aqueles que têm barbatanas e escamas" (Levítico 11:9) Excluem-se portanto todos os crustáceos e oluscos.
Por que os judeus não comem carne de porco?
A proibição está claramente expressa no capítulo 11 do Levítico: "Entre todos os animais da terra, eis os que podereis comer: aqueles que têm os cascos fendidos e que ruminam (...) O porco, que tem os cascos fendidos, mas não rumina, é impuro."
Por que se recita uma bênção após as refeições?
A lei tem origem no Livro de Deuteronômio "Quando comeres e estiveres saciado, louvarás ao Senhor teu Deus." Expressamos nossa gratidão a Deus por tudo que Ele nos deu.Na verdade, a bênção após as refeições (Birkat HaMazon) é composta de quatro partes. Primeiro, agradecemos a Deus por nos dar os meios básicos de subsistência física, mesmo nas circunstâncias mais adversas. Segundo, agradecemos a terra que Ele deu ao Povo de Israel para que possamos extrair do nosso próprio solo os alimentos que necessitamos - ressaltando assim o elemento de segurança e dignidade. Terceiro, agradecemos a Deus por nos alimentar não só fisicamente, mas também espiritualmente, e pedimo-Lhe que reconstrua a Cidade Santa. E, finalmente, expressamos nossa gratidão pela Sua bondade que nos permite superar quaisquer calamidades.
Qual a razão fundamental das leis de kashrut?
Uma das interpretações mais deturpadas sobre as leis de kashrut é que elas foram instituídas como medida sanitária. Assim, por exemplo, a carne de porco teria sido proibida porque ela pode transmitir a triquinose. Isto não é verdade.A própria Torá explica, em linguagem simples e direta, a razão das leis alimentares: "Pois Eu sou o Senhor, vosso Deus. Vós vos santificareis (...) e não vos contaminareis (...) Sereis santos porque Eu sou santo" (Levítico 11:44-45).Os rabinos da era talmúdica frisavam que não hà nada de errado, do ponto de vista biológico e sanitário, com os alimentos não-kasher. O judeu tem que se abster de comê-los, não porque façam mal à saúde, mas sim porque a lei divina é suprema, mesmo que esteja além dos limites da compreensão humana.A única razão para as leis de kashrut é o conceito ético de santidade, E a santidade pode e deve ser ressaltada mesmo nos aspectos mais mundanos do dia-a-dia. Nenhum ato é insignificante. Cada vez que preparamos ou comemos um alimento kasher, estamos aprendendo algo sobre a reverência pela vida. Quando ingerimos um pedaço de carne kasher, conscientizamo-nos que o animal é uma criatura de Deus e que a morte dessa criatura não pode ser tomada com leviandade, pois todo ser vivo traz dentro de si uma centelha divina.Isto é Kedushá, santidade: "Farás da tua mesa um altar ao Senhor" (Talmud Brachot 55a).
Os Porquês do Judaísmo - Pessach
- É verdade que a obrigação de comer matzá em Pessach se restringe à primeira noite do feriado?
- Existe alguma relação entre a Páscoa judaica e a Páscoa cristã?
- O que é a Hagadá?
- O que é afikoman?
- O que é bedikat chametz e biur chametz?
- O que é beitzá?
- O que é charosset?
- O que é karpas?
- O que é maror?
- O que é matzá?
- O que é o Seder?
- O que é zeroá?
- O que se comemora em Pessach?
- Por que a pessoa que conduz o Seder senta-se numa poltrona com uma almofada?
- Por que alguns judeus comem arroz durante Pessach e outros não?
- Por que as crianças têm que fazer certas perguntas durante o Seder?
- Por que cada participante toma quatro copos de vinho durante o Seder?
- Por que é proibido comer pão e produtos fermentados durante Pessach?
- Por que muitas comunidades judaicas incluem ovos cozidos mergulhados em água salgada como primeiro prato da ceia do Seder?
- Por que não se pode comer matzá nas horas que antecedem a ceia festiva da primelra noite de Pessach?
- Por que o feriado de Pessach dura sete dias em Israel e oito na Diáspora?
- Por que o feriado de Pessach é também chamado "Festa dos Pães Ázimos"?
- Por que o feriado é popularmente chamado de Pessach, se a Torá sempre se refere a Chag HaMatzot?
- Por que se coloca na mesa do Seder uma taça adicional, da qual ninguém bebe?
- Por que se colocam três matzot inteiras na mesa do Seder?
- Por que se faz uma limpeza geral nos lares judaicos antes de Pessach?
- Por que se mergulha o dedo na taça de vinho em certo momento da leitura da Hagadá?
- Por que se troca toda a louça em Pessach?
- Por que se usa água salgada na mesa do Seder?
- Quais são as comidas simbólicas que fazem parte do Seder?
- Qual o significado contemporâneo da celebração do Seder?
- Qual o significado histórico da matzá que comemos em Pessach?
É verdade que a obrigação de comer matzá em Pessach se restringe à primeira noite do feriado?
Uma vez que a Torá nos ordena comer matzá "para te lembrares durante toda a tua vida do dia em que partiste" (Deuteronômio 16:3), os rabinos interpretam que é obrigatório comer matzá apenas na primeira noite de Pessach, que corresponde à noite da fuga do Egito. Nos outros dias do feriado, é optativo - desde que não se coma chametz, é claro.
Existe alguma relação entre a Páscoa judaica e a Páscoa cristã?
Existem alguns paralelos significativos entre os dois feriados. Ambos comemoram a redenção: Pessach celebra a redenção de um povo, enquanto a Páscoa comemora a redenção e ressurreição de um homem. Ambas ressaltam a liberdade: Pessach - um povo libertando-se do cativeiro; Páscoa - um homem libertando-se do pecado e da morte.
O que é a Hagadá?
A Hagadá ("narrativa") é o livro que lemos durante o Seder. Ele conta a história do Êxodo e contém toda a seqüência de rituais que são observados naquela noite. Existem inúmeras edições da Hagadá, em hebraico e traduções. Cada participante deve ter consigo um exemplar, para que possa acompanhar o desenrolar do relato histórico e envolver-se ativamente em todos os passos da celebração.
O que é afikoman?
A origem da palavra é incerta. Segundo alguns, vem de um termo grego que significa "sobremesa". De acordo com a tradição, o Seder só pode terminar quando todos os participantes tiverem comido um pedaço do afikoman, aquela metade de matzá reservada logo no início da ceia.Existe um antigo costume que atrai especialmente o interesse das crianças. Em algum momento durante o Seder, o líder esconde o afikoman embrulhado num guardanapo, e no final as crianças têm que descobrir o esconderijo. Aquela que achar o afikoman recebe um prêmio. Em algumas famílias, são as crianças que escondem o afikoman, e o líder tem que resgatá-lo em troca de um presente.
O que é bedikat chametz e biur chametz?
Bedikat chametz é o ritual de procura do fermento que se realiza na noite anterior ao início de Pessach. Trata-se de uma procura simbólica, uma vez que a esta altura a casa já está completamente limpa e todos os alimentos fermentados já foram eliminados.Os pais colocam então algumas migalhas de pão em certos lugares da casa, e as crianças procuram o chametz, levando consigo uma vela, para poderem enxergar até os cantos mais escuros. Com a ajuda de uma pena e uma colher de pau, todas as migalhas são coletadas e na manhã seguinte são queimadas fora de casa (biur charnetz, a queima do fermento).
O que é beitzá?
Beitzá é um ovo cozido e queimado, representando a oferenda festiva que era levada ao Templo em Pessach. É também um símbolo de luto pela perda dos dois Templos em Jerusalém.
O que é charosset?
Charosset é uma mistura de maçãs raladas, nozes moídas, vinho tinto e canela, representando a argila com que nossos antepassados executavam os serviços de construção para o Faraó. O charosset representa também a argamassa que será usada para a reconstrução do Templo na era messiânica; em sinal desta alegria, a mistura é doce.
O que é karpas?
Karpas são ramos de salsa, salsão, ervas verdes ou qualquer verdura, simbolizando o renascimento da natureza na primavera, a esperança de libertação que se renova após o inverno da opressão. Alguns usam batatas cozidas.
O que é maror?
Maror são ervas amargas que comemos em Pessach para relembrar a amargura da escravidão no Egito. Geralmente usam-se pedaços de raiz-forte.
O que é matzá?
Matzá, o alimento básico durante Pessach, é um "pão ázimo", uma espécie de bolacha não-fermentada feita de farinha de trigo e água. O processo de fabricação é cuidadosamente controlado, e o tempo total de preparo não pode exceder 18 minutos, a fim de garantir que não tenha início a fermentação da massa. As perfurações feitas na matzá antes de ela ser colocada no forno impedem a formação de bolhas de ar e o crescimento da massa. Depois de assada, a matzá não corre mais perigo de fermentação. Portanto, ela pode ser consumida sob qualquer forma, inclusive triturada em "farinha de matzá", a qual é utilizada no preparo de bolos, etc.
O que é o Seder?
O Seder é a celebração na primeira noite de Pessach. É uma cerimônia singular que reúne, de forma dinâmica e expressiva, rituais religiosos e uma ceia festiva. Na Diáspora, onde o feriado tem um dia a mais, os judeus observantes realizam o Seder nas duas primeiras noites de Pessach.A palavra "Seder" significa "ordem"; de fato, a cerimônia segue uma ordem preestabelecida pela lei e pela tradição judaicas.A Torá ordena: "Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o com uma festa em honra do Senhor, de geração em geração, como uma instituição perpétua (...) porque foi naquele dia que vos tirei do Egito" (Êxodo 12:14,17). A idéia básica do Seder é a obrigação de cada judeu de reviver e recriar a experiência dos seus antepassados na noite em que partiram do Egito. Todos os rituais e comidas simbólicas do Seder têm como intenção ajudar-nos a vivenciar o sofrimento e a redenção dos nossos ancestrais.
O que é zeroá?
Zeroá é um osso de perna assado e chamuscado, representando o cordeiro pascal que era oferecido como sacrifício na época do Templo. O osso simboliza também o "braço estendido" (Êxodo 6:6) com o qual o Todo-Poderoso libertou os israelitas do cativeiro no Egito. Em alguns lares, utiliza-se um pescoço de frango.
O que se comemora em Pessach?
Pessach, a Páscoa judaica, comemora a libertação dos filhos de Israel após mais de dois séculos de cativeiro no Egito: sua miséria e sofrimento, a divina missão confiada a Moisés e seu irmão Aarão, os incansáveis esforços de ambos para conseguirem libertar seu povo da opressão, a obstinada resistência do Faraó, as pragas que Deus lançou sobre os egípcios para que o Faraó permitisse a saída dos israelitas, e finalmente sua partida do Egito.
O Êxodo do Egito tornou-se o ponto central da história judaica, pois cristalizou nossa identidade nacional e marcou o nascimento dos judeus como um povo livre.
O Êxodo do Egito tornou-se o ponto central da história judaica, pois cristalizou nossa identidade nacional e marcou o nascimento dos judeus como um povo livre.
Por que a pessoa que conduz o Seder senta-se numa poltrona com uma almofada?
O "líder" do Seder, aquele que vai conduzir a cerimônia, senta-se numa poltrona confortável que tenha uma almofada como encosto, para que ele possa se reclinar. De acordo com o Talmud, esta postura é a marca do homem livre, em contraste aos escravos, que sempre comiam às pressas e de pé.
Por que alguns judeus comem arroz durante Pessach e outros não?
Diversos grãos - tais como arroz, feijão, milho, kasha, ervilhas e lentilhas -, embora não sejam classificados como chametz pela definição bíblica, são considerados proibidos pelos judeus ashkenazim, devido à sua semelhança com o verdadeiro chametz. Os sefardim, por outro lado, não aceitam como válida essa proibição pós-bíblica, preferindo ater-se à classificação original.
Por que as crianças têm que fazer certas perguntas durante o Seder?
Despertar o entusiasmo e a curiosidade dos mais jovens é um traço fundamental da comemoração de Pessach. Muitos dos rituais têm como objetivo principal estimular as crianças a perguntarem: "Por que esta noite é diferente de todas as noites?" Na verdade, esta clássica pergunta da Hagadá, "Ma nishtaná?", surgiria espontaneamente mesmo que não fizesse parte do texto. A Torá ressalta diversas vezes a importância deste diálogo entre pais e filhos no contexto de Pessach: "E quando teu filho te perguntar mais tarde: Que são estes mandamentos, estas leis e estes preceitos que o Senhor, nosso Deus, nos ordenou? Tu lhe responderás: Éramos escravos do Faraó no Egito, e o Senhor nos libertou com Sua mão poderosa" (Deuteronômio 6:20-21).
Por que cada participante toma quatro copos de vinho durante o Seder?
O vinho é um elemento indispensável na celebração do Seder, um símbolo de júbilo. O copo de cada participante é enchido quatro vezes durante a cerimônia, representando um "brinde" às quatro promessas de redenção feitas por Deus aos israelitas: "Eu vos libertarei do jugo dos egípcios e vos livrarei da servidão. Eu vos redimirei com o braço estendido (...) e vos tomarei por Meu povo" (Êxodo 6:6-7).
Por que é proibido comer pão e produtos fermentados durante Pessach?
A Bíblia diz: "Comereis pão sem fermento (matzá) durante sete dias (...) pois quem comer pão fermentado (chametz), desde o primeiro dia até o sétimo, será cortado da assembléia de Israel" (Êxodo 12:15).Chametz é qualquer alimento que contenha como ingrediente grãos de trigo, centeio, cevada, aveia ou espelta - os quais estão sujeitos a um processo de fermentação quando entram em contato com água. Portanto, existem diversas restrições quanto à alimentação em Pessach. Não só se exclui todo tipo de pão, biscoito, bolo, massa, etc., à base de farinha, como também os judeus mais observantes se abstêm de alimentos enlatados, engarrafados ou industrialmente processados, a não ser que tragam um certificado de "Kasher para Pessach", concedido por uma autoridade rabínica. Isto porque, mesmo que o conteúdo não seja chametz em si, pode ter havido alguma contaminação durante a fabricação ou embalagem.Ovos, verduras e frutas frescas não requerem nenhum atestado especial, assim como carnes, peixes e aves (obviamente, desde que sejam kasher, próprios para o consumo de acordo com a lei judaica).
Por que muitas comunidades judaicas incluem ovos cozidos mergulhados em água salgada como primeiro prato da ceia do Seder?
Assim como o ovo vira de um lado para o outro, assim também o povo judeu passou "da escravidão à liberdade, da tristeza à alegria" (Hagadá).Outra interpretação sobre este costume é que, enquanto a maior parte dos alimentos ficam mais moles quanto mais tempo são cozidos, o ovo fica mais duro com o cozimento. Também o judeu possui essa característica: quanto mais ele é perseguido, mais firme ele se toma em sua devoção a Deus e à Torá.
Por que não se pode comer matzá nas horas que antecedem a ceia festiva da primelra noite de Pessach?
A partir das 9:30 da manhã do 14.° dia do mês de Nissan, é proibido ingerir chametz, embora o feriado propriamente dito só tenha inicio à noite. A tentação natural seria comer matzá durante o dia. Porém, a lei judaica não o permite. Os rabinos do Talmud fazem uma linda analogia: assim como os noivos só podem ter relações íntimas após a cerimônia do casamento, durante a qual são recitadas sete bênçãos, assim também só podemos comer matzá depois de recitar as sete bênçãos iniciais durante o Seder, a ceia festiva na primeira noite de Pessach. E por que? Para aumentar a expectativa, para tornar maior o impacto, para conscientizar-nos do profundo significado histórico e ritual da matzá.
Reforçando esta idéia, alguns judeus se abstém de comer matzá durante todo o mês que antecede Pessach.
Reforçando esta idéia, alguns judeus se abstém de comer matzá durante todo o mês que antecede Pessach.
Por que o feriado de Pessach dura sete dias em Israel e oito na Diáspora?
A duração do feriado, de acordo com a Bíblia, é de sete dias. Acontece que o calendário judaico é lunar e, nos tempos remotos, o início do novo mês (isto é, o primeiro dia de Lua Nova) era oficialmente anunciado em Israel por testemunhas oculares e a informação era transmitida para as outras regiões por meio de mensageiros. Muitas vezes, as distâncias entre Israel e os países da Diáspora eram grandes, e quando se anunciava a Lua Nova fora de Israel, pairava sempre uma dúvida se já havia ou não transcorrido um dia desde que a mesma tinha sido vista em Jerusalém.Por esta razão, acrescentou-se um dia a mais, chamado yom tov sheini shel Galuyot (literalmente, "o dia extra do feriado na Diáspora"), a fim de evitar que o dia certo do feriado fosse involuntariamente profanado.O mesmo ocorreu com Shavuot e Sukot.
Por que o feriado de Pessach é também chamado "Festa dos Pães Ázimos"?
Originalmente, a Páascoa judaica era dois feriados distintos: Chag HaPessach, a Festa do Cordeiro Pascal, e Chag HaMatzot, a Festa dos Pães Ázimos, ambos os quais eram observados muito antes das traumáticas experiências dos judeus no Egito.Nos tempos antigos, quando a maioria dos hebreus vivia no deserto como pastores nômades, as famílias judaicas celebravam a chegada da primavera oferecendo um sacrifício (Pessach, o cordeiro pascal). Mais tarde, instituiu-se um outro feriado na primavera, de caráter agrícola: Chag HaMatzot, quando os lavradores na Palestina comemoravam o início da colheita de trigo desfazendo-se de toda massa fermentada.Com o tempo, estas duas festas associaram-se a outro evento que ocorreu na primavera: o Êxodo do Egito. Chag HaPessach foi identificado com o fato de Deus ter "passado por cima" (passach em hebraico) das casas dos israelitas, poupando-os da décima praga, a morte dos primogênitos egípcios. Por outro lado, Chag HaMatzot foi relacionado com o fato de que os judeus, em sua fuga apressada do Egito, não tiveram tempo de esperar a massa crescer, e assaram pães ázimos com a massa não-fermentada.
Por que o feriado é popularmente chamado de Pessach, se a Torá sempre se refere a Chag HaMatzot?
O Rabino Levi Isaac de Berdichev nos dá uma bela explicação. Num verdadeiro relacionamento de amor, tal como existe entre Deus e o povo judeu, cada um só pensa em enaltecer o outro. Referindo-se à festa pelo nome de Pessach, o judeu dirige louvores a Deus por ter poupado os primogênitos hebreus. E Deus, quando fala da "Festa dos Pães Ázimos", está louvando os filhos de Israel por cumprirem Seus mandamentos.
Por que se coloca na mesa do Seder uma taça adicional, da qual ninguém bebe?
A taça adicional, geralmente de ouro ou prata, fica simbolicamente reservada para o Profeta Elias, arauto da redenção. Diz a tradição que durante o Seder, Elias visita todo lar judaico. Num determinado momento da ceia, enchemos o copo de Elias e as crianças abrem a porta da casa para que ele possa entrar. Demonstramos assim nosso anseio pela chegada da Era Messiânica, quando prevalecerão a harmonia, a paz e a compreensão entre todos os povos.
Por que se colocam três matzot inteiras na mesa do Seder?
Na mesa do Seder, três matzot inteiras são dispostas uma sobre a outra num estojo especial com três divisões, ou então envoltas cada uma num guardanapo. Uma delas será partida ao meio, sendo que uma das metades será reservada para o afikoman no final do Seder (veja pergunta seguinte). Sobre as outras duas será recitada a bênção do pão, assim como tradicionalmente são necessários dois filões inteiros para a bênção sobre o pão no Shabat e outros feriados.Alguns dizem que as três matzot representam os três grupos de judeus: Kohen, Levi e Israel.
Por que se faz uma limpeza geral nos lares judaicos antes de Pessach?
A Bíblia diz que durante o feriado de Pessach não só é proibido comer chametz, como também nenhum produto fermentado deve ser encontrado nos lares judaicos. Por esta razão, Pessach é precedido por um período de intensa atividade. Para que não permaneça nenhum vestígio de chametz na casa, realiza-se uma meticulosa limpeza geral, principalmente na cozinha. Mesmo a geladeira, a pia, o forno e o fogão têm que ser devidamente lavados e revestidos de acordo com certas normas prescritas.Segundo a Cabalá, a doutrina mística judaica, o fermento representa as imperfeições morais e as tendências negativas do ser humano. Assim como a massa se enche de ar e cresce, assim também o homem se enche de vaidade vazia. O verdadeiro sentido da eliminação de produtos fermentados nas vésperas de Pessach é uma purificação espiritual do coração e da alma.
Por que se mergulha o dedo na taça de vinho em certo momento da leitura da Hagadá?
É costume em alguns lares mergulhar um dedo na taça de vinho quando se pronuncia o nome de cada uma das Dez Pragas, retirando-o em seguida e despejando fora uma gota de cada vez. O uso do dedo provém da frase dita pelos mágicos do Faraó quando se viram incapazes de reproduzir os feitos de Moisés e tiveram de admitir que era "o dedo de Deus" que realizara estes milagres (Êxodo 8:19).Alguns dizem que as gotas de vinho retiradas do copo da alegria são nossa expressão de tristeza pelo sofrimento que cada uma das pragas causou ao povo egípcio.
Por que se troca toda a louça em Pessach?
O uso de utensílios nos quais se preparou ou serviu chametz é proibido durante Pessach, a não ser que sejam feitos de um material não-poroso e não-absorvente (por exemplo, "pyrex" e certos metais). Neste caso, eles podem ser "purificados" se forem deixados de molho em água quente por um tempo determinado e depois escrupulosamente areados, a fim de garantir a remoção de todas as partículas de chametz. Para facilitar, muitos lares judaicos mantêm jogos separados de panelas, pratos e talheres para serem usados exclusivamente durante o feriado.
Por que se usa água salgada na mesa do Seder?
A água salgada, na qual mergulhamos as ervas verdes, simboliza as lágrimas derramadas pelos israelitas escravizados no Egito.
Quais são as comidas simbólicas que fazem parte do Seder?
Existem pequenas divergências entre as autoridades rabínicas quanto às comidas simbólicas, e os costumes variam ligeiramente conforme a comunidade. A relação abaixo é adotada com maior freqüência:1)zeroá2) beitzá3)maror4)karpas5)charosset6)água salgada As comidas simbólicas são colocadas num prato especial de Seder com seis divisões, ou então numa travessa comum.
qual o significado contemporâneo da celebração do Seder?
No Seder, apagam-se as barreiras do tempo, desaparece o choque entre as gerações. Cada judeu, moço ou velho, torna-se um contemporâneo de Moisés. Comemos o pão da aflição, provamos a amargura da escravidão, brindamos à promessa da redenção. É este intenso reviver do passado que ilumina e enriquece o presente. Ao comemorarmos a libertação do povo judeu do cativeiro no Egito, identificamo-nos com todos os oprimidos de ontem e de hoje.O conceito de liberdade é importante demais para ser esquecido. Cada geração tem o dever de transmitir aos seus filhos a história e a mensagem do Êxodo. Enquanto houver homens escravizados em alguma parte da terra, enquanto alguns estiverem padecendo sob o jugo de um faraó contemporâneo, enquanto os direitos humanos de alguns estiverem sendo violados, ninguém pode se considerar livre. Pessach é uma perpétua motivação, um apelo ao coração e à consciência de toda a humanidade.
Qual o significado histórico da matzá que comemos em Pessach?
No Livro do Êxodo está escrito: "E levaram sua massa antes que tivesse fermentado (...) e assaram pães ázimos da massa que levaram do Egito (...) porque foram expulsos do Egito e não puderam deter-se nem preparar quaisquer provisões" (Êxodo 12:34,39). Ao comermos matzá, recordamos vividamente a fuga do Egito.Além disto, a Bíblia se refere à matzá como "lechem oni": o pão dos pobres, o pão da aflição. Comendo matzà, lembramos este pão da miséria que nossos antepassados comeram na terra do Egito, e conscientizamo-nos do sofrimento de todos os desprivilegiados em nossos dias.
Os Porquês do Judaísmo - Rosh Chodesh e Feriados Bïblicos
- Como se explica um "Ano Novo das Árvores" quando ainda é inverno em Israel?
- Existe algum motivo especial para comemorar Lag BaOmer com fogueiras e concursos de arco e flecha?
- O que é Lag BaOmer?
- O que é o Jejum de Gedaliah?
- O que é Rosh Chodesh?
- O que é Yom HaAtzmaut?
- O que é Yom HaShoá?
- O que é Yom HaZikaron?
- O que é Yom Yerushalayim?
- O que significa Tu BiShevat?
- Por que a cortina da Arca Santa é removida em Tishá BeAv?
- Por que as luzes ficam quase todas apagadas durante o serviço de Tishá BeAv?
- Por que às vezes se comemora Rosh Chodesh por dois dias consecutivos?
- Por que não se reconstrói hoje o Templo de Salomão em Jerusalém? A lei judaica o proíbe?
- Por que o 17.° dia do mês de Tamuz é um dia de jejum?
- Por que o nono dia do mês de Av é um dia de luto e jejum?
- Por que os judeus ortodoxos fazem jejum no dia 10 do mês de Tevet?
Somente um povo irremediavelmente otimista como o nosso, um povo que tem uma profunda afinidade com a vida, pode celebrar o renascimento das árvores quando a natureza ainda está aparentemente morta. A árvore resiste a todas as intempéries do inverno, e continua se agarrando firmemente à terra. Ela retém sua energia interior para poder florescer novamente quando desponta o sol. A árvore representa a fé em momentos de adversidade; a força do homem para erguer-se acima dos sofrimentos e recomeçar.Assim como Israel, o povo da esperança, festeja a primavera quando ainda predomina o frio do inverno, assim também acontece com cada um de nós. Porque ser judeu é jamais desanimar, jamais desistir, jamais desesperar. Ser judeu é trazer sempre dentro de si aquela esperança judaica que afirma: depois de cada inverno, chega o sol da primavera.
Existe algum motivo especial para comemorar Lag BaOmer com fogueiras e concursos de arco e flecha?
De acordo com a tradição, transcorre em Lag BaOmer o aniversário do falecimento do Rabino Simeon Bar Yochai, a quem se atribui a autoria do Zohar, a obra principal do misticismo judaico.Durante a época do domínio romano, quando os judeus foram proibidos de estudar a Torá, sob pena de morte, Bar Yochai teve que se esconder numa caverna nas montanhas da Galiléia, onde permaneceu por treze anos. Para poderem se encontrar com ele, seus discípulos tinham que sair para o campo carregando arcos e flechas, fingindo que iam caçar. Desta forma, eles conseguiam enganar os inspetores e continuavam recebendo os ensinamentos do seu mestre.As fogueiras também são um tributo à memória de Bar Yochai, como se milhares de velas estivessem sendo acesas no dia do seu Yahrzeit.
O que é Lag BaOmer?
A palavra "lag", em hebraico, é formada por duas letras, lamed e gimel, cujo valor numérico é 33. "Lag BaOmer" significa portanto "o 33.° dia da contagem do Omer". Neste dia, de acordo a tradição, cessou a epidemia que matou milhares dos discípulos do grande Rabi Akiva.
Consequentemente, Lag BaOmer é uma data festiva em meio a um longo período de semi-luto. É o único dia entre Pessach e Shavuot no qual é unanimemente permitida a celebração de casamentos. Em algumas comunidades, é costume cortar pela primeira vez a cabelo das crianças de três anos nesta data. Em Israel, o feriado é comemorado com piqueniques, fogueiras e concursos de arco e flecha.
Consequentemente, Lag BaOmer é uma data festiva em meio a um longo período de semi-luto. É o único dia entre Pessach e Shavuot no qual é unanimemente permitida a celebração de casamentos. Em algumas comunidades, é costume cortar pela primeira vez a cabelo das crianças de três anos nesta data. Em Israel, o feriado é comemorado com piqueniques, fogueiras e concursos de arco e flecha.
O que é o Jejum de Gedaliah?
O Jejum de Gedaliah (Tzom Gedaliah) se realiza no dia depois de Rosh Hashaná, em memória de Gedaliah Ben Ahikam, último governador da Judéia, que foi assassinado no dia 3 de Tishrei.Embora fosse judeu, Gedaliah era considerado um traidor pelos outros judeus, por ter sido nomeado pelo Rei Nabucodonosor da Babilônia, responsável pela captura de Jerusalém e a destruição do Primeiro Templo, no ano 586 antes da Era Comum. A morte de Gedaliah marcou o golpe final no aniquilamento da comunidade judaica. Em represália pelo seu assassinato, muitos judeus foram mortos. Os poucos remanescentes fugiram para o Egito ou foram exilados.
Tzom Gedaliah é um dia de "meio-jejum", observado desde o nascer do sol até o pôr-do-sol.
Tzom Gedaliah é um dia de "meio-jejum", observado desde o nascer do sol até o pôr-do-sol.
O que é Rosh Chodesh?
Rosh Chodesh, literalmente "cabeça do mês", é a comemoração da Lua Nova que marca o inicio do mês. Tal celebração tem origem na Torá: "Nos vossos dias de alegria, vossas festas e vossas luas novas, tocareis as trombetas" (Números 10:10).Embora não seja mais considerado propriamente um feriado, Rosh Chodesh é marcada por toques de festividade. Na sinagoga recita-se o meio-Hallel (salmos de louvor a Deus), lê-se um trecho especial da Torá e realiza-se um serviço suplementar (Mussaf). Nesse dia é proibido jejuar ou proferir discursos fúnebres, por serem manifestações de pesar contrárias ao espírito festivo de Rosh Chodesh.
O que é Yom HaAtzmaut?
Yom HaAtzmaut, comemorado em 5 de Iyar, marca o aniversário da independência do Estado de Israel, declarada no dia 14 de maio de 1948. Serviços religiosos festivos realizam-se nas sinagogas, com a recitação de Hallel, salmos em louvor a Deus.
O que é Yom HaShoá?
Yom HaShoá é o "Dia do Holocausto", que se comemora em 27 de Nissan, em recordação do extermínio de um terço do povo judeu durante o Holocausto nazista. Velas são acesas nos lares e nas sinagogas, solenidades são realizadas, e preces são recitadas em memória das vitimas do mais sombrio evento na história da humanidade.Como judeus, devemos sempre nas lembrar das perseguições que sofremos. Não por sermos masoquistas, não por querermos remoer sentimentos de ódio e vingança, mas sim para estarmos sempre atentos à possível repetição de tais calamidades.Comemorando Yom HaShoá, relembramos a tragédia do passado e reafirmamos nosso compromisso inabalável de preservar as tradições do Judaísmo pelas quais tantos foram massacrados.
O que é Yom HaZikaron?
Yom HaZikaron é o "Dia da Recordação", comemorado em 4 de Iyar, nas vésperas do aniversário da Independência de Israel. Nesse dia, os israelenses relembram - através de solenidades civis, militares e religiosas - os milhares de soldados que morreram em defesa da pátria durante as cinco guerras desde a criação do Estado Judeu.
O que é Yom Yerushalayim?
Yom Yerushalayim, no 28.° dia de Iyar, comemora a reunificação de Jerusalém durante a Guerra dos Seis Dias em 1967. Trata-se de um evento do mais alto significado religioso, uma vez que o Monte do Templo e o Muro Ocidental retornaram à soberania judaica pela primeira vez desde o ano 70 da Era Comum. Ao mesmo tempo, a reunificação trouxe consigo a mais ampla e irrestrita liberdade de religião, expressão e locomoção.Pela primeira vez em 19 anos, os lugares santos foram abertos a visitantes de todos os credos, e assim tem sido desde então.Jerusalém é uma parte inalienável de cada alma judia. A esperança de retomar à Cidade Santa foi a força motriz que impulsionou os judeus a sobreviverem como povo durante séculos de exílio, dispersão e perseguição. Entre o povo judeu e Jerusalém existe um vinculo sagrado e indissolúvel. Haja o que houver, aconteça o que acontecer, nós nos comprometemos a amá-la, honrá-la e protegê-la. Em Yom Yerushalayim e sempre.
O que significa Tu BiShevat?
Antigamente, um décimo dos frutos colhidos durante o ano deveriam ser levados ao Templo como uma oferenda. Para efeito do cálculo do dízimo, estabeleceu-se o 15° dia do mês de Shevat como o início do ano fiscal. Dai a comemoração de Tu (15) BiShevat como o "Ano Novo das Árvores".É costume comer neste dia quinze espécies de frutas, de preferência frutas típicas de Israel: uvas, figos, tâmaras, etc. As crianças festejam a data plantando árvores.Ao comemorarmos Tu BiShevat, demonstramos como as árvores são importantes para nós e para Israel. Tu BiShevat evidencia a centralidade da natureza na vida judaica, e o amor do judeu pela sua terra.
Por que a cortina da Arca Santa é removida em Tishá BeAv?
Na época do Templo, havia uma cortina que separava o "Santo dos Santos" (o local onde ficava a Arca da Aliança, e onde somente o Sumo Sacerdote podia entrar) do restante do Santuário. Essa cortina fazia parte das instruções específicas dadas por Deus a Moisés com relação à construção do Tabernáculo. Ao removermos a cortina em Tishá BeAv, ressaltamos que aquele Templo original não existe mais.Além disso, a cortina diante da Arca Santa demonstra o respeito e a dignidade que associamos àquilo que é Sagrado em nossa fé. Neste contexto, a retirada da cortina simboliza a perda de dignidade que a destruição do Templo representou para o nosso povo.
Por que as luzes ficam quase todas apagadas durante o serviço de Tishá BeAv?
No Templo em Jerusalém havia uma menorá cujos sete braços eram mantidos constantemente acesos, conforme as instruções divinas. O ambiente escuro na sinagoga no nono dia de Av é um símbolo de luto pela perda do antigo Santuário.
Por que às vezes se comemora Rosh Chodesh por dois dias consecutivos?
Nos tempos antigos, Rosh Chodesh era anunciado pelo tribunal rabínico que se reunia no 30.° dia do mês. Se chegassem testemunhas fidedignas afirmando ter visto a Lua Nova, aquele dia passava a ser o primeiro dia do novo mês. Caso a Lua Nova não fosse avistada, aquele dia permanecia o 30° dia do mês findo, e o dia seguinte passava a ser o primeiro dia do novo mês.Por esta razão histórica, estabeleceu-se a seguinte norma: quando o mês anterior tem 30 dias, Rosh Chodesh é comemorado não só no primeiro dia do novo mês, mas também no 30° dia do mês que termina.
Por que não se reconstrói hoje o Templo de Salomão em Jerusalém? A lei judaica o proíbe?
Alguns comentários talmúdicos indicam que a construção do novo Templo deve ser obra do Todo-Poderoso, e não de um ser humano. Maimônides afirma que o novo Templo será erguido pelo Messias. Isto significaria que enquanto o Messias não vier, não pode existir o Beit HaMikdash.Mais ainda, o local onde se situava o Templo original está agora ocupado por uma mesquita muçulmana. E é judaicamente inconcebível o Messias destruir um santuário para construir outro em seu lugar.
Por que o 17.° dia do mês de Tamuz é um dia de jejum?
De acordo com o Talmud, vários eventos trágicos ocorreram nesta data.Moisés, ao descer do Monte Sinai, encontrou seu povo rendendo culto ao Bezerro de Ouro e, em desgosto, quebrou as duas Tábuas da Lei.Em 17 de Tamuz no ano de 586 antes da Era Comum, o rei da Babilônia, Nabucodonosor, decretou a proibição de uma sagrada instituição judaica - o sacrifício diário no Templo (Korban Tamid).No ano 70 da Era Comum, também no 17° dia de Tamuz, o exército romano abriu a primeira brecha nos muros de Jerusalém, o que levou à conquista da cidade e à destruição do Segundo Templo, três semanas mais tarde. No mesmo dia, os soldados romanos atearam fogo a um rolo da Torá, e colocaram um ídolo no pátio do Templo.Por estas razões, o 17.° dia de Tamuz, Shivá-Assar BeTamuz, foi instituído como um dia de "meio-jejum", isto é, desde o alvorecer até o pôr-do-sol.
Por que o nono dia do mês de Av é um dia de luto e jejum?
Tishá BeAv, o nono dia de Av, é um dia trágico na história judaica. Nesse dia, no ano 586 antes da Era Comum, o Templo em Jerusalém foi destruído pelos babilônios. Tempos mais tarde, os judeus voltaram de seu exílio na Babilônia, reconstruíram o Templo, e restabeleceram o Estado Judeu. Mas no ano 70 da Era Comum, novamente no nono dia de Av, o Segundo Templo foi destruído pelos romanos, e os judeus foram mais uma vez exilados. Em Tishá BeAv no ano 135 da Era Comum, ocorreu a queda da fortaleza de Betar, último reduto dos judeus contra os opressores romanos. Depois houve um Tishá BeAv no final do século XIII, quando os judeus na França viram seus livros sagrados incendiados. E mais, em 2 de agosto de 1492, também um 9 de Av, a comunidade judaica da Espanha foi expulsa pela Inquisição.E assim, seja por coincidência, ou mais provavelmente por desígnio, Tishá BeAv tornou-se um dia de luto nacional. Mais ainda, tornou-se um símbolo de todas as perseguições sofridas pelo povo judeu ao longo de sua história. Ao lamentarmos a destruição do antigo Templo, recordamos também os mártires judeus que em todas as épocas deram a vida em defesa de suas convicções religiosas. Choramos a perda dos seis milhões que pereceram nos campos de concentração; dos heróis que tombaram no Gueto de Varsóvia; e dos soldados que derramaram seu sangue pelo Estado de Israel nas cinco guerras desde a sua independência.O luto é um entre outros meios de recordar o passado. E aquele que não lembra o passado está condenado a repeti-lo. O nono dia de Av nos torna conscientes da dor de todos os homens, de todos os credos, que foram e que são vitimas do ódio, perseguição e terror.
Por que os judeus ortodoxos fazem jejum no dia 10 do mês de Tevet?
O jejum do décimo dia de Tevet relembra o cerco de Jerusalém por Nabucodonosor, no ano 586 antes da Era Comum. Em conseqüência, a cidade foi destruída, a população dizimada, e os sobreviventes exilados para a Babilônia.Atualmente, 10 de Tevet é também um dia de luto por todas as vítimas do Holocausto, especialmente aquelas cuja data de morte é desconhecida.
Os Porquês do Judaísmo - Shavuot
- O que se comemora em Shavuot?
- O que significa o Omer?
- Por que é costume comer derivados de leite e doces com mel em Shavuot?
- Por que é costume enfeitar a sinagoga em Shavuot com ramos de árvores e folhagens?
- Por que é costume passar em claro a noite de Shavuot?
- Por que se lê o Livro de Ruth em Shavuot?
- Qual o significado religioso de Sefírat HaOmer?
O que se comemora em Shavuot?
De acordo com o Talmud, foi em Shavuot (6.° dia do mês de Sivan) que os filhos de Israel receberam os Dez Mandamentos no Monte Sinai. Por esta razão, o feriado é chamado Zman Matan Torateinu, o aniversário da entrega da Torá. O nome bíblico do feriado, Shavuot, ou mais especificamente Chag HaShavuot, significa "Festa das Semanas", o término da contagem de sete semanas (Sefirat HaOmer) que se inicia no segundo dia de Pessach.Dois outros nomes usados na Bíblia em referência ao feriado ressaltam seu caráter agrícola: Chag HaKatzir, a Festa da Ceifa, e Yom HaBikurim, o Dia dos Primeiros Frutos. Em comemoração ao início da colheita de trigo, levavam-se ao Templo dois pães feitos com a farinha do trigo recém-colhido e uma oferenda dos primeiros frutos da colheita.Na terminologia talmúdica, Shavuot é também chamado de Atzeret, um nome que significa "convocação" e designa tradicionalmente o último dia de um feriado. A implicação, segundo os rabinos, é que Shavuot representa a conclusão do feriado de Pessach. Do ponto de vista agrícola, histórico e espiritual, ambos os feriados estão inextricavelmente ligados.
O que significa o Omer?
Omer era uma antiga medida agrícola. No segundo dia de Pessach, costumava-se levar ao Templo uma oferenda de um Omer de cevada recém-colhida, em comemoração do início da colheita. Daí vem o nome Sefirat Omer, a contagem dos 49 dias entre Pessach e Shavuot.
Por que é costume comer derivados de leite e doces com mel em Shavuot?
Os rabinos oferecem várias interpretações para estes costumes.Moisés passou 40 dias e 40 noites no Monte Sinai preparando-se para a entrega da Torá em Shavuot. O valor numérico da palavra hebraica "chalav", que significa "leite", é 40.Nossos sábios dizem que os ensinamentos da Torá são "nutritivos como o leite e doces como o mel".A cor branca do leite é um símbolo de pureza. Estudando os ensinamentos da Torá e cumprindo seus mandamentos, o homem se torna puro como o leite.O leite é o alimento dos recém-nascidos. Comendo laticínios em Shavuot, demonstramos que estamos conscientes de quão pequenos somos diante da grandeza da Torá. E assim como o bebê aprende algo de novo a cada dia, estamos ávidos por captar cada vez um pouco mais dos ensinamentos divinos.Além destas interpretações poéticas, existe também uma explicação de ordem prática. Somente quando receberam a Torá é que os judeus tomaram conhecimento das leis alimentares. Naquele dia não dava mais tempo de abater os animais segundo o ritual prescrito, nem de escaldar os utensílios para torná-los kasher. A primeira refeição após a Revelação, portanto, consistiu exclusivamente de leite e queijo.
Por que é costume enfeitar a sinagoga em Shavuot com ramos de árvores e folhagens?
Existem diversas explicações.De acordo com a Mishná, Shavuot é o dia em que Deus julga as árvores e determina se o ano seguinte será de fartura ou escassez. Enfeitando a sinagoga com plantas, expressamos nosso desejo de que as árvores continuem produzindo bons frutos.As plantas lembram também a infância do personagem central no episódio da entrega da Torá, Moisés, que foi escondido por sua mãe numa cesta entre os juncos à beira do Rio Nilo.Em algumas comunidades, o chão da sinagoga é forrado de folhas, lembrando o Monte Sinai que se cobriu milagrosamente de grama antes da Revelação, em contraste à aridez de toda a região.Alguns enfeitam a sinagoga com flores perfumadas, simbolizando o "aroma" dos ensinamentos da Torá.
Por que é costume passar em claro a noite de Shavuot?
De acordo com o Midrash, na noite anterior à entrega da Torá no Monte Sinai, os israelitas adormeceram e tiveram que ser acordados por Moisés com trovões e relâmpagos. Para compensar o desrespeito, indiferença e insensibilidade dos nossos antepassados, para reparar aquela afronta a Deus, passamos a noite em claro, estudando, demonstrando assim que estamos plenamente conscientes da importância do evento e aguardamos com grande expectativa a Revelação.O costume tem o nome de tikun leil Shavuot, literalmente "o aprimoramento da noite de Shavuot". Os mais observantes passam a noite inteira estudando trechos dos livros sagrados - Bíblia, Mishná, Talmud, Zohar - lendo poemas litúrgicos e recitando orações. Nas comunidades mais liberais, realiza-se um Lernen de Shavuot, uma sessão de estudos ou uma discussão em grupo sobre um tema judaico de interesse geral.
Por que se lê o Livro de Ruth em Shavuot?
Existem diversas razões.O Livro de Ruth descreve detalhadamente a beleza da época da colheita, que coincide com Shavuot.De acordo com a tradição, o Rei David - que é descendente de Ruth e cujo nascimento é narrado no Livro de Ruth - nasceu e morreu em Shavuot.A experiência de Ruth, uma mulher moabita que se converteu ao Judaísmo, se assemelha de certa forma à experiência dos israelitas, que se "converteram" plenamente à fé judaica ao receberem a Torá em Shavuot. Assim como a conversão de Ruth foi acompanhada de dificuldades e privações, assim também o conhecimento dos mandamentos só se adquire com dedicação e perseverança. A história comovente da lealdade, da devoção, do amor de Ruth ao seu povo é um exemplo e uma fonte de inspiração para todos nós na ocasião em que celebramos o aniversário da entrega da Torá.
Qual o significado religioso de Sefírat HaOmer?
Em Pessach, comemoramos a libertação do povo judeu do cativeiro no Egito. Porém a liberdade física não é um fim em si, mas sim um meio para um fim maior: a emancipação espiritual. E esta é associada à entrega da Torá ao Povo de Israel no Monte Sinai, em Shavuot. Em outras palavras, o Êxodo marcou o nascimento dos judeus como um povo, enquanto a Revelação no Sinai forneceu ao povo recém-nascido a substância moral e ética que o sustentaria através dos tempos.Sefirat HaOmer, a contagem de sete semanas entre os dois feriados, nos lembra simbolicamente que de acordo com o pensamento judaico, o que importa não é libertar-se de alguma coisa, mas libertar-se para alguma coisa. A liberdade não tem sentido se não for acompanhada do compromisso para com um ideal. Se não há lei e disciplina, deveres e obrigações - a liberdade transforma-se em anarquia.Este é o significado religioso do Omer: um período de preparo espiritual para assumir condignamente a liberdade conquistada.
Os Porquês do Judaísmo - Símbolos
- Existe alguma relação entre a kipá e o solidéu usado pelo Papa?
- O que são tefilin?
- O que significa uma mezuzá kasher?
- Por que a mezuzá afixada numa posição inclinada?
- Por que alguns judeus usam a kipá fora da sinagoga, quando não estão rezando?
- Por que em algumas comunidades só os homens casados usam o talit?
- Por que em algumas sinagogas a menorá (candelabro) tem apenas seis braços? O normal não é sete?
- Por que os homens judeus usam um talit?
- Por que os homens judeus usam uma kipá (solidéu)?
- Por que se coloca uma mezuzá em todas as portas?
- Por que se escreve o nome do Todo-Poderoso, Shadai, no lado externo do pergaminho da mezuzá?
- Qual a razão dos judeus ortodoxos usarem cachinhos atrás da orelha?
- Qual o significado da Estrela de David?
- Quando é a hora de se colocar a mezuzá: quando a casa nova fica pronta, ou no dia em que a pessoa se muda? E quando nos mudamos de uma casa, o que se faz com as mezuzot que estavam afixadas?
Existe alguma relação entre a kipá e o solidéu usado pelo Papa?
Existe, e muita. A origem das vestes eclesiásticas é o Beit HaMikdash, o Templo Sagrado. De acordo com a Torá, os sacerdotes eram obrigados a usar roupas especiais, como se vê no Livro de Levítico que descreve detalhadamente a vestimenta do Sumo Sacerdote. A batina papal branca, símbolo de pureza e santidade, pode certamente ser associada ao costume rabínico de vestir-se de branco nas Grandes Festas. E o solidéu branco também.
O que são tefilin?
Tefilin, ou filactérios, são duas caixinhas de couro, cada qual presa a uma tira de couro, e dentro das quais esta contido um pergaminho com os quatro trechos da Torá que deram origem ao uso dos filactérios. Um deles diz: "Escuta, é Israel, o Eterno e nosso Deus, o Eterno é único. Amarás ao Eterno, teu Deus, de todo teu coração, de toda tua alma e de todas tuas forças. E estas palavras que hoje te ordeno serão gravadas no teu coração (...) E as atarás à tua mão como sinal, e as colocarás diante dos teus olhos" (Deuteronômio 6:4-8).Todas as manhãs, exceto no Shabat e feriados religiosos, o homem judeu deve colocar os tefilin, enrolando uma das tiras na mão esquerda; afixando a caixinha no braço esquerdo, para que fique próxima ao coração, a sede das emoções e colocando a outra caixinha acima da testa, perto do cérebro, a sede do raciocínio. Desta forma, mostramos simbolicamente que a devoção a Deus está presente em nossos atos, em nossos sentimentos e em nossos pensamentos.
O que significa uma mezuzá kasher?
A mezuzá só é válida e apropriada para o uso (kasher) se as passagens bíblicas no pergaminho forem escritas à mão por um sofer (escriba), de acordo com as exigências da lei. Isto é, a pena tem que ser de uma ave kasher, geralmente ganso ou peru, e a tinta tem que ser preta, indelével, e preparada unicamente com ingredientes vegetais. O próprio pergaminho tem que ser feito da pele de um animal kasher.Com o tempo, podem surgir rachaduras no pergaminho, ocasionando imperfeições em algumas das letras. A mezuzá torna-se então passul, ou seja, ela perde sua validade. Por este motivo, a lei exige que as mezuzot sejam periodicamente examinadas por um especialista.
Por que a mezuzá afixada numa posição inclinada?
O Talmud registra duas opiniões diferentes quanto à posição correta da mezuzá. Uma escola recomendava o sentido vertical, enquanto outra insistia que deveria ser horizontal. A posição diagonal foi adotada como um meio-termo para evitar atritos entre os eruditos.
Neste contexto, a colocação oblíqua da mezuzá serve de exemplo para as pessoas que entram e saem daquela casa. As relações humanas - entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre amigos - não podem basear-se em atitudes rígidas. A intransigência e a intolerância só geram tensões e conflitos. A mezuzá inclinada nos lembra que para manter um relacionamento ideal é preciso que ambas as partes estejam dispostas a fazer concessões.
Neste contexto, a colocação oblíqua da mezuzá serve de exemplo para as pessoas que entram e saem daquela casa. As relações humanas - entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre amigos - não podem basear-se em atitudes rígidas. A intransigência e a intolerância só geram tensões e conflitos. A mezuzá inclinada nos lembra que para manter um relacionamento ideal é preciso que ambas as partes estejam dispostas a fazer concessões.
Por que alguns judeus usam a kipá fora da sinagoga, quando não estão rezando?
Cobrimos a cabeça com a kipá em sinal de respeito a Deus. E tal respeito não se restringe apenas aqueles momentos esporádicos em que rezamos na sinagoga. Deus deve estar sempre presente em nossos pensamentos e ações no dia-a-dia, no lar, na escola, no trabalho. É por isto que os judeus ortodoxos mantêm a cabeça sempre coberta: como lembrança de que a presença de Deus paira constantemente sobre nós.
Por que em algumas comunidades só os homens casados usam o talit?
Uma das explicações é que o mandamento bíblico de colocar franjas nos quatro cantos do manto é imediatamente seguido pelas leis referentes ao casamento (Deuteronômio 22:12-30).Outra interpretação é que ambas as experiências denotam um vínculo: o talit simboliza o vínculo do homem com Deus, e o casamento representa os laços de amor entre o homem e sua companheira.Dentro desse contexto, é costume a noiva presentear o noivo com um talit no dia do casamento.
Por que em algumas sinagogas a menorá (candelabro) tem apenas seis braços? O normal não é sete?
A menorá original do Tabernáculo era um candelabro de sete braços. Após a destruição dos dois Templos em Jerusalém, desenvolveu-se uma tradição de que os objetos sagrados do Templo não deveriam ser reproduzidos, e portanto qualquer menorá construída posteriormente deveria ter um número de braços diferente de sete, geralmente seis.Não se trata de uma lei, mas sim um costume que é respeitado em algumas sinagogas, a fim de não ferir a sensibilidade dos mais ortodoxos.
Por que os homens judeus usam um talit?
Nos tempos bíblicos, o talit era um manto retangular de lã ou linho, com franjas nos quatro cantos, usado diariamente pelos homens judeus, em cumprimento ao mandamento divino: "E dirás aos Filhos de Israel que façam franjas (tzitzit) nas bordas de suas vestes, por todas as gerações" (Números 15:38).Após o exílio dos judeus da terra de Israel e sua dispersão, o talit deixou de ser uma pega do vestuário cotidiano e passou a ser usado apenas na hora das orações. Os ortodoxos, em cumprimento a injunção bíblica, usam permanentemente sob a camisa um pequeno talit (talit katan).Rezar envolto no talit denota simbolicamente uma sujeição à Vontade Divina e aos sagrados mandamentos da lei judaica, e nossa consciência de que Deus está em toda parte, nos quatro cantos do mundo, assim como os "fios visíveis" nos quatro cantos do talit.
Por que os homens judeus usam uma kipá (solidéu)?
O homem foi criado "à imagem de Deus". Portanto, ele deve vestir-se com dignidade. A cabeça, como fonte da moral, representa a parte mais importante do corpo humano. Cobrindo a cabeça, somos lembrados da onipresença divina, e conscientizamo-nos de que a humildade é a essência da religião.A verdade é que ninguém sabe ao certo como, quando e por que surgiu o costume. Durante muito tempo, as autoridades religiosas não consideravam obrigatório o uso da kipá. Somente no século XIX, face ao perigo da assimilação, os judeus ortodoxos adotaram a kipá como símbolo da particularidade judaica, e fizeram do costume uma lei.
Por que se coloca uma mezuzá em todas as portas?
A mezuzá é um pequeno pergaminho afixado no batente da entrada do lar judaico, e nas portas de todos os aposentos, em observância ao mandamento bíblico: "E as escreverás nos portais de tua casa, e nos teus portões" (Deuteronômio 6:9). É um lembrete solene para todos que entram e saem de que aquela casa é um lar judaico, onde reina a presença de Deus.A mezuzá contém duas passagens bíblicas: o "Shemá", a afirmação da unidade e unicidade de Deus - Deus é Um, quantitativa e qualitativamente - e logo em seguida "VeAhavtá", um trecho que expressa o amor a Deus e aos nossos semelhantes.
Por que se escreve o nome do Todo-Poderoso, Shadai, no lado externo do pergaminho da mezuzá?
Existem várias explicações Em primeiro lugar, a mezuzá afixada no batente da porta é uma indicação da presença do Todo-Poderoso naquele lar. O nome de Deus no pergaminho reforça a idéia da proteção divina. Alguns observam que o nome Shadaié uma abreviação de "Shomer daltot Israel", "Guardião das portas de Israel". Outros acreditam que a palavra provém da frase "Sheomer leolam dai", "Aquele que disse ao mundo: Basta." A implicação seria que Deus assegura a inviolabilidade daquele lar.Mais ainda, segundo a tradição judaica, os dois nomes principais atribuídos ao Todo-Poderoso não podem ser escritos por extenso, a não ser como parte de um trecho das Escrituras. Shadai, sendo uma denominação "secundária", por assim dizer, não esta sujeita a essa restrição.
Qual a razão dos judeus ortodoxos usarem cachinhos atrás da orelha?
A Torá diz: "Não cortarás o cabelo nas têmporas, nem apararás as beiradas da barba" (Levítico 19:27). Nos tempos bíblicos, cortar o cabelo de certa maneira era um rito pagão. E o Judaísmo queria se dissociar disto.Essa injunção bíblica deu origem ao costume, entre judeus rigorosamente praticantes, de deixar crescer a barba e as costeletas (em hebraico peot), que devem chegar até o lobo da orelha. As peot são características dos judeus iemenitas e também dos chassídicos.
Qual o significado da Estrela de David?
A Estrela de David, a estrela de seis pontas, é considerada o símbolo judaico por excelência. Dada sua presença constante nos lares judeus e nas sinagogas, costuma-se atribuir a ela um caráter especificamente judaico. No entanto, contrário à crença popular, o hexagrama não é de origem exclusivamente judaica, e foi pouco usado pelos judeus até uns cem anos atrás. Foi somente na época da Emancipação no fim do século XIX, que os judeus resolveram adotar um símbolo que representasse o Judaísmo, assim como a cruz simboliza o Cristianismo. A partir de então, o Magen David (literalmente "Escudo de David") difundiu-se.A Estrela de David consiste de dois triângulos superpostos em direções opostas. Os vértice do primeiro triângulo representam os três pilares da nossa fé: Deus, Homem e Povo. O segundo triângulo corresponde aos três grandes momentos da nossa história: Criação (passado), Revelação (passado que prossegue no presente) e Redenção (futuro). O primeiro triângulo simboliza a fé judaica; o segundo - a história judaica. Juntos constituem a essência dos nossos ideais.Mais ainda, dois triângulos entrelaçados, compartilhando o mesmo centro, dão a idéia de um entrosamento entre opostos. A estrela de seis pontas indica assim a união de todas as contradições em perfeita harmonia. Em uma palavra, a Estrela de David é o símbolo máximo da paz universal, Shalom - a missão do Judeu perante toda a humanidade.
Quando é a hora de se colocar a mezuzá: quando a casa nova fica pronta, ou no dia em que a pessoa se muda? E quando nos mudamos de uma casa, o que se faz com as mezuzot que estavam afixadas?
Quando se trata de uma casa própria, a mezuzá deve ser colocada no dia em que a pessoa se muda. Quando a casa é alugada, pode-se esperar até trinta dias, pois dentro deste prazo a casa é considerada uma "moradia temporária".Com relação à mezuzá do lar anterior: quando se tem certeza que outro judeu ocupará a casa, pode-se deixar as mezuzá afixadas. Se a casa for provavelmente ocupada por um não-judeu, então é melhor retirar as mezuzot, pois o novo ocupante, desconhecendo seu caráter sagrado, poderá inconscientemente profaná-las.
Os Porquês do Judaísmo - Sinagoga e Oração
- Ainda é praticada a antiga bênção sacerdotal?
- É apropriado levar crianças pequenas para assistirem ao serviço na sinagoga?
- É verdade que deixar a Torá cair no chão é um crime imperdoável perante o Todo-Poderoso?
- Existe uma bênção especial a ser invocada antes de uma viagem?
- Nas bênçãos judaicas, dizemos "Baruch Atá Adonai", "Bendito sejas Tu, ó Deus". Como pode o homem abençoar a Deus?
- O que é o "Shemá"?
- O que é um minyan?
- O que se faz com um livro de reza que já está se desfolhando e não se pode mais usar?
- O que significa aliyá?
- Por que a tradição judaica requer que se diga "Amen" após ouvir uma bênção?
- Por que alguns judeus beijam o Sidur (livro de orações) quando termina a reza?
- Por que as mulheres não são chamadas para a leitura da Torá?
- Por que é costume erguer a Torá após a leitura na sinagoga?
- Por que há separação entre homens e mulheres na sinagoga tradicional?
- Por que muitos judeus não escrevem a palavra "Deus" (em português) com todas as letras? A proibição não é só referente ao hebraico?
- Por que os judeus balançam o corpo durante a reza?
- Qual a chance de uma mulher atuar como rabina no Brasil?
- Qual o conceito judaico sobre a oração?
- Quando é que se recita a bênção "Gomel"?
- Quando se reza "Ossé Shalom", a oração pela paz, dá-se três passos para trás. Por quê?
- Um cristão pode assistir ao serviço religioso na sinagoga?
Ainda é praticada a antiga bênção sacerdotal?
Certamente. É um mandamento da Torá os Kohanim abençoarem o povo de Israel. Na Diáspora, os sacerdotes cumprem o ritual durante a repetição da Grande Oração de Mussaf nas Grandes Festas, bem como nas três Festas de Peregrinação: Pessach, Shavuot e Sukot. Em Israel, a bênção sacerdotal é dada também no Shabat. Em Jerusalém e várias outras cidades da Terra Santa, ela é dada todos os dias do ano.Nas sinagogas liberais, a bênção tradicional é dispensada pelos rabinos, em nome dos sacerdotes.A bênção sacerdotal (Birkat Kohanim) se encontra no Livro dos Números, capitulo 6, versículos 24-26:"Que o Eterno te abençoe e te guarde;
que o Eterno faça brilhar Sua presença sobre ti e seja clemente contigo;que o Eterno se volte para ti e te dê a paz."
que o Eterno faça brilhar Sua presença sobre ti e seja clemente contigo;que o Eterno se volte para ti e te dê a paz."
É apropriado levar crianças pequenas para assistirem ao serviço na sinagoga?
Desde que as crianças não perturbem a concentração dos adultos, não só é apropriado, como é louvável. De acordo com o Talmud, quem leva crianças à sinagoga é digno de recompensa divina, pois permite que elas sejam expostas desde cedo às palavras sagradas.
É verdade que deixar a Torá cair no chão é um crime imperdoável perante o Todo-Poderoso?
A lei judaica não considera isto um crime, desde que a queda da Torá tenha sido acidental. Existe um costume de que a pessoa culpada deve jejuar para "pagar o pecado". Algumas autoridades mais rigorosas afirmam que toda a congregação que presenciou a queda da Torá, também deve jejuar durante um dia. Entretanto, não é obrigatório.Como tal tipo de acidente geralmente ocorre quando a Torá está sendo carregada por um homem já idoso e debilitado, o jejum é impraticável. Neste caso, muitos rabinos aconselham que, se a própria pessoa tiver um profundo sentimento de culpa ou remorso por ter derrubado a Torá, então ela pode "redimir-se" fazendo um donativo à sua sinagoga.
Existe uma bênção especial a ser invocada antes de uma viagem?
Existe uma linda oração, "Oração da Estrada", conhecida em hebraico como "Tefilat HaDerech", que se recita antes de uma viagem ou ao iniciar-se a mesma.É uma oração muito antiga, encontrada já no Talmud, um pedido de ajuda e proteção:"Que seja a Tua vontade, Deus nosso e Deus de nossos pais, guiar nossos passos em paz e trazer-nos de volta em paz. Atende a voz das nossas súplicas, pois Tu és o Deus que escuta todas as preces."
Nas bênçãos judaicas, dizemos "Baruch Atá Adonai", "Bendito sejas Tu, ó Deus". Como pode o homem abençoar a Deus?
A bênção é essencialmente um louvor. E um louvor, quando sincero, é mais importante para quem o faz do que para quem o recebe. Deus certamente não precisa dos nossos elogios. Mas nós precisamos elogiá-lo. Abençoando a Deus, expressamos nossa gratidão pela própria vida.
O que é o "Shemá"?
A palavra "Shemá" significa "escute", e se refere a um versículo da Torá: "Escuta, ó Israel, o Eterno é nosso Deus, o Eterno é único" (Deuteronômio 6:4). Esta frase, juntamente com três outros trechos bíblicos (Deuteronômio 6:5-9 e 11:13-21; Números 15:37-41), constitui a declaração fundamental da fé judaica. Através do "Shemá", afirmamos a unidade de Deus, prometemos amá-lo "de todo o coração, de toda a alma, de toda a força", e comprometemo-nos a recordar, praticar e transmitir Seus mandamentos.
O que é um minyan?
Minyan é o quorum mínimo de dez homens exigido pela lei judaica para a celebração de um ato religioso de caráter público. Embora a prece individual, espontânea, também seja válida, ela é considerada imperfeita. Quando rezamos como uma comunidade, como um todo, demonstramos simbolicamente que somos responsáveis uns pelos outros.Por que são necessários dez homens? O número dez, por ser um número redondo, representa tradicionalmente a idéia de algo completo. Quando a Bíblia fala dos dez espiões que voltaram de Canaã com um relatório pessimista, ela usa o termo "eidá", que significa "congregação". Quando Abraão fez um apelo a Deus para que salvasse Sodoma e Gomorra, Deus concordou, desde que fossem encontrados nestas cidades dez homens justos. A implicação, segundo os rabinos, é que menos de dez homens não podem ser considerados uma "comunidade".Ser judeu é pertencer. E rezar, viver e agir sempre no contexto histórico do nosso povo.
O que se faz com um livro de reza que já está se desfolhando e não se pode mais usar?
Quando um Sefer Torá (um rolo da Torá) está passul, isto é, quando não tem mais condições de ser usado, ele deve ser sepultado com todo carinho, dignidade e respeito. Muitas vezes, o rolo é enterrado ao lado de um talmId chacham, um judeu devoto e erudito. Embora a lei judaica não exija tal tratamento no caso de um Sidur, é costume em muitas comunidades fazer o mesmo com os livros de orações.
O que significa aliyá?
A palavra hebraica "aliyá" quer dizer "subida". Ser honrado com uma aliyá significa ser convidado para subir ao altar e ler um trecho da Torá ou recitar as bênçãos antes e depois da leitura. É interessante notar que o mesmo termo "aliyá" também se refere ao ato de imigrar para Israel, que é visto como uma "ascensão" geográfica e espiritual.
Por que a tradição judaica requer que se diga "Amen" após ouvir uma bênção?
Trata-se de um costume muito antigo, mencionado já na Bíblia (Deuteronômio, capítulo 27). A resposta do ouvinte implica sua participação e envolvimento, como se ele mesmo tivesse recitado a bênção.É interessante notar que a palavra hebraica "Amen" é formada pelas letras iniciais (alef, mem, nun) de "El Melech Neeman", "O Senhor nosso Rei, em Quem confiamos". Ao dizermos "Amen", afirmamos nossa esperança e fé em Deus e no Seu poder divino de cumprir a bênção que foi recitada.
Por que alguns judeus beijam o Sidur (livro de orações) quando termina a reza?
Não é uma obrigação. É um ato puramente intuitivo. Os livros sagrados são preciosos. São velhos amigos, fiéis companheiros e sábios conselheiros. Portanto devem ser tratados com respeito e afeto.Na tradição judaica, beijar os objetos sagrados é um gesto de reverência e devoção. Assim, beijamos não só o Sidur, como também a mezuzá, a Torá, os tefílin, a cortina da Arca Santa e as franjas do talit.
Por que as mulheres não são chamadas para a leitura da Torá?
Na Bíblia, não há nenhuma lei que proíba a mulher de ser chamada para a leitura. O Talmud Megilá 23a declara explicitamente que a mulher pode receber uma aliyá, mas desaconselha esta prática com base no principio de "kevod hatzibur", isto é, respeito pela congregação. Numa época e numa sociedade em que a mulher não era considerada igual ao homem, achava-se que a congregação poderia sentir-se ofendida ao ver uma mulher lenda publicamente a Torá.Hoje, as sinagogas reformistas rejeitam categoricamente tal discriminação. E mesmo em algumas sinagogas conservadoras, já é costume chamar para a leitura da Torá as meninas no dia de sua Bat Mitzvá.
Por que é costume erguer a Torá após a leitura na sinagoga?
A prática é mencionada no Talmud, e a explicação é que a leitura de Torá não deve se restringir a alguns indivíduos, mas deve ser um ato comunitário. Ao erguer o rolo da Torá e fazer com ele um giro completo, garante-se que nenhum dos presentes seja excluído do privilégio de defrontar-se com as Escrituras Sagradas. Os sábios talmúdicos dizem que erguer a Torá e expô-la à vista de toda a congregação é uma honra ainda maior do que ser chamado para a leitura.
Por que há separação entre homens e mulheres na sinagoga tradicional?
A explicação se encontra no Talmud Suká. No antigo Templo em Jerusalém, grandes multidões se reuniam para assistir aos serviços religiosos nos dias de festa. Os rabinos tinham receio que o contato entre homens e mulheres pudesse levar a um comportamento leviano, indecoroso, não apropriado. Por este motivo, isto é, para evitar a frivolidade, resolveram construir na sinagoga um balcão especial para as mulheres: ezrat nashim, literalmente "o pátio das mulheres".A santidade pode ser entendida de várias formas. No Judaísmo, ela significa principalmente transcendência: a disposição de crescer além dos próprios limites do indivíduo, a capacidade de alcançar acima de si próprio. Somente transcendendo os impulsos biológicos, é possível atingir a plena estatura espiritual. Afastando de si os pensamentos e necessidades sensuais, o homem atinge a condição de santidade.Embora o Judaísmo não veja nada de errado ou pecaminoso no sexo em si, isto não impede que seja necessário um certo controle e disciplina. A conclusão dos ortodoxos: o contato entre homens e mulheres na sinagoga, apesar das melhores intenções, leva ao tipo de ambiente que torna a santidade mais difícil.Entre os liberais e até os conservadores, aos poucos está se difundindo o costume das famílias sentarem junto.
Por que muitos judeus não escrevem a palavra "Deus" (em português) com todas as letras? A proibição não é só referente ao hebraico?
Não é, não. Deus é universal, como também o Seu nome. Portanto, todas as leis que se referem ao nosso relacionamento com Ele são universais, e não podem se restringir a um determinado grupo ou idioma. O Terceiro Mandamento diz: "Não tomarás em vão o nome do Senhor." Seja em hebraico, ou em português, ou em chinês.Por esta razão, os ortodoxos apostrofam o Nome Divino: "D-us".
Por que os judeus balançam o corpo durante a reza?
Existem duas explicações: uma religiosa; a outra, histórica e sociológica.No Livro dos Salmos está escrito: "Kol atzmolai tomarná." Literalmente, "Todos meus ossos falarão", isto é, com todo meu ser - corpo e alma - louvarei o Todo-Poderoso.A razão histórica é que antigamente havia muito poucos livros de orações. Não se tinha o luxo de imprimir textos como hoje em dia. Consequentemente, um único livro tinha que ser compartilhado por muitos judeus durante a reza. Por isso, eles tinham forçosamente que se movimentar de um lado para o outro. E o costume permaneceu até hoje.
Qual a chance de uma mulher atuar como rabina no Brasil?
Nas condições atuais, as chances são mínimas. Até agora, os movimentos reformista e reconstrucionista são os únicos dentro do Judaísmo que deram à mulher tal oportunidade. No Brasil, existe uma escola liberal, isto é, não-ortodoxa. Mas ela está muito longe das correntes progressistas que existem no exterior. Por falta de infra-estrutura, ainda temos um longo caminho a percorrer antes de podermos estabelecer uma igualdade funcional entre os sexos no rabinato brasileiro.
Qual o conceito judaico sobre a oração?
A oração é um meio de comunicação entre o homem e Deus. Através dela, o ser humano afirma sua fé, expressa sua gratidão e apresenta suas súplicas. Às vezes, Deus responde. Outras vezes, apenas escuta. Porém, não importa quem seja a pessoa, não importa quão trivial o assunto, o Todo-Poderoso está sempre lá. Atento.
Quando é que se recita a bênção "Gomel"?
"Gomel" é uma bênção de agradecimento a Deus, recitada na sinagoga na hora da leitura da Torá. Na linguagem popular, "gomel bentchen". Conforme estipulado no Talmud Brachot, a bênção deve ser recitada por alguém que fez uma viagem por mar ou através do deserto, ou que se recuperou de uma doença grave, ou que escapou de algum perigo. Nos dias de hoje, podemos incluir qualquer viagem de automóvel ou avião, que certamente trazem um risco considerável.
Quando a pessoa diz: "Aquele que concedeu benefícios a mim", a congregação responde: "Que Aquele que lhe concedeu estes benefícios, conceda-os para sempre."
Quando a pessoa diz: "Aquele que concedeu benefícios a mim", a congregação responde: "Que Aquele que lhe concedeu estes benefícios, conceda-os para sempre."
Quando se reza "Ossé Shalom", a oração pela paz, dá-se três passos para trás. Por quê?
Uma vez que na tradição judaica, Deus é o "Rei dos Reis", devemos comportar-nos diante d Ele com o devido respeito. Assim como um súdito dá alguns passos para trás quando termina sua audiência com o rei, nós também concluímos nossas preces retirando-nos reverentemente da presença do Soberano do Universo. Existe uma outra interpretação. A paz não é uma dádiva é uma realização. Não se pode obter a paz com um mero pedido. Paz implica concessões, e concessões exigem transigência. Quando rezamos pela paz, damos primeiro três passos para trás, e somente então é que podemos dar três passos para a frente. É preciso fazer concessões mútuas, para que possamos então prosseguir adiante e emergir como uma só família unida, valorizando a paz, a harmonia e a fraternidade como objetivos supremos de nossa existência.
Um cristão pode assistir ao serviço religioso na sinagoga?
Claro que sim! A Lei Divina não pertence a um único povo, nem mesmo aos judeus a quem ela foi dada primeiro. A palavra de Deus pertence a quem quiser ouvi-la, aprendê-la, e moldar sua vida de acordo com ela. Os ensinamentos do Judaísmo são universais e acessíveis a quem deles precisar.Embora haja restrições quanto à participação ativa de uma pessoa não-judia no ritual da sinagoga (assim como não seria apropriado um judeu comungar numa igreja católica), nossas portas estão sempre abertas. A Casa de Deus é o santuário para todos os homens, de todos os credos.
Os Porquês do Judaísmo - Sukot
- É verdade que a construção da Suká deve ser iniciada imediatamente após Yom Kipur?
- Existe alguma celebração especial em Hoshaná Raba?
- Não é um sacrilégío dançar com a Torá? Não seria mais digno passar o dia de Simchat Torá em estudo e meditação?
- O que é a Suká?
- O que é Chatan Torá?
- O que é Hoshaná Raba?
- O que é Shemini Atzeret?
- O que é Simchat Torá?
- O que é Sukot?
- O que são "as quatro espécies"?
- O que se comemora em Simchat Torá?
- Por que se fazem procissões na sinagoga em Simchat Torá?
- Qual o simbolismo da Suká?
- Qual o simbolismo do molho de Sukot?
É verdade que a construção da Suká deve ser iniciada imediatamente após Yom Kipur?
Sim, é verdade. A lei nos ordena começarmos a construir a Suká assim que voltamos para casa depois dos serviços de Yom Kipur, antes mesmo de quebrar o jejum. E por quê? Para mostrar a verdadeira essência do Judaísmo: a aplicação dos valores espirituais no mundo material. Justamente quando o judeu está espiritualmente elevado, quando seu Judaísmo mais o inspirou, o mundo mais precisa dele. E não há um minuto a perder!
Para muitos indivíduos, os momentos de descanso e relax depois de Yom Kipur, antes de pegarem o martelo e os pregos para construir a Suká, prolongam-se por tempo indeterminado. Na verdade, eles nunca chegam a construir a Suká. Os minutos se estendem em horas, as horas em dias, os dias em semanas, as semanas em meses... e até que alcancem novamente um alto nível espiritual, já se passou um ano inteiro. Para muitos, o Judaísmo está "de férias" entre um Yom Kipur e outro. Sukot começa imediatamente depois de Yom Kipur para ensinar-nos que o Judaísmo é um modo de vida total e abrangente - uma fusão do espiritual e material, idealismo e realismo, teoria e prática, pensamento e ação.
Para muitos indivíduos, os momentos de descanso e relax depois de Yom Kipur, antes de pegarem o martelo e os pregos para construir a Suká, prolongam-se por tempo indeterminado. Na verdade, eles nunca chegam a construir a Suká. Os minutos se estendem em horas, as horas em dias, os dias em semanas, as semanas em meses... e até que alcancem novamente um alto nível espiritual, já se passou um ano inteiro. Para muitos, o Judaísmo está "de férias" entre um Yom Kipur e outro. Sukot começa imediatamente depois de Yom Kipur para ensinar-nos que o Judaísmo é um modo de vida total e abrangente - uma fusão do espiritual e material, idealismo e realismo, teoria e prática, pensamento e ação.
Existe alguma celebração especial em Ho shaná Raba?.
Sim, realiza-se na sinagoga um ritual especial denominado hosh hashaná A congregação dá sete voltas em torno da bimá (o altar), segurando nas mãos o feixe de quatro espécies, enquanto se recitam poesias litúrgicas.O molho de Sukot tem neste dia alguns ramos de salgueiro a mais. No final do serviço religioso, costuma-se bater estes ramos no chão. Alguns dizem que este ato simboliza os castigos que cada um de nós merece pelas suas transgressões. Outros dizem que assim como os ramos de salgueiro, apesar de serem "surrados", conservam a maior parte de suas folhas, assim também o povo judeu, apesar de ter sido tantas vezes oprimido e perseguido, conseguiu sobreviver.
Não é um sacrilégío dançar com a Torá? Não seria mais digno passar o dia de Simchat Torá em estudo e meditação?
Se celebrássemos Simchat Torá lendo e estudando as leis divinas, estaríamos ressaltando as diferenças no grau de erudição entre um judeu e outro, entre o sábio e o ignorante. O canto e a dança, no entanto, são manifestações espontâneas que brotam naturalmente de qualquer pessoa. Desde o mais culto até o mais inculto, todos são herdeiros iguais da Torá e todos têm o mesmo direito de alegrar-se com ela.
O que é a Suká?
Suká (plural Sukot) é a cabana na qual devemos habitar durante o feriado de Sukot. É uma estrutura temporária, relativamente frágil, cuja construção obedece a certas normas tradicionais. Ela deve ter pelo menos três paredes, com um teto de palha ou folhagem, através do qual se possam entrever as estrelas. Os judeus mais observantes permanecem em sua Suká dia e noite, durante uma semana. Outros fazem apenas as refeições na cabana. Um mínimo de observância consiste em recitar o Kidush e comer um pedaço de pão na Suká na primeira noite do feriado.
O que é Chatan Torá?
Chatan Torá ("Noivo da Torá") é o nome que se dá à pessoa chamada para ler o último trecho do Livro de Deuteronômio, com o qual se encerra o ciclo anual. Dentro do mesmo simbolismo, ou seja, os laços matrimoniais entre o judeu e a Torá, aquele que sobe em seguida para começar a leitura do Livro de Gênesis é chamado Chatan Bereshit ("Noivo do Inicio", isto é, do Gênesis).
O que é Hoshaná Raba?
Hoshaná Raba é o sétimo e último dia de Sukot. Ele adquiriu a partir da era pós-talmúdica um caráter especial, devido à crença de que nesse dia temos uma última oportunidade de apelar ao Supremo Juiz para que perdoe nossas faltas e nos inscreva no Livro da Vida. A palavra hebraica "hoshaná" significa "Salva-nos!" Hoshaná Raba pode ser entendido como "a grande súplica pela salvação."
O que é Shemini Atzeret?
O termo significa "convocação do oitavo dia". Shemini Atzeret, a comemoração que se realiza imediatamente após os sete dias de Sukot, é de certa forma a conclusão de Sukot, embora seja considerado um feriado à parte. Na época de Sukot, conforme a tradição, Deus determina a quantidade de chuvas que cairão no ano seguinte. Portanto, o serviço matutino de Shemini Atzeret inclui uma prece especial pela chuva ("Tefilat Geshem"). Nesse dia recita-se também o Yizkor, a oração comemorativa dos finados.
O que é Simchat Torá?
Na Diáspora, Simchat Torá (literalmente "alegria da Torá") corresponde ao segundo dia de Shemini Atzeret (o dia extra do feriado, análogo ao oitavo dia de Pessach e o segundo dia de Shavuot).Os rabinos explicam, através de uma bela alegoria, a relação entre os dois dias do feriado. "Atzeret" deriva da palavra "atzar", que significa "reter". Shemini Atzeret é o convite que Deus fez ao Seu povo, no final da semana de Sukot, para que ficasse com Ele mais um dia (shemini, o oitavo dia). Receber tal convite sem emoção seria submeter-se passivamente ao chamado divino. Assim, Simchat Torá é a nossa resposta, é o nosso meio de mostrar a Deus o quanto nos sentimos felizes por permanecer em Sua presença, e o quanto nos regozijamos com a Torá que Ele nos deu. É um dia marcado pela espontaneidade, amor, alegria, música e dança.Em Israel, onde não existe o "dia extra", todos os rituais e costumes de Simchat Torá são incorporados à comemoração de Shemini Atzeret.
O que é Sukot?
Sukot é a Festa dos Tabernáculos ou Festa das Cabanas, que tem inicio no 15.° dia do mês de Tishrei. Durante sete dias, a Bíblia nos ordena habitar em cabanas semelhantes às tendas nas quais os israelitas moraram durante seus quarenta anos no deserto, após o Êxodo do Egito.De acordo com a Torá, Sukot se realizava no final da colheita de frutas, marcando o encerramento do ano agrícola. Por esta razão, é também chamado Chag HaAssif, a Festa da Colheita.Tradicionalmente, o feriado de Sukot é denominado Zman Simchateinu, "a época do nosso regozijo", pois está escrito na Bíblia: "E vos alegrareis durante sete dias diante do Eterno vosso Deus" (Levítico 23:40).
O que são "as quatro espécies"?
A Torá nos ordena celebrar Sukot tomando nas mãos quatro espécies de plantas e "alegrando-nos diante do Senhor" (Levítico 23:40). Com base nestas instruções (duas das plantas estão explicitamente definidas, as outras somente em termos vagos), os rabinos deduziram e a tradição consagrou as quatro espécies (arbaá minim) que constituem o molho de Sukot: uma cidra (etrog), um ramo de tamareira (lulav), três ramos de mirto (hadas) e dois ramos de salgueiro (aravá).Diariamente, durante a semana de Sukot (exceto no Shabat), pegamos na mão direita as três espécies de ramos, na mão esquerda o etrog, recitamos uma bênção, em seguida juntamos as mãos e agitamos o molho para todos os lados, para cima e para baixo - manifestando nossa alegria e indicando que a presença de Deus está em toda parte.
O que se comemora em Simchat Torá?
Simchat Torá é a DATA mais alegre do calendário judaico. Num clima de grande fervor e festividade, .concluímos o ciclo anual da leitura da Torá, e imediatamente iniciamos um novo ciclo. Demonstramos assim a natureza eterna da Torá, a continuidade de suas leis, e a constância da nossa devoção.Esta singular tradição, que se repete todos os anos, traz consigo uma lição da mais alta importància. Ela ressalta que na verdade nós nunca "completamos" a Torá. Nós nunca chegamos a captar plenamente os profundos ensinamentos inscritos em seus rolos. Nós nunca conseguimos observar e cumprir adequadamente todos seus nobres preceitos.Ao mesmo tempo, este novo começo nos dá a cada um de nós uma oportunidade de recomeçar, de reestudar, de corrigir os erros passados e compensar aquilo que até agora deixamos de fazer ou de compreender.
Por que se fazem procissões na sinagoga em Simchat Torá?
É um costume dos mais lindos na tradição judaica, chamado em hebraico hakafot. Todos os rolos da Torá são retirados da Arca e carregados pela congregação em volta da sinagoga, enquanto todos os presentes cantam, dançam e batem palmas. Assim, em meio a uma alegria contagiante, realizam-se sete ou mais circuitos, para que todos tenham uma chance de participar. Até as crianças tomam parte, em consonância com as últimas palavras do Pentateuco: "à vista de todo o Israel". Em determinado momento, as crianças são chamadas ao altar, um grande talit é suspenso sobre suas cabeças, e invoca-se sobre elas a bênção tradicional com a qual o patriarca Jacob abençoou seus dois netos. Esta bela cerimônia chama-se Kol HaNearim, "todos os jovens".
Qual o simbolismo da Suká?
O mandamento de habitar na Suká traz consigo conotações de caráter moral, social, histórico e espiritual. A Suká é um símbolo de proteção divina. Em momentos de aflição, pedimos ao Todo-Poderoso que nos "abrigue em Sua tenda" (Salmos 27:51). No Sidur, rezamos a Deus que estenda sobre nós "Sukat Shalom", Seu "tabernáculo de paz".A Suká é um chamado contra a vaidade e um apelo à humildade. Mesmo o mais poderoso dos homens deve viver durante sete dias numa habitação primitiva e modesta, conscientizando-se da impermanência das posses materiais. Mais ainda, ele deve compartilhar essa moradia com todos os desprivilegiados a seu redor: "seus servos, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estiverem dentro dos seus portões" (Deuteronômio 16:14).Por ser uma habitação pequena, sem compartimentos, a Suká obriga seus moradores a se aproximarem, física e afetivamente, e talvez os inspire a se manterem unidos nos outros dias do ano.
De acordo com a lei, a cobertura da Suká deve ser feita de tal forma que através dela se possam ver as estrelas. Resulta um teto pelo qual se infiltram a chuva e o vento, mas pelo qual também penetra a luz do sol. A Suká é o modelo de um verdadeiro lar: sem uma estrutura sofisticada, sem decoração luxuosa, mas repleta de calor, tradição e santidade. Um lar deve ter espiritualidade, deve ter uma vista para o céu. Esta é a riqueza e a estabilidade de um lar judaico: a segurança que vem de dentro.A Suká é um abrigo temporário, improvisado, construído às pressas. E no entanto, ela é um símbolo de permanência e continuidade. Ela já existia desde os tempos bíblicos, e sobreviveu a todas as convulsões da história. Os grandes impérios da antigüidade prosperaram e decaíram; revoluções derrubaram estruturas sociais, políticas e econômicas que existiam há séculos. E a Suká - tão frágil, tão precária, tão instável - ainda continua em pé!Forçados tantas vezes a abandonar sua terra de origem, os judeus criaram firmes raízes em suas tradições, em seu modo de vida, em seus valores éticos e princípios morais, em sua inabalável lealdade a Deus. Impossibilitados de se fixarem geograficamente, eles se fixaram espiritualmente. A Suká simboliza, no sentido mais profundo, a resistência do povo judeu.
De acordo com a lei, a cobertura da Suká deve ser feita de tal forma que através dela se possam ver as estrelas. Resulta um teto pelo qual se infiltram a chuva e o vento, mas pelo qual também penetra a luz do sol. A Suká é o modelo de um verdadeiro lar: sem uma estrutura sofisticada, sem decoração luxuosa, mas repleta de calor, tradição e santidade. Um lar deve ter espiritualidade, deve ter uma vista para o céu. Esta é a riqueza e a estabilidade de um lar judaico: a segurança que vem de dentro.A Suká é um abrigo temporário, improvisado, construído às pressas. E no entanto, ela é um símbolo de permanência e continuidade. Ela já existia desde os tempos bíblicos, e sobreviveu a todas as convulsões da história. Os grandes impérios da antigüidade prosperaram e decaíram; revoluções derrubaram estruturas sociais, políticas e econômicas que existiam há séculos. E a Suká - tão frágil, tão precária, tão instável - ainda continua em pé!Forçados tantas vezes a abandonar sua terra de origem, os judeus criaram firmes raízes em suas tradições, em seu modo de vida, em seus valores éticos e princípios morais, em sua inabalável lealdade a Deus. Impossibilitados de se fixarem geograficamente, eles se fixaram espiritualmente. A Suká simboliza, no sentido mais profundo, a resistência do povo judeu.
Qual o simbolismo do molho de Sukot?
De acordo com o Midrash, as quatro espécies podem ser comparadas a quatro tipos de seres humanos: o etrog, saboroso e perfumado, simboliza a pessoa que estuda a Torá e pratica as Mitzvot; o lulav, que tem um fruto delicioso (tâmara) mas não tem fragrância, representa aquele que conhece as leis, mas não cumpre os mandamentos; o hadas, que é perfumado mas não tem frutos comestíveis, se assemelha à pessoa que pratica as Mitzvot embora não estude a Torá; o aravá, que não tem frutos nem fragrância, é como o homem que desconhece os ensinamentos e não pratica boas ações.Apesar de serem tão diferentes entre si, as quatro espécies devem estar presentes junto no molho de Sukot. Assim também, os quatro tipos de seres humanos devem permanecer juntos, para que os virtuosos complementem aqueles que carecem de virtudes. A proteção de Deus se estende sobre todos os homens, desde os mais dotados até aqueles que aparentemente não têm nenhum mérito.Outra interpretação busca uma analogia com a história do povo judeu. A imponente palmeira seria a época dos reis e profetas; o mirto fragrante, a era talmúdica da sabedoria; o melancólico salgueiro, os séculos de perseguição e exílio; o etrog, aromático e belo, simboliza a esperança do porvir.
Vamos falar sobre os mandamentos bíblicos que nos deparamos cada dia; e hoje faz parte de nossas vidas. Estes mandamentos devem ser lidos e compreendidos da melhor maneira possível, pois se assim não procedermos, ficaremos em uma situação constrangedora quando formos explicar a alguém sobre o que o homem deve e não deve guardar. Pois, quando falamos da bíblia, citamos os seus mandamentos; será que estamos prontos para guardar todos os mandamentos? Ou simplesmente os citamos para os outros, sem termos a menor preocupação com o que eles possam influenciar em nossas vidas. A pergunta é: será que temos que guardar todos os mandamentos? ou devemos guardar só alguns, tendo em vista que segundo alguns teólogos Jesus cumpriu a Lei e por conseguinte nós não temos que nos preocuparmos com eles? Isso é real ou falso? temos que ter responsabilidades diversas quando falarmos dos santos mandamentos divinos.
O Deus todo poderoso jamais iria dá uma lei e mandamentos que fossem transitórios e passageiros. Os mandamentos de Deus são eternos como ele é. Não podemos admitir que um Deus todo poderoso, desse para o seu povo um código de moral que só durasse um momento, e depois perdesse a sua validade, onde ficaria a onisciência Divina? O que nós os ocidentais não percebemos, é que a bíblia não foi escrita para nós, e sim, para os judeus. Veremos portanto, a citação de fatos que ocorreu na vida desta nação: Quando Israel estava escravo no Egito e Moisés foi liberta-los, eles já possuíam uma lei. Esta Lei, não era como hoje, uma Lei cheia de códigos e mandamentos. Era uma eterna e imutável que é a Lei da consciência. Israel tinha a Lei oral que era passada de pai para filho partindo de Abraão. Eles ensinavam a seus filhos as regras, os preceitos divinos e a maneira como se devia respeitar todas pessoas da sua comunidade. Tinha a Lei escrita na tábua dos seus corações. Seguiam as regras santas de Abraão, Isaque e Jacó.
Eles mesmos sendo escravos, tentavam por todos os meios fazer e seguir o que os seus patriarcas disseram para que eles fizessem. Quando Moisés os tirou de lá, este povo Já tinha um princípio divino de observância dos bons costumes. Daí a razão por que Deus disse para Moisés que fosse tirar o seu filho do Egito Ex. cap. 4.v 22.Quando Deus falou com Moisés ele chamou Israel de “meu filho e meu primogênito”. Ora, como poderia Deus chamar alguém de meu filho, se esta pessoa não o conhecesse? Está mais do que claro que Deus estava falando de alguém que estava guardando os seus mandamentos.
O MOTIVO PELO QUAL DEUS DEU A LEI A ABRAÃO
A lei foi dada para o povo de Israel para que fosse sistematizada e eles a continuasse a obedecer. Já existia a Lei Oral, agora ela foi apenas sistematizada para que o povo tivesse um referencial como nação. tratava-se de um código de ética moral e espiritual. o que se deve fazer agora é cumprir e guardar os seus mandamentos. Neste caso serve para todos sem restrição. Isso, sem falar que esse povo ia fazer agora uma grande viagem para uma terra que eles não a conhecia, e também iria encontrar obstáculos adversos. Foi um cuidado de Deus passar para o papel o que eles já desde antes guardavam. Deus queria que eles não se esquecessem de nenhum detalhe, oficializando todas as regras a serem observadas.
Quando eles chegassem na terra que ele os havia prometidos. Agora, eles tinham de fazer os sacrifícios tudo bem determinados, e em um lugar certo. Vamos pensar agora sobre a questão social de Israel, Eles estavam saindo da escravidão e não tinha, apesar da organização que em que viviam, um livro de ética, moral e de higiene, como também o Eterno, BENDITO SEJA ELE!!! Queria dá uma Lei bem coordenada e aprimorada nos seus moldes para que os seus filhos ao obedecerem pudessem viver em paz e com boa saúde, tanto espiritual como no corpo, pois o cardápio dos Judeus é um dos cardápio mais LIGHT do mundo; qualquer recém operado pode comer sem restrição.
Daí, a razão de tantas receitas culinárias que encontramos na bíblia, proibindo alguém a comer determinados tipos de comida que até hoje os melhores nutricionistas não podem ignorar suas eficácias. Por tanto, para nós a bíblia é só um livro espiritual e que não deve ser vista de outro modo. Todavia para os judeus ela representa mais do que isso, ele é um livro de receita, um livro jurídico, um livro de ética um livro histórico, e, em fim é o livro da vida para eles. Não devemos esquecer que no momento da saída do povo de Israel do Egito, eles não tinham outro livro para se dirigir, pois eram escravos.
Tudo o que tinha a partir daquele momento, era exatamente a santa Lei que acabara de receber da parte de Deus. O que era o bastante! É por isso que hoje há muitas igrejas espalhadas por toda parte da terra, esta é exatamente a causa porque muitos pastores não têm estes conhecimentos, e por isso vai interpretando a bíblia sagrada, como se ela fosse escrita para os ocidentais. A bíblia é a constituição do Estado de Israel. Ou seja, ela é a carta máquina daquele país, por isso é cheia de tantos pontos que os ocidentais não podem interpretar.
Em seguida vamos citar alguns textos onde se vê claramente a dificuldade que uma pessoa que não é judia enfrenta para entender nos livros sagrados. Começando pelo primeiro livro da escritura sagrada, nós já temos um problema sério para entendê-lo. O GÊNESIS, ou seja o livro dos princípios onde encontramos relatos sobre a vida dos primeiros ser viventes, Adão, Eva, Abel e Caim. Estas pessoas que iniciaram a história da criação até hoje são vistas como um enigma para muitos teólogos modernos e contemporâneos. Há partes neste livro e nesta família, que se tem falado há milhares de anos e nunca se chaga a um denominador comum.
Em fim, os mandamentos que temos na bíblia, são para todos os povos da terra guardá-los? Vendo de primeira vista, até parece que sim, mas, quando analisamos pelo olho da tradição judaica, fica difícil imaginar um brasileiro guardar o mandamento relativo ao sábado, tendo em vista que ele poderia até mesmo guardar o dia de sábado como mandamento, todavia, o difícil é encontrar uma empresa que quisesse contratar este funcionário. Hoje, temos grupos religiosos que diz que estão guardando o sábado do Senhor, no entanto, de que vale guardar um mandamento e não poder guardar os outros? além de tudo, o sábado deve ser guardado com um sentido restritamente espiritual; e não apenas por assim dizer, um capricho, um descanso; não devemos nos esquecer de que Israel era “ESCRAVO” no Egito, por tanto, Deus também estava garantindo o direito de mais tarde alguns dentre eles não descem o descanso necessário para um outro irmão seu para obedecer e refletir sobre Deus.
Quando observamos na bíblia a guarda do sábado, vimos que ele era observado não apenas uma pessoa, mas era um decreto nacional como é até hoje em Israel ou onde eles( os Judeus) se encontrem. É o caso do Brasil e de outros países? Acreditamos que não vale apenas tentar guardar o sábado que nos leva a condição de filhos que obedece as Leis do pai Eterno. É lamentável hoje ver pessoas que diz que está guardando os mandamentos do senhor no entanto, odeia de coração a nação que Deus chamou de: MEU FILHO, MEU PRIMOGÊNITO. Como pode alguém condenar àquele que trouxe um código de vida tão importante como a bíblia? Só tem uma explicação; ou não conhece a bíblia ou senão o povo que a escreveu. Tem particularidades nas escrituras sagradas que só pode ser guardada pelo povo que já nasceu dentro deste costume, ou seja esta tradição.
O que acontece hoje em dia, é vermos pessoas que mistura o novo testamento e o velho e diz que está guardando os mandamentos divinos. Nós do ocidente, cremos em um novo testamento que os judeus não acredita nele. Estão eles errados? Claro que não, é aí que encerra o grande mistério de Deus. Pois, eles não acreditavam que Deus lhes daria uma Lei para valer só por um momento, segundo eles, se Deus é Eterno, como poderia dá para os seus filhos, um código de ética dizendo que seria um estatuto perpétuo e depois de um certo tempo apagar aquele código e dizer que agora está estabelecendo um novo código para que eles cumpram? Isso, segundo eles seria reduzir o Eterno ao nível de homem que se arrepende do que faz.
Ora, quem desmancha aquilo que fez é porque não sabia o que estava fazendo. É verdade que fica um pouco difícil fazer com que todos entendam estes propósitos divinos. A verdade é que os mandamentos não foram e nem são para nós (de todo universo)que vivemos vivem fora de Israel, isto é não judeu. Ao tratarmos desta parte, fica uma pergunta: E Jesus, do que estava falando quando disse que o pão, e o vinho, eram o novo testamento no seu sangue? Vamos pensar sobre esta questão tão importante e de grande relevância. Que testamento seria este? Seria portanto, os vinte e sete livros que temos depois de Malaquias? Claro que não! Como pois, poderia Jesus está citando um conjunto de livros que ainda não existia, e dizer: este é o Novo Testamento?
A expressão é bem clara! Ele disse este é um Novo Testamento no meu sangue, e não se referindo a um conjunto de livros que ainda não existia. Pois, ele estava se referindo ao sacrifício que seria mais tarde seu sangue derramado na cruz para salvar todo aquele que nele crescem. Não devemos esquecer que Jesus estava guardando a Lei de Moisés, e como tal, ele pode dizer: O PAI SEMPRE ME OUVE, PORQUE EU FAÇO A SUA VONTADE. Ora qual era à vontade de Deus? Era exatamente que os seus filhos guardassem os seus mandamentos.
Foi isso que ele disse aos filhos de Israel: “se guardares todos estes mandamentos que hoje te ordeno, tudo quanto plantar, cultivar, pedir, e assim por diante... vos será feito. Por acaso não foi isto que Jesus disse no evangelho de João:” pai eu bem sei que tu sempre me houve “Como já disse em linhas anteriores, nós sempre envergamos a bíblia para que possamos entendê-la, e nunca nos envergamos a ela. Temos que crer que Jesus veio guardar os mandamentos de Deus, foi por isso que ele perguntou: quem dentre vocês me convence de pecados? Ora se Jesus não guardasse a lei de Moisés é claro que ele seria acusado disto ou daquilo; Porém isso não aconteceu. O que vemos é um homem simples com as mãos todas cheias de calos de tanto cortar madeiras, sem sombra de dúvidas nas casas das pessoas que necessitava do seu serviço. Como o profeta de Deus havia dito: homem de dores e provado nos trabalhos e um de quem nós escondíamos o”. rosto”. era desprezado e não fizemos dele caso algum. Is.53.v.3.
Essas são características de uma pessoa sofredora, e não de um Deus como muita gente pensa. Quando alguém diz isto, esquece que Jesus disse certa vez: as coisas que eu faço vocês também poderão fazer, e digo ainda que vocês poderão fazer maiores ainda, pois eu vou para o meu PAI. Isto é, e vocês vão ficar aqui para fazê-las; o que nos impede é na verdade a nossa incredulidade desconfiança nas palavras santa do nosso Eterno Deus todo poderoso BEMDITO SEJA ELE ETERNAMENTE! Enfim, a bíblia nos diz que, aquele que não confessar que Jesus veio em carne este tal não está falando pelo espírito de Deus. Isso não diminui a pessoa santa do nosso salvador, antes pelo contrário, o engrandece, pois Jesus jamais quis ser igual a Deus, e sim igual aos seus discípulos. Está escrito assim: Eu sou a luz do mundo. Será que isso que Jesus estava dizendo era que ele era Deus, claro que não! Como poderia Jesus ser Deus se ele orou ao pai dizendo: pai Eu bem sei que tu sempre me houve. Ora estava ali um Deus pedindo a outro deus? Temos que rever os nossos conceitos a respeito da pessoa do nosso salvador. Se não vamos mais tarde dizer que Jesus não sentiu dores e que o plano da salvação era um mero teatro ao ar- livres, Longe de mim tal pensamento. O plano de Deus era e é real, e não uma brincadeira de um Deus se confessando com outro. Eu sei que este assunto às vezes deixa os nossos pensamentos abalados, não nos explicaram assim. Já vimos que Deus deu a Lei a Moisés no monte Sinai, e essa lei era eterna. Agora, vamos fazer uma análise a respeito dos livros que nós acreditamos que é o Novo Testamento. Primeiro, temos que analisar a palavra “Testamento” o que significa.
Todos sabem que esta palavra significa: acordo, pacto, etc. quando falamos de acordo em relação à salvação, temos que ter em mente que tipo de acordo seria este; que acordo Jesus estava falando? e para quem ele estava falando? Para termos uma idéia básica, nós precisamos ler com muita atenção, o capítulo 10 do evangelho de São Mateus. onde no verso 6 Jesus diz: vai tão somente evangelizar às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ainda diz: não entre em aldeia de Samaritano e nem vão pelos caminhos das gentes,(não pregar às nações que iam e vinha para Israel) esta expressão da bíblia revista e corrigida da tradução de João Ferreira de Almeida, nos deixa bem claro que Jesus não veio evangelizar às nações (não judias) e sim, o povo de Israel. Nós é que dizemos que Israel não aceitou a Jesus, no entanto, esta é uma interpretação totalmente errada. Está escrito assim: veio para o que seu e os seus não o receberam, mas a todos que os receberam deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Evangelho de São João 1.11. o segredo está na palavra “todos”, todos quem? Quem foram os apóstolos do Senhor? Não foram Judeus? E isso, sem falar que não eram apenas doze pessoas; é que as vezes esquecemos que uma multidão gritava na rua: Bendito o rei que vem em nome do Senhor, Hosana nas alturas! E a outra multidão que estava no monte das Oliveiras, e assim por diante, o grande problema, é que a maioria ver Israel na bíblia como uma Igreja, e se esquece de que Israel era e é uma NAÇÃO!
O que não aconteceu, foi que nem todo o Israel (nação) percebeu que aquele humilde carpinteiro era o profeta que Moisés havia falado antes. Mais tarde nós podemos perceber estas verdades na vida dos apóstolos, podemos citar o caso de Pedro quando foi convidado para ir à casa de Cornélio, pois ele na hora se recuou a ir, pois se tratava da casa de um gentio. Ficamos a pensar, se Jesus tivesse dito para eles saírem em todo mundo anunciando o evangelho para todas as pessoas que não fossem judia, como poderia agora Pedro se recusar a entrar na casa de Cornélio? Tendo em vista que Jesus já tinha ido para Glória? São pontos da bíblia que tem explicação, mas às vezes nós não queremos parar para ouvir, preferimos passar todo o tempo baseado no “OBA OBA” de certas pessoas em vez de examinar as Santas Escrituras, ficam só buscando falar em línguas estranhas e profecias avulsas e se esquecem de ler o manual do cristão, A BÍBLIA SAGRADA. Em atos dos apóstolos, no capítulo 11e v 19, temos ainda uma forte expressão de esclarecimento a este respeito.
O texto diz: E OS QUE FORAM DISPERSOS PELA PERSEGUIÇÃO QUE SUCEDEU POR CAUSA DE ESTÉVAM CAMINHARARM ATÉ A FENÍCIA,CHIPRE E ANTIOQUIA,NÃO ANUNCIANDO A NINGUÉM A PALAVRA, SENÃO SOMENTE AOS JUDEUS. At. Dos apostolo cap.11.v.19. Ora, Jesus já tinha subido para glória, e Eles, se tinham um mandamento para evangelizar todas as nações, como pois só evangelizava para os Judeus que estavam espalhados por toda parte? só há uma explicação, eles não podiam evangelizar para as pessoas que não eram judias, Mt. 10.v.6.E ao pensar nisso, como fica a nossa situação? Estamos todos errados? E como chegou o evangelho até nós? É exatamente isso que vamos ver em seguida. Esta é uma entre muitas questões que sem dúvidas nenhuma é vista nestas páginas que veremos a seguir: Todos nós estamos certos. E pensando desta forma, até parece que estamos vivendo uma outra realidade. Uma outra bíblia.
De fato não é assim, o que queremos dizer é que, o evangelho que nós conhecemos hoje, é na verdade um evangelho baseado em uma cultura puramente ocidental; e por conseguinte, fazemos tudo do jeito OCIDENTAL e maneira de pensar. Isto é, apenas uma das formas que queremos apresentar nesta situação. No cap. 13.v.46,encontramos uma expressão que nos faz entender todo Novo Testamento (segundo nós), quantas pessoas tentaram conseguir entender estas realidades e não entenderam. Paulo diz que, estava pregando para os judeus o evangelho (boas novas, boas notícias) para um povo do qual ele foi um mestre. Será que este fariseu estava falando bobagem? Não, é claro que não! Ele estava falando de experiências próprias. Quem foi este homem? Entre muitos, um problemático, um confuso, um comandante fora do senso, etc. Podemos até pensar o que quisermos, a verdade é que, ele disse e está dito.
É esta verdade que os judeus da sua época não entenderam. Não importa quem ele era. Quanto mais mexermos nisso, mais fica difícil para a nossa cultura entender. Paulo diz: esta frase importante: ERA MISTER QUE A VÒS SE VOS PREGASSE PRIMEIRO O EVANGELHO. a vós quem? De quem estava falando Paulo? Dos gentios? dos judeus? ou estava falando para gregos!? É claro que não! Estas palavras foram dirigidas para um povo que sabia toda a verdade. Eles tinham todo o conhecimento Divino. Tratava-se porém, do povo de Deus espalhados por todos os recantos da terra naquele momento, neste caso o globo terrestre.
Quando Paulo fala estas palavras, os judeus queriam matá-lo, pois, geralmente não era permitido pregar sobre a lei de Moisés para pessoas que não fossem judias, Mt 6.v.10.Há nestas palavras de Paulo algo muito importante para ser analisado, pois, olhando por fora do pensamento judaico, fica difícil para ser interpretado; vamos agora ver como acontece essa trajetória de pregação. Quando lemos a expressão de Marcos, no cap.16.v.15, quando ele diz: “ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura...”,Até parece que Jesus ordenou aos discípulos que eles deviam anunciar o evangelho para todo mundo, (todas as nações gentílicas). Será que foi assim? Claro que não, o que acontece é o seguinte: os evangelhos foram escritos muitos anos depois da morte de Jesus, e por conseguinte, foram escritos de conformidade com o que estava acontecendo no momento, isto é, já tinha acontecido o episódio de At.13.v.46.Em outra linguagem, Paulo já havia decidido pregar para os gentios, depois da recusa deles.( os Judeus) Aí está um fato que a maioria desconhece. O que isto significa na verdade, é que os apóstolos não tinham autorização para evangelizar para qualquer pessoa que não fosse judia, foi por isso que, quando Pedro foi pregar na casa de Cornélio, ele passou na cara dos que estavam presentes as seguintes palavras: vocês bem sabem que não é lícito um judeu se juntar a um gentio.
Vamos pensar no fato de Pedro dizer estas palavras; ora em At. 11.v.19,reforça essa passagem. Quando diz: E OS QUE FORAM DISPERSOS POR CAUSA DA PESSEGUIÇÃO QUE HOUVE POR CAUSA DA MORTE DE ESTEVAM, SAIRAM POR TODA PARTE NÃO ANUNCIANDO ANINGUÉM SENÃO SOMENTE AOS JUDEUS. Tudo isso aconteceu no momento em que Jesus já tinha ido para o céu. Então pensemos no fato de eles não pregar para ninguém, ora, se eles tivessem autorização para pregar aos gentios, não pregariam para eles? tendo em vista que a salvação deve ser distribuída para todo mundo?
Sabemos que só depois de pregar para os judeus, foi que os apóstolos se depuseram a pregar para as pessoas que não eram judias. O que queremos dizer é que, o Evangelho que nós vivemos hoje em dia, não é um evangelho um evangelho 100% pregado para a cultura judaica, e sim, um evangelho baseado na cultura ocidental, e não na cultura judaica. Em Romanos cap.2.v 16, Paulo diz: O MEU EVANGELHO, ora, o evangelho é de Paulo ou de Jesus? Em Gl.cap.2.v.7, Paulo fala de dois evangelhos; ele os chama de: O EVANGELHO DACIRCUNCISÃO E O DA INCIRCUNCISÃO. Lemos nessa passagem que se fala do EVANGELHO DE Pedro e o EVANGELHO de Paulo. O que quer estas passagens nos dizer? Isso significa que, Pedro pregava para os judeus, isso é, segundo a cultura deles. Devemos lembrar que Jesus aconselhou que nem se quer entrasse nas aldeias de Samaritano e também não fossem pelos caminhos dos gentios. Esse é o grande mistério da salvação. Paulo foi usado por Deus para pregar evangelho para as pessoas que não eram judias. ele é conhecido como apóstolo dos gentios. Então, quando Jesus disse que os apóstolos deveriam ir por toda parte para pregar evangelho, e acrescenta, ensinai a todas as gentes, que gente Seriam? gentios? claro que não! O que acontece é que os judeus naquela época, já viviam espalhados por todo mundo.
Podemos compreender com muita clareza que quando aconteceu a invasão da Babilônia na Palestina e levaram os judeus cativos, muitos judeus fugiram para Europa, se abrigando na Espanha e até mesmo na Itália e o norte da África. Hoje a história nos mostra que havia judeus espalhados por toda as partes do mundo. O maior problema, é que às vezes as pessoas não se esforça para entender que os evangelhos foram escritos por quatro escritores que ao escrever não se preocuparam com os mínimos detalhes da história dos judeus, e sim, com a história do Cristo e seus apóstolos; não se trata de um relato histórico de Israel e o seu desenvolvimento.
Os quatro evangelhos são considerados como se fosse quatro manchetes sobre Jesus e seus discípulos. Então todo enfoque era a pessoa de Jesus, e não a larga história dos judeus. É este o motivo pelo qual nós vemos que eles não são iguais, há sempre uma diferença entre um e outro evangelho, isto acontece porque Mateus, Marcos, Lucas e João cada um tinha uma visão e compreensão de Jesus. Todavia a história Extra- bíblia, nos conta os detalhes da vida deste povo e suas trajetórias. Há um ponto de máxima importância que não podemos deixar de analisar. É que quando estes escritores estavam escrevendo estes relatos sobre a pessoa de Jesus de Nazaré, jamais passava na cabeça deles que estavam escrevendo bíblia, isto é, eles estavam apenas registrando fatos da vida de Jesus e os seus discípulos.
Portanto, não havia uma preocupação prévia de escrever detalhando os fatos nos seus mínimos detalhes como por exemplo, colocar datas nos fatos ocorridos, e o dia em que eles aconteciam, pois, aqueles homens jamais poderiam pensar que os seus escritos chegariam até nós. da mesma maneira aconteceu com as cartas de Paulo e os outros apóstolos, que em muitos casos não passavam de cartas simplesmente pessoais; pois sabemos e temos conhecimento que muitas delas são cartas pessoais dirigidas a um amigo ou irmão.
É necessário observar bem esses fatos se quisermos interpretar a santa palavra de Deus. Paulo disse: tudo que for escrito por inspiração divina é proveitoso para a vida humana. Nessa expressão ele disse: toda escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça.2ª a Tm 3,16 (toda escritura, isto é, tudo que for escrito por inspiração divina) Quando aqui ele fala que toda “escritura divinamente inspirada” ele não está se referindo ao Antigo Testamento, ele está dizendo tudo o que se escreve por inspiração divina.
Vale apenas alguém lê e entender estas passagens da Santa Bíblia, Para entendermos melhor, é bom lembrar que, como já dissemos, aqueles homens não estavam escrevendo bíblia de hipótese alguma, e nem passava em suas cabeças que os seus escritos fosse chegar até nós. Vimos o que significa Novo Testamento, e portanto, com o passar dos tempos e bem depois da morte de todos os apóstolos é que um Imperador Romano se converte ao cristianismo e então passa observar os escritos dos discípulos do Mestre Jesus, e daí, passaram reunir esses escritos ao longo dos anos e foram considerados como sagrados, e portanto foram canonizados, isto é passou a Ter valor de Bíblia Sagrada ( Livros sagrados). Pois, contêm neles regras e práticas de vida que qualquer um que as observar será abençoado. Como já havia dito Paulo, toda escritura divinamente inspirada é proveitosa, portanto, suas próprias escrituras, mais tarde passaram por este processo de avaliação. E é hoje lidas e observadas por milhões de pessoas no mundo inteiro. Esta é uma breve história verídica acerca dos 27 livros que temos hoje acrescentados ao Antigo Testamento que o profeta Moisés escreveu quando recebeu diretamente de Deus para que todo povo de Israel pudesse guardar e viver por ele para sempre. Hoje, nós temos o Antigo( para os Judeus) e o Novo Testamento para o ocidente. Para nós aqui no ocidente ele é considerado assim, porém para Israel, eles não consideram o Novo Testamento, porque dizem que Deus disse para Moisés que os mandamentos que lhes dera era eterno, e portanto, não podiam de maneira nenhuma ser transitórios.
Para mim isto é compreensivo, pois, nós não tínhamos uma promessa de um “MESSIAS” como eles tinham; como já vimos à bíblia que hoje temos foi dada a eles com todas suas promessas, e não para nós que não tínhamos promessas nenhuma. Esta explicação pode até parecer heresia para alguns, todavia para aqueles que se dedica a estudar a santa bíblia com mais afincos, saberá que tudo isto é verdade. Eles não aceitam os livros que foram escritos fora de Jerusalém e por conseguinte sem a devida supervisão dos seus sacerdotes e escribas, como também os seus rabinos; foram escritos quase todos na Europa e manuseados por pessoas que não tinha nem um aval dos mestres judeus. E por isso, segundo eles não merece confiança.
Com isso temos que observar com toda a calma e analisar suas peculiaridades para não nos complicarmos na hora de ensinar para as pessoas acerca do NOVO e do ANTIGO TESTAMENTO. Portanto, temos que estudar com muito cuidado o texto e o contexto do que Paulo e os apóstolos pregavam tanto para gregos como para Romanos e assim por diante. E isso sem falar no fato de na época de Paulo já haver bastante judeus espalhados por toda a Europa, de conformidade com o que disse OBADIA versículo 20, quando diz: E OS CATIVOS DESTE EXÉRCITO DOS FILHOS DE ISRAEL,QUE ESTÃO ENTRE OS CANANEUS,POSSUIRÃO ATÉ ZAREFATE ;E OS CATIVOS DE JERUSALÉM, QUE ESTÃO EM “SEFARADE”, POSSUIRÃO AS CIDADES DO SUL. Sefarade é o nome Hebraico para Espanha; foi por isso que Paulo disse que era necessário ir a té a Espanha. Havia na época de Paulo milhares de judeus vivendo na Espanha, na Grécia e nas regiões da Turquia.
Quando ele diz que era mister anunciar em primeiro lugar aos judeus, ele estava obedecendo ao mandado de Jesus igualzinho ao que havia dito aos apóstolos registrados no evangelho de Mateus no capitulo 10;Paulo, como todo judeu procurava pó toda parte os seus patrícios, pois quem conhece o judeu sabe que todo o judeu só se sente bem estando ao lado do outro. Por portanto, ele era um pregador versátil, isto é, pregava um evangelho multicultural. Só Paulo tinha a ousadia de entrar tanto no oriente com no ocidente, isto é na Europa para pregar o evangelho que era dos judeus. É bom lembrar que pregar evangelho na época dos apóstolos era interpretado no momento, como se tivesse fazendo política contra os governantes da destes ou daquele país, pois, a política da época interpretava que qualquer grupo reunido que não fosse patrícios, eram visto como “MOTIM”.
Pois, não era permitido fazer proselitismo, isto é, chamar a alguém para se tornar judeu. O segredo está nesta palavra: PROSELITISMO. Na época, fazer convite a uma pessoa para se tornar cristão, era um insulto tanto para os Romanos como para os judeus. Isso era considerado um absurdo pelas autoridades daquela época. Nunca devemos esquecer que aquele povo era um povo que acabara de chegar do seu país arribado. Isto é, eles obtinham permissão para morar naquelas terras , mas, não podiam abusar da bondade. Estando vivendo em uma época de bárbaro, todo e qualquer grupos de pessoas que estivessem unidas, configurava motim.
Isto é, todos pensavam que era um grupo se formando para derrubar o governo. E, portanto, eram coibidas toda e qualquer reunião de qualquer natureza. Essa era a razão pela qual era proibido se pregar e anunciar outros deuses que não fossem o deus deste ou daquele rei ou reinado. ATÉ hoje permanece da mesma maneira em alguns lugares do mundo, principalmente onde o sistema de governo é o COMUNISMO ou mesmo uma MONARQUIA. Eles não CHAMAVAM E NÃO CHAMAM ninguém para ser judeus. Lv. Cap.20.v.26, no entanto o plano de salvação para nós, foi planejado muito antes disso. Quando Deus disse a Moisés: ASSIM DIGA A FARAÓ, ISRAEL É O MEU FILHO O MEU PRIMOGÊNITO, ele estava dizendo com isto que, se ISRAEL era o primogênito (primeiro), é porque o segundo filho dele ainda estava para vir. Isto é, a IGREJA GENTÍLICA que Paulo com muita força de vontade, ganhou-a com suas pregações fora de Israel. É este o mistério da salvação que ele fala para nós em suas cartas, e que parecia loucura para os judeus. Em resumo, queremos frisar nestas linhas, que vivemos mais do evangelho de Paulo do que do evangelho que os apóstolos pregava para os judeus.
A IGREJA GENTÍLICAE E A COMUNIDADE DE ISRAEL
Ao conversar com a mulher Samaritano, Jesus disse que a salvação viria dos Judeus, e através destas palavras, a mulher Samaritano entendeu de tal forma, que foi chamar os seus conterrâneos para ouvir a Jesus explicar a palavra de Deus. Jesus veio apenas explicar a Lei de Moisés com mais profundidade. Ora, o povo de Israel já tinha a Lei de Moisés que era explicada cada sábado nas sinagogas, como também nos lares. O que acontece, é que esta Lei na realidade, era apenas explicada, todavia, não era vivida na sua íntegra.
E foi exatamente isto que Jesus veio fazer. Aí está a razão pela qual Jesus disse “um novo mandamento vos dou, que vos ameis uns aos outros” Ora, amar é na realidade, o segundo mandamento da Lei. Está escrito: AMA A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMOCOMO ATI MESMO. Mas, finalmente, estava Jesus confundido ou não conhecia os mandamentos? Por causa da má compreensão deste assunto, há pessoas hoje em dia que diz que há 11 mandamentos. como explicar uma situação como esta? como já dissemos, Jesus veio para explica uma Lei que os sábios judeus explicava todos os dias. A explicação deste assunto nós temos no início do livro Atos dos apóstolos, quando lemos as seguintes palavras do médico Lucas: FIZ O PRIMEIRO TRATADO,Ó TEÓFILO, ACERCA DE TUDO O QUE JESUS COMEÇOU, NÃO SOU A FAZER, MAS A ENSINAR ATÉ O DIA EM FOI RECEBIDO EM CIMA DEPOIS DE TER DADO MAMDAMENTOS,PELO ESPÍRITO SANTO, AOS APÓSTOLOS QUE ESCOLHERA.
O segredo está exatamente aí, Jesus não só fazia como também ensinava. Era exatamente ao contrário que acontecia com os Fariseus e Doutores da lei. Eles apenas ensinavam, porém, Jesus ensinava e fazia. Foi por isso que ele disse: um novo mandamento. Pois, ninguém pensava mais em amar o próximo, e sim, em guerra e destruição. Como pacifista, Jesus ensinava a alguém amar sem ter naturalmente uma espada nas mãos. Não devemos esquecer que quando Jesus nasceu e viveu, o povo de Israel era escravo dos romanos; eles, praticamente faziam o que os Romanos queriam. Este povo por sua vez vivia com o coração angustiado, e por conseguinte, queriam ficar livres a todo custo. Só que eles estavam procurando uma forma de liberdade que não era adequada em sua expressão mais profunda. A maior liberdade é da alma.
E infelizmente os judeus pelo simples fato de ter a Lei de Moisés em suas mãos, pensavam que isto era tudo. Não! O Eterno queria que eles a tivessem nas tábuas dos seus corações. Quando lemos em Deuteronômios as palavras do Senhor, cap. 28.1,2,...Todo o segredo da liberdade espiritual oferecida por Deus aos seus filhos. Deus diz nestas passagens que eles seriam totalmente abençoados, se guardassem os seus preceitos. Isto é, guardassem a Lei de Moisés. Está escrito: SE MEU POVO QUE SE CHAMA PELO MEU NOME SE ARREPENDER SE CONVERTER EU SARAREI A SUA TERRA..... Isto é, se eles amar uns aos outros e me obedecer.
Esta é a Lei e os profetas. Jesus nasceu e se criou entre o povo de Israel ele (Jesus), foi parte integrante do sofrimento do seu povo, tendo em vista que ele só começou a pregar quando estava na idade de 30 anos de idade. Ele teve um ministério muito curto, todavia, deixou algo muito marcante, outra passagem que indica que Jesus não fazia, como também ensinava. Os soldados disseram certo dia: NUNCA HOMEM ALGUM FALOU ASSIM COMO ESTE HOMEM. E isto foi dito por pessoa que geralmente via e ouvia muitas pessoas falarem, estes eram os soldados que foram prendê-lo. Estas passagens nos mostram com clareza, a personalidade de Jesus de Nazaré e sua missão.
O maior problema acontece, quando nós interpretamos as palavras de Jesus, como se ele viesse com um propósito de modificar a Lei de Moisés. Ele veio apenas interpretá-la corretamente, o povo já havia esquecido do verdadeiro sentido da lei; não devemos esquecer que este povo em certos momentos de sua história, guardara a palavra de Deus e obedeceram-na, e se alegram na presença de Deus. O que acontece é que, as vezes só vemos um Deus que se ira, que se zanga, e, nunca vemos um Deus paternal, amoroso, bondoso que não pode se escandalizar com o que ele fez, o homem. É por isso que está escrito que Deus não corrige de bom grado aos filhos dos homens. Isto só revela o senso paternal de Deus.
Hoje, a maioria de nós evangélicos, quando falamos sobre ISRAEL, Só vemos um povo desobediente, um povo que matou a Jesus e assim por diante. E quase não percebemos que este povo é o ponteiro de Deus no universo. Foram eles que nos deram a Santa Bíblia são deles as promessas e os cultos. Foi exatamente isto que Jesus estava querendo dizer para a mulher samaritana junto ao poço de Jacó. E mais tarde, Paulo, sendo também judeu, explicou que nós gentios, não temos o direito de criticar Israel. Pois - disse ele -,vós fostes enxertados na oliveira verdadeira, sendo Zanbujeiro bravo. Isto é, sem ter condições nenhuma de fazer parte da comunidade espiritual judaica, pois a Lei de Moisés nos proíbe até hoje um gentio entrar em qualquer sinagoga e participar de cultos juntamente com os judeus. Alguns rabinos franqueiam esta oportunidade para alguns, no entanto é muito criticado pelos outros. Eles fazem isto com base na lei de Moisés que lhes dar esta cobertura.
É só lermos em Lv.cap.20.v.26.Israel é uma comunidade fechada para o mundo externo, no que diz respeito à religião. A Igreja Cristã, por sua vez, tem que vê que, se ficarmos ausentes destas verdades, não podemos entender certas partes importantes das escrituras sagradas. o que hoje temos que fazer é observar toda história de Israel e sua cultura. E, não apenas ficar criticando o povo de Deus. Quando vemos hoje guerras e mais guerras assolando o território palestino e Israel, é bom termos em mente que, só em 1948, pela convenção das nações unidas, é que Israel pôde receber o documento da sua terra. Pois, antes não foi possível, tendo em vista que ele invadiu àquela terra, e por conseguinte, não foram reconhecidos como os verdadeiros donos. As guerras que eles estão enfrentando hoje, fazem parte do cumprimento da palavra de Deus.- Tudo o que o homem planta, isso ele colherá.
Na verdade, o que eles têm de reconhecer é que aquele povo também merece uma chance, e assim acabar com esta guerra. A Igreja, por sua vez está totalmente fora deste contexto; pois, nossa forma de pensar, agir e viver, são muito diferentes da forma de vida daquela comunidade. Houve sim, uma influência muito grande em nossa cultura, sobre a vinda dos judeus para o Brasil, especialmente aqui em Pernambuco, na época de Maurício de Nassau. Esses judeus deixaram em nossa cultura marcos importantes. Todavia, nossas maneiras de ver as coisas, são totalmente diferentes da deles.
por isso, não há uma compatibilidade e jamais vai ter. pois, pegamos partes inteiras de sua cultura e seu livro principal, A BÍBLIA SAGRDA, no entanto os condenamos como se não precisássemos deles. Olhando pelo lado real de ver as coisas, é necessário estarmos observando a cada dia a história deste povo, pois direto ou indiretamente, estamos ligados a eles. Vamos pensar em que geralmente citamos o mesmo Deus, os mesmos profetas, o mesmo céu e a mesma bíblia. Só não compartilhamos do pensamento espiritual do mesmo Jesus, pois eles acreditam em Jesus única e exclusivamente como se ele fosse apenas mais um sábio de Israel, pois eles dizem que Deus nunca deixou Israel sem nenhum sábio.
É de suma importância entendermos, que nós somos apenas grupos isolados de pessoas que crêem em deus através de Jesus, eles porém, são considerados como uma nação que crê em Deus. Nós seguimos a orientação de um pastor, eles porém, seguem a orientação de um presidente da nação, o que é muito diferente na verdade. Mas, o que temos que fazer na verdade? usar uma outra bíblia ? fazer como fizeram alguns seguimentos religiosos que por não puder entender as escrituras, fizeram uma para si, que fosse compatível com os seus pensamentos e aí ter uma melhor compreensão? De modo nenhum! O que temos que fazer, é analisar com muito cuidado, o que os apóstolos de Jesus ensinaram para nós e nossos filhos. Para se ter uma idéia básica deste assunto, temos que analisar alguns tópicos de relevância mundial.
Por exemplo, na época de Jesus não havia muitas Leis que hoje existem para beneficiar toda a humanidade, como: O DIREITO UNIVERSAL DO HOMEM, AS SEPARAÇÕES DE CONTINENTES, COMO A EUROPA, ÁSIA, e como também as AMÉRICAS e atualmente O MERCUSUL. Essas organizações, diretas ou indiretamente beneficiam de algum modo o homem moderno. Hoje, temos as Nações unidas que têm o objetivo supervisionar os lideres que possam agir arbitrariamente com os seus subordinados ou mesmo contra uma outra nação.
O que temos de fazer hoje em dia quando pensamos na maneira de viver na época de Jesus, sem dúvida nenhuma, vamos vê muitas diferencias. Então temos que fazermos uma interpretação mais coerente a determinadas passagens da escrituras sagradas, por Exemplo, as escrituras falam que a religião pura e imaculada para com Deus o pai é esta: GUARDASSEM DA CORRUPÇÃO DO MUNDO E VISITAR OS ÓRFÃOS E AS VIÚVAS NAS SUAS TRIBULAÇÕES. Tg. cap. 1.v27, aparte que fala de visitar os órfão e as viúvas são relativamente ligadas às necessidades ou carências, hoje porém, quem faz essas visitas são os governos ou representantes. Isto é, hoje nós temos as aposentadorias que beneficiam a todos, os órfãos e as viúvas. exceto os órfãos que ainda são novos e os seus pais não deixaram nenhuma propriedade, mesmo assim ainda podemos contar com as creches ou abrigos públicos, pois, os nossos impostos servem para custear esses gastos e outras despesas.
Nos dias de Jesus não existiam essas vantagens. Portanto, tudo ficava a cargo da religião. Atualmente existem muitas coisas que atrapalham a vida, mas, também contamos com certos privilégios que eram impensados na antigüidade. Tudo isso, nos leva a fazermos uma análise com mais profundidade antes de ensinarmos certas passagens da bíblia sagrada, pois, hoje nós citamos partes dela para vivermos, porém em Israel, era a constituição do país, não era apenas partes dela, e sim tinha de ser vivida por inteira. Nós aqui neste recanto da terra, citamos e vivemos as partes da escrituras sagradas que servem para nossa vida como cidadãos em uma cultura em que vivemos baseados em uma constituição que às vezes não se incomoda em muitos casos, com o pensamento cristão.
Portanto, obedecemos à bíblia por um lado, à constituição do nosso país por outro. Analisemos que isso acontece em muitos países do mundo, onde os seus cidadãos têm que agir da mesma maneira que nós. Portanto, a bíblia hoje, tem que ser vista com uma forma de interpretação baseada na cultura de cada país, e por conseguinte, obedecer a Deus.
olhando por este lado, temos que admitir que é essa a razão pela qual existem tantas igrejas o mundo inteiro. É exatamente pelo fato de não interpretar a bíblia como ela é. Isto é, como a constituição do Estado de Israel. Daí, a grande diferença entre o judeu e o gentio, é que ao contrário do gentio, o judeu faz questão de obedecer apenas à bíblia sagrada e à constituição que seja compatível com a TORÁ Isto é, à Lei de Moisés. Eles foram e são fiéis à sagrada TORÁ. Em outra linguagem, tudo em Israel inspira religião.
É verdade que lá também existem muitos problemas, como em qualquer um outro país, no entanto, lutam para serem fiéis a Deus e a sua palavra. Quando qualquer pessoa chega em Israel, logo sente uma paz profunda, apesar das ameaças de guerras. advindas de outras nações. É só pensarmos em uma cultura que se prolonga por milhares de anos e por várias circunstâncias, que vemos na realidade, que há um mistério entre este povo tão sofridos e discriminados.
O Deus de Israel
O Deus de Israel e tão perfeito que fez o ser humano tão perfeito que fez o ser humano igual a ele, Ele disse: o homem agora é como um de nós. A começar pela mente, a mente é quem comanda o corpo., pois, cada parte tem uma função especifica. A ciência diz que a parte mais importante do corpo e a cabeça –ou seja, a cabeça é o quartel general do corpo., ela despacha e os órgãos vitais obedecem. cada parte Deus criou com um objetivo. por isso, é que esse organismo tem que trabalhar em conjunto e perfeita comunhão. por tanto, a mão, não pode dizer ao pé, não preciso de ti! porquê nenhum membro do corpo, pode ficar fora do planejamento divino? É porque Deus não pode se dividir; isso já uma porta para compreendermos o motivo pelo qual a Verdadeira igreja de Deus não pode se dividir.
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